#1 Entre verbos

segunda-feira, junho 10, 2013


   O Entre Verbos serão os meus textos avulsos que eu vou postar aqui no blog, espero que gostem deles, e que deixam um comentário bonitinho no final. [  ]

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         E eu acordo nesse mundo de mentira, abrindo os meus olhos de vidro; Eu tomo um banho de mentira, entro numa van de mentira, e uma mulher me deseja um bom dia tão falso que uma mentira seria mais honrosa. E eu vou para uma escola, aprender o que escritores queriam transmitir em suas palavras quando eles queriam apenas desabafar. Nos contam mentiras; Dizem que os textos que eles escreviam se ligavam com os grandes acontecimentos de suas épocas. Como se esse texto meu, se relacionasse com a Renúncia do Papa.

      E eu me visto de mentiras esbranquiçadas, etiquetadas em cabides. Eu penteio os meus cabelos com mentiras, depois de lavá-los com mentiras oleosas ou para fios secos. Eu leio mentirar, ouço mentiras na rádio e eu sei que apenas o violão no fundo que chora de verdade, e a voz que canta, apenas canta. E a revolução inglesa foi uma mentira. Tantas conclusões antecipadas que ninguém parou para perguntar porque os rebeldes lutavam. As mentiras nos mataram, e jogaram pás em nossas cabeças, gritando: Ande, moribundos, cavem suas covas.

    E nós cavamos.

    Porque, talvez, tudo se relacione com a renúncia do Papa mesmo. Porque, talvez, a Guerra mundial tenha explodido tudo e nossos ossos ainda estão por ai.

     E eu ouço mentiras sobre a quadrilha; Eles dizem que valorizam o homem do campo, mas vão derrubar o milho par construir prédios. E o milho? Ah, que o milho estoure e alimente nossas barrigas enquanto der. E o homem do campo? Ah, que ele morra de trabalhar em minha fábrica. E todos reconhecem as mentiras do passado. Criticam os índios por terem aceitado espelhos e ri de Hitler agora que ele está morto.

     Porque, talvez, uma velhinha bateu na porta do campo de concentração e levou biscoitos. Porque, talvez, o rei da Espanha parou o massacre e foi tomar um chá com os índios, enquanto discutiam os interesses, á medida que as indias lavavam os vestidos da rainha como se fosse uma honra.

    Uma mentira seria mais honrosa.

    Porque, talvez, a mentira bateu na porta, entrou e não quer mais sair. Porque, talvez, tudo seja verdade e eu não quero ver. E eu menti. Porque, talvez, eu goste de mentir vez ou outra. Contar que tudo é colorido, e rir de Hitler e dos índios, enquanto na verdade é preto e eu deveria chorar. Eu gostaria de rir das bombas, e fechar os olhos para não assistir que estamos caminhando para o mesmo fim. Eu gostaria de me juntar ao grupo dos hipócritas e rir de tudo, se isso doesse menos.

    Porque, talvez, Hitler sorriu antes de ligar a câmara de gás.

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