#2 Crônica A mulher da floresta

domingo, junho 09, 2013

Bom, vou tentar escrever uma crônica aqui agora no improviso, espero que saia algo que preste haha  Se não sair, não me culpem *u*

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          E existia uma mulher. Uma mulher ali naquela casa, ali no meio da floresta. Havia boatos de que ela era uma bruxa, ou apenas uma pessoa perdida da sociedade. Um pedaço de osso morto atirado no lixo por alguém que não foi capaz de compreende-la. Ou simplesmente, alguém que só quer ficar sozinha. 

          A mulher tinha um ritual; Acordava ás seis, faziam o café com aquilo que plantara no quintal, e ao meio dia saia para caçar. Não era uma rotina muito comum. Não para alguém que está acostumado com seu café industrializado, suas roupas de marca, e andar com um salto-agulha nos pés. A floresta parecia conversar com a mulher, ela podia ter certeza disso, a floresta parecia fazer parte dela. Todas aquelas árvores e troncos tombados e coelhos correndo para se esconder pareciam realmente á verdadeira sensação de estar viva, de ser humana. E talvez, as coisas, as pequenas coisas, não precisam ser vistas, apenas compreendidas e sentidas.

          Quando a noite caia, a mulher fazia uma fogueira, se encolhia ao lado dela, e apenas assistia as chamas dançarem em uma música individual. Não precisava fazer sentido para fazer feliz. E aqueles que a espiavam do outro lado da cidade, não entendiam que o fogo de verdade não é aquele que sai do fogão, por uma gás artificial, ou da ponta de um fósforo. O fogo de verdade só é fogo se estiver assim, em sua própria natureza, e não deslocado. A mulher se sentia assim quando vivia em um prédio. Deslocada, artificial, usada e depois simplesmente apagada. E quantas vezes todo o mundo já se sentiu assim? Mas os do outro lado da cidade não entendiam que era preciso mudar de lugar, para realmente mudar e achavam que era mais simples, ser fogo artificial. Mas eles de alguma forma entendiam que a Mulher da floresta sabia o que fazia, e não admitiam. De alguma forma, a mulher cansada do prédio dois, queria estar perdida na floresta também, e a criança vendo televisão na creche queria ver um coelho correndo de verdade, ao seu lado, e  o empresário caminhando duro pelo asfalto queria tirar aquela gravata sem graça e ser livre. 

          E o que todo mundo quer, no fundo, é ser livre. 

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