#6 Entre verbos - A chama

quinta-feira, agosto 22, 2013


November. | via Tumblr

     E existe uma vela acessa ao fundo do corredor escuro. A chama parece dançar, crepitando em seu interior, como algo que queima, mas não quer ser queimado. Ela parece querer fugir, presa em sua cina irritante de queimar tudo que vê. Porque algo a prende naquele fiapo de linha e ela não quer parar, não sabe como parar.  E isso nada se relaciona com o fiapo de linha queimada, nada menciona o escuro envolvente do fim do corredor. É só a chama. É apenas eu.

     Apenas eu queimando um fiapo, apenas eu queimando tudo que parece em minha frente. Apenas eu dançando envolta de mim mesma, ardendo. Porque o fogo deveria aquecer, porque o fogo deveria fazer apenas isso. Porque ele é quente e não deveria correr. Mas corrói. E queima. E arde.

     E eu sou aquilo que dilacera. Porque eu não sei desviar olhares, porque eu não sei fingir que eu não vi, quando na verdade está diante dos meus olhos, e eu não sei fechá-los subitamente. E muitas vezes eu quero fugir assim como a chama da vela, eu quero parar de queimar e parar de torturar tanto assim o fiapo. Porque, enfim, essa é a questão.

   O fiapo não tem culpa de ter um elo com a chama. Ele não tem culpa de me alimentar com tudo que possui, enquanto eu apenas absorvo sua essência. E ele não tem mais nada. Aparência abatida, completamente em cinzas, completamente absorto em seu sacrifício. E, Deus, o que a chama pode fazer? Como conter a proximidade mórbida e consumível, quando o máximo que queremos chegar é perto o bastante para sentir, perto o bastante para eliminar e queimar. E essa abstinência não passa, mas o fiapo de linha está se esgotando. Acero da vela que o constitui, que o mantém em pé, está derretendo. A chama está ali, consumindo estonteante o fiapo. Devorando-o, mastigando-o e digerindo-o.

     Porque a chama vê a luz que ela produz para o fiapo e se sente satisfeita. Não a culpo - não me culpo, - porque a chama está iluminando o escuro, e ela acha que isso é certo. Mas... A chama não existe sem o fiapo de linha prestes a se tornar cinzas. E quando ele acabar, eu acabo.

Texto original de minha autoria.
Não plagie, ou sequer copie fragmentos. 
Plágio é crime


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3 comentários

  1. Palavras muito bem encaixadas, muito profundo teu texto. Continue escrevendo.
    http://www.valeuapenaesperar.com/

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  2. adorei o texto,vc soube usar muito bem as palavras, seu blog é muito lindo...bjos sucesso

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  3. - Garota , tu escreve muito bem, invista nisso *-*

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