#7 Entre verbos: Olhos verdes

segunda-feira, setembro 09, 2013

deimos -

      Olhos castanhos que são verdes pálidos em alguma realidade paralela, enquanto eu vejo suas pupilas dilatadas, suaves, embora a expressão demonstre o contrário, á medida que se aproxima parcialmente, apenas parcialmente de mim. Lábios entre aberto captando alguma coisa, desejando alguma coisa, tão próximo que seria capaz de queimar qualquer um da mesma maneira com que me queima. Olhos verdes pálidos, claros, como o verde daquela tarde. Olhos que me veem, mas não me enxergam, olhos que fazem o contrário daquilo que deviam.

     Olhos inquietos que se movem súbitos, rígidos, e me procuram na multidão enquanto eu faço o mesmo do outro lado, procurando, olhando por todos os cantos, tentando manter a rigidez e a inquietude que seus olhos verdes possuem. E, céus, porque nossos olhares não se cruzam?

      Eu disse. Eles, na verdade, não são verdes, nada de cor de mel ou uma variação mais clara. São castanhos. Apenas sua própria e única variação de tom de castanho. Mas para mim, eu disse, eles são verdes. Verdes, suaves, tão claros  quanto qualquer outro verde água. Talvez porque eu goste de verde, e verde me acalma. Eu não estou tentando me explicar, apenas tentando te explicar e suas variações de verdes, castanhos e sorrisos. Porque seus olhos são verdes, e você cheira á verde, em algum lugar do mundo, em alguma outra forma de você.

       Sua risada ecoando por ai convicta de que chegará em meus ouvidos, convicto de que abrirá os meus olhos e eu realmente encontre aquilo que procuro. Procurando por mim, enquanto procuro você com os olhos vendados. E eu torço, torço para que você não perceba, para que não note com seu olhos verdes que eu já não enxergo mai nada, que já não sei mais aonde procurar. Cair, porque cair já não importa mais, continuar sem seu olhos verdes, suplicando por auxilio e aquela voz que me liga á nove e trinta e cinco procurando ajuda, sussurrando alguma frase que comece com meu nome, é o que importa.

       Uma música. Eu só precisava de uma música. Eu só precisava de cantar, ouvir ou ao menos balbuciar alguma palavra. E você, olhos verdes, você pediu uma música, e disse: "Vai, canta alguma coisa." e eu cantei. Mas, você não precisava de música, ou de minha voz, ou de alguma palavra minha. Porque eu sou tão vazia quanto você. Estou tão necessitada de alguma palavra quanto qualquer outro. E olhos verdes, sorria para mim. Um sorriso seu pode cantar, e eu poderei enxergar novamente. Enxergar e arrancar as vendas que tampam os meus olhos.

      Uma pergunta, olhos verdes, os meus olhos, parcialmente escuros, tem que variação de cor para você?

Texto original de minha autoria.
Não plagie, ou sequer copie fragmentos. 
Plágio é crime

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4 comentários

  1. ai eu amo olhos verde, porem não acharia que ficava bonito em mim. boa postagem (y)

    www.karlagisella.com.br

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  2. Queria ter olhos verdes, mas como não tenho fico com os meus (que também acho lindos)!
    Amei o texto, ficou lindo!
    P.S:Conheci seu blog através do da Laysa (hey é a laysa) e já estou apaixonada <3

    MEU CAPRICHO

    Beijinhos

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  3. Tem TAG pra vc no Menina Liélula!

    ADORARIIIA ver sua lista de livros favoritos!
    Beiiijos!

    http://meninalibelula.blogspot.com.br/2013/09/respondendo-tag-10-livros-favoritos.html

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  4. Que texto bem escrito! To fascinada!
    Recentemente umas alunas estão me pedindo dicas pra escrever redação, pra um concurso! Vou indicar algumas lista de blogs que postam algumas composições.. vou citar o seu!!

    Beijos!

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