#12 Entre verbos - A chuva

sexta-feira, outubro 04, 2013

Alívio Imediato

         Isso é bom. Digo, essa coisa de andar na chuva. Eu gosto da sensação de abrir o guarda-chuva, ou sentir a falta dele em meus dedos. Eu gosto dos respingos que caem em minha bochecha, e daquela sensação da água entrando dentro dos meus sapatos escuros. E o vento. O vento tentando resfriar toda a minha pele, enquanto a água foi incapaz de fazer isso em certa hora.

          Eu gosto da sensação de andar sem rumo, apesar de ter um lugar para ir. Mas, no meio do caminho, me perder. Me perder, ou pelo menos fingir que me perdi e depois voltar para o caminho original. Eu gosto de andar no escuro. E de olhar para os lados desconfiada. E segurar mais firme o cabo do meu guarda-chuva quando alguém aparece, e esconder o meu rosto com o pano. E depois, fingir que eu sei aonde ir. E eu sei. Porque quando fingimos, nós sabemos que aquilo que é a verdade. Aquilo sempre foi a verdade, e nós apenas a escondemos dentro de uma farsa elaborada.

        Aquela sensação infinita de estar prestes a cair. Eu gosto dela. Eu gosto dos meus sapatos molhados, e a possibilidade de eu escorregar, embora eu me mantenha cautelosa. E aqueles passos, aqueles passos parecem nunca diminuir o ritmo. E, céus, porque você não os diminui? É simples, eu lhe mostro. Eu lhe mostro com toda a calma do mundo, e você apenas precisa me ouvir alguns segundos. Isso, apenas pare e me ouça. Você percebe? Consegue ver nos meus olhos que eu fingi de novo? Que eu não queria te ensinar nada, apenas que você olhasse? Porque essa era a verdade.

      Eu gosto daqueles passos escuros, repentinos e acelerados. Eu gosto de não saber porque tanta presa. Eu gosto de conseguir saber o que passa em sua cabeça, mas, sobretudo não saber de nada. Porque é isso. Digo, a chuva. Você se esquece que os seus pés vão se molhar, ou o seu rosto, ou o seu cabelo esvoaçando pelo vento em todas as direção. Você simplesmente esquece que não tem comida pronta em casa, e que tem um enorme trabalho de geometria para fazer; E você esquece até de fechar a blusa, e esquece que está ventando. E você esquece como se fala um "sim", ou como que se fala qualquer outra coisa. Esquece também que a chuva pode queimar. Porque é melhor quente, certo? E nada mais importa. Porque, eu tenho que segurar um guarda-chuva para me proteger, segurá-lo firme, com ambas as mãos. E eu esqueço de tudo, porque... Você é a minha chuva. 

                                                           
                                                      Confira os meus outros textos,
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2 comentários

  1. Mas um texto perfeito! sem querer ser chata Ya, pode me dizer quando vai sair o resultado do top comentarista? beijos

    www.karlagisella.com.br

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  2. Que texto perfeito *0* acho que já falei no post que você escreve bem né? Pois é. rs parabéns http://sabrinafeli.blogspot.com/

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