#19 Entre verbos - O "fim" de nós

quarta-feira, outubro 30, 2013

Untitled | via Tumblr

       Nada de nós mais. Nada de chuva. Apenas segurar a mão do vento novamente e seguir em frente da melhor maneira que conseguirmos. E porque fizemos isso? - eu sei, doía em você, machucava em mim, matava algumas pessoas - mas, na verdade, essa não era nossa vontade. Você não queria, apesar de dizer "ah, é melhor assim", e eu acabei confirmando com as últimas poucas palavras que me restaram. Na verdade, não restava nada. Nem nós nos restávamos. Nem a chuva, nem todas as outras coisas que nós inventamos. Mas no fundo, nós sabemos que apenas escondemos elas, não foi? Eu na minha caixa de desenhos, e você na sua playlist e na sua pasta preta.

      E, ei, não precisa me abraçar assim. Como se quisesse muito dizer alguma coisa com esse abraço e torcendo para que eu perceba aquilo que você não consegue dizer. Não precisa me abraçar dessa maneira para eu perceber o que se passa dentro da sua cabeça. Eu já te disse uma vez, seus olhos não mentem. Eles brilham ao olhar para mim, e você sabe que mesmo fingindo não olhar, você olha. Você olha quando passa despercebido, quando olha para frente fingindo assistir alguma coisa e quando me dá as costas. Eu sei, conheço seu medo, conheço suas dúvidas, porque eu tenho exatamente as mesmas.

       Mas, não deixa de me abraçar. Pode abraçar de qualquer jeito. Com essa vontade de dizer alguma coisa, com essa coisa estranha de não querer me soltar mais, com esses olhos que não conseguem deixar de me olhar. Pode encostar sua cabeça, e deixa-la ali o tempo que você quiser. Não precisa dizer nada, na maior parte do tempo, nunca precisou mesmo.

         E esse é o "fim" de nós... Perceba as aspas. As reticências. E eu colocaria alguns parenteses para simbolizar o seu sorriso. Apenas "fim" assim, temporário, como um livro que sequer começou. Que algum escritor rabiscou algumas palavras e deixou em aberto o livro e as ideias para um momento melhor. Eu disse que mesmo que isso acontecesse - perceba que eu não prometi, apenas disse - que mesmo que esse fim acontecesse, minha cabeça estaria sempre com você. A sua estaria. A minha estaria. E nós ficaríamos bem independente do lugar, tempo e qualquer outra pessoa que estivesse ao nosso lado. Porque subtraia o dia dos nossos aniversários, e inverta o último número, e está aí o dia. Nunca se esqueça dele, e das coisas que você, estranhamente sentiu. Você disse que não mentiu, nem eu. Então, só não esqueça esse dia.



                                                            
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