#21 Entre Verbos - Aquilo que me lembra você

segunda-feira, novembro 11, 2013

dentro da menina, ela ainda dança.

Parenteses me lembra você. Não tem como colocar aquela pontuação, sem lembrar que ele te compõe. Aquilo que você esconde, aquilo que você deixa para depois, aquele seu sorriso mundano. Meu piano me lembra você, e aquelas músicas sujas que eu escrevi. Porque eu me arrependo delas, de todos os textos, daquilo que eu disse e por ter me rendido. Na verdade, eu não me arrependo, mas você me entende. Eu estava me rendendo, você sabe, eu estava no caminho. No caminho em linha reta, hora com alguns desvios, mas eu caminhava em sua direção e não parava de andar.

Coçar o nariz me lembra você. Aquele gesto sem nexo, sem sentido, assim como nossas ações. Porque eu coço o nariz e olho ao redor; Você não viu, você não retribuiu, fingiu não ver. Fingiu não olhar para frente, de maneira rígida. Fingiu desviar a cabeça para mostrar que realmente não viu. Fingiu estralar os dedos para conter a vontade de olhar. Francês me lembra você. Céus, como não lembrar? Aquele idioma estralando na garganta, o sotaque e aquela lembrança de você me perguntando se eu falava francês não sai da minha cabeça, ou da pele, ou das bochechas. E elas me lembram você. A forma como você as apertava, cutucava e dizia sorrindo que elas são - eram - fofas, macias. Eu as olho no espelho. Pálidas, agora, cintilando em amarelo e aparentemente inchadas. Eu toco elas com meu dedo. Nada.

Carpe Diem me lembra você. Aproveite o momento, baby, você dizia sorrindo, olhos brilhantes, recolocando seus fones de ouvido devagar o suficiente para me olhar no fundo dos olhos. Eu aproveitei, e aí? O que me resta agora? Nenhum aproveitar, nenhum momento, nenhum vestígio de que aquilo - você - existiu. Porque eu apaguei as provas, as notas, só as memórias se mantiveram. Aqui, eu acho, apenas em mim e em uma caixa onde eu guardei aqueles papéis, que eu não tenho coragem de abrir.

Aquela banda que eu achei e amava - amo - me lembra você também. Porque fez sentido, as palavras, os sonhos, aquela sensação da chuva sempre ao meu lado. Agora tudo que me resta é meu nome, aniversário, idade, sílabas, que me lembram imediatamente você. Porque meu nome lembra o seu. O aniversário, o que eu poderia dizer dele ou do mês? Eu respiro fundo. Nada.

E sobretudo, a chuva me lembra você. Uma mulher bem arrumada, de olhos e cabelos claros, aponta para um mapa. "Vai ter chuva na região metropolitana de Minas Gerais" - é o que ela diz. Olhei o tempo, olhei o coração. É, moça, não vai, não mais.
      

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