Mini-web: Cate e Adam #1

domingo, dezembro 15, 2013



      Depois de ter postado ontem uma pequena amostra da minha nova criação para vocês, eu recebi um retorno imediato e fiquei muito feliz; Muito obrigada mesmo pelo carinho e por terem pedido mais. Então, atendendo a esses pedidos fofos, eu trouxe mais um pedacinho da história que nem eu sei o que vai acontecer ainda. (Eu mudei a postagem anterior para introdução, e essa então quer será o primeiro capítulo, okay?)

 
Capítulo I

      Cate despertou com a bochecha colada em cima do colchão frio e duro; O travesseiro azul-turquesa que deveria estar ali está jogado no chão em um lugar, que nesse momento, ela não consegue localizar, assim como o despertador que não para de resmungar uma música irritante - a mesma durante cinco anos. Ela, enfim, consegue localizar o despertador e, em um movimento bruto, o faz se calar por completo. "Que ele tenha quebrado" - ela sussurra para si mesma.

    Seu corpo se levanta involuntariamente, pisando em cima do travesseiro invés do chão frio. Cate sacode os cabelos, e os penteia com os dedos, tentando manter em ordem os fios. Ela ignora por completo seu exemplar de Momentos do pôr-do-sol e o pequeno bilhete, agora amassado, ao lado do livro. 

       O cronograma do dia já estava feito; Ir para aquela velha livraria que corta a rua principal, e procurar algum livro que lhe chamasse a atenção. Cate gosta disso. Dessa coisa coisa de ir naquele lugar cheio de livros cobertos por poeira e tentar achar algo novo, que ninguém conhece. Foi assim com Momentos do pôr-do-sol; Ele estava encolhido debaixo da gaveta de livros de romance de 1990, com um pequeno animal que se encolhe na chuva. E ela o capturou, e o adotou, não como um livro, mas como o próprio animal.

     O livro tem uma história simples. Uma garota que por algum motivo sobe a montanha em frente a sua casa apenas para ver a vista do pôr-do-sol. Bom. É isso que o livro fez Cate pensar o tempo todo. Mas no final, a grande revelação é que o que a garota admirava não era exatamente o pôr-do-sol, e sim o garoto, no fim da aldeia, que fechava a padaria da família exatamente naquele horário. E a montanha era o única lugar que ela poderia ver a cena com tranquilidade.  

     Cate já tentou explicar para si mesma milhares de vezes, porque, afinal, ela leu aquele livro nove vezes. Ela diz que algo ali é mágico, e que apenas a forma como aquelas palavras foram escritas já seriam o suficiente para fazê-la se apaixonar por aquela obra. E tem mais uma pequena coisa, uma coisa que Cate não coloca dentro dos seus argumentos: Aquele exemplar, aquele que está em cima da sua escrivaninha, é o único que existe. 

     Ela escolheu prender os cabelos em um coque e vestir uma calça e uma camiseta cinza. Alguns poucos minutos bastaram para que ela chegasse até a velha livraria, abrisse a porta e o pequeno sino no topo revelasse sua chegada. A mulher de óculos redondos atrás do balcão levantou os olhos e cumprimentou Cate com um sorriso, que lhe foi retribuído da melhor maneira possível. Cate entrou por entre os corredores feitos pelas prateleiras de livros, conhecendo cada um deles. Enfim, chegou ao fundo da loja; O local onde estão os livros mais velhos e empoeirados. Cate se inclina, ficando na ponta dos pés, enquanto tenta ler o nome dos títulos do topo da prateleira em sua frente. Um pequeno título chama a sua atenção, e ela o puxa, trazendo para o chão toda a fileira de livros. O barulho dos livros caindo é grande, e como se não bastasse, o eco se propaga por toda a loja. Ah, e desajeitada - Ele diria complementando sua frase que começaria com "distraída."


     Alguém ri um riso abafado ao seu lado, ao ver Cate tentando reunir os livros. Ela levanta a cabeça e encontra a origem. Ele está segurando uma pilha de livros, e sua cabeça está escondida ali atrás. Mas Cate é capaz de ver seu sorriso e ouvir sua voz. 

    - Você precisa de ajuda? - ele pergunta em um tom de ironia doce que ecoa entre os dois. Cate revira os olhos quando ele lhe da as costas para colocar as pilhas de livros dentro de uma caixa. Ele retorna, ficando diante de Cate. Os olhos esverdeados cravados nela, e os cabelos negros, em contraste com a pele, estão revirados, como ele sempre fica depois de acordar. Cate não sabe, não teria como ela saber.

    Ele se abaixa,capturando os três livros que faltavam, e coloca na pilha que Cate formara. 

   - Eu só não sabia qual escolher... - ela sussurra baixo, tentando despistar talvez o seu ato, ou talvez as suas bochechas coradas. Ou ambos.

    - E a melhor ideia foi jogar todos no chão para ver melhor as capas, eu entendo. - Ele diz segurando um riso como se dissesse algo que realmente fosse sério. Como se comentasse algo como "pobreza nas ruas, eu entendo." Ela olha para ele. Como ele poderia zombar dela assim?

    - Ver as capas não. Apenas um jogo, o que caísse primeiro eu levaria. - Ela responde revirando os olhos. Ele sorri. Os olhos verdes incapazes de se mover. 

    - E qual foi o primeiro? - ele pergunta definitivamente interessado. Afinal, o que ela poderia responder agora? Escolher algum livro aleatório ou dizer que não teria como saber, porque mais de um caiu no chão primeiro, ou, ele impediu que ela visse qual que foi.

      Ela ergue os olhos e aponta para a prateleira em cima da sua cabeça. 

     - Eu acho que quando você faz algo que joga algumas coisas no chão, nós devemos observar aquelas que não caíram. 

      Ele levanta os olhos e encontra o único livro da prateleira que se manteve intacto com o movimento. Não, não era aquele que Cate se interessou primeiramente. Esse que ela ia pegar, caiu no chão quando ela se assustou. Cate se levanta do chão, e segura o livro que não caiu em seus dedos. Ela o abre, toca suavemente as primeiras letras e percebe que aquele é o livro. Parece intocável, e profundamente velho. Ela olha para o lado com um sorriso, mas ele não está lá mais, ele desaparecera. Mas, em cima da pilha de livros que Cate formara com aqueles que caíram no chão tem um segundo bilhete com a mesma caligrafia do bilhete do dia anterior. 

      Ela lê silenciosamente. "E quando eu não sei o que fazer, eu subo a montanha. É a única maneira de ver você." - é o que o bilhete diz. Ela sobe os olhos e se permite sentar no chão. Primeiro ele havia descoberto seu nome, e agora a continuação do trecho de Momentos do pôr-do-sol que ela tinha dito sobre o livro que não caiu. 

   Porque o trecho do livro é claro; A aldeia da menina havia pegado fogo. Tudo era ruína, e ela, a única  sobrevivente. Ela subiu a montanha. Ela disse: "Eu acho que quando você faz algo que joga algumas coisas no chão, nós devemos observar aquelas que não caíram. Eu vejo a fumaça subindo pelo céu em aspirais, e seria belo, se não tivesse queimado a minha casa. Quando eu vejo tudo isso, eu não sei o que fazer. E quando eu não sei o que fazer, subo a montanha. É a única maneira de ver você. Você não está lá. Mas eu vejo você." Cate olha ao redor mais um vez procurando por ele. Como ele sabia, seu nome e a história?

Fim do capitulo I

Trecho da postagem 
"Então vamos viver,
e um dia a gente se encontra."
- Charlie Brown Jr. 

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10 comentários

  1. Estou amando a mini-web, sério, você escreve muito bem *--*

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  2. estou adorando a mini-web, não sei como você consegue, mas você escreve muito bem, adoro ler, principalmente romances, e essa história .... nossa muito perfeita s2 '

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    1. awn, obrigada por estar gostado da história, prometo continuar nesse ritmo. ♥ ♥

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  3. nossa você escreve super bem, eu estou adorando a mini-web ... e a sua história está divina *-*

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  4. Nossa! Você também escreve? Eu tbm escrevo, mas não num blog, tenho alguns cadernos e neles escrevo histórias, já tenho umas cinco escritas que só minha BFF leem. Mas vc escreve tão bonito, um dia ainda vou virar uma escritora! Continue com o blog ^^

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Querida Yara eu acabei de ler o 1° capítulo e simplesmente adorei, queria dizer que também estou escrevendo um romance!
    Você escreve muito bem, e a história é bem interessante!

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  7. Querida Yara eu acabei de ler o 1° capítulo e simplesmente adorei, queria dizer que também estou escrevendo um romance!
    Você escreve muito bem, e a história é bem interessante!

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  8. vse parece uma escritora profissional!! cm naum te acharam ainda

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  9. Oi linda,vim aqui te falar e com toda educação te dizer que estou copiando sua história "Fic".
    Sim,estou deixando os seus créditos no meu blog e estou colocando a sua história.
    Você escreve muito bem <3 Caso queria visitar é só vir aqui: http://naascemosparabrilhar.blogspot.com.br/

    BJ <3

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