Cate e Adam: Capítulo VI

sábado, março 08, 2014

READY FOR ABDUCTION | via Tumblr

   Dessa vez eu postei rápido demais e nem dei tempo para vocês respirarem *u* Eu tenho que regular essas postagens da mini-web logo se não vou acabar ficando louca e deixando vocês loucos também. Mas, enfim... Eu estou muito feliz com o retorno de vocês em relação a web e queria dizer que estou amando escrever para vocês e deixando vocês sempre surpresos ♥ Os comentários de vocês me deixam muito feliz.

      Ah, e eu pensei em uma coisa, e pedi a opinião da Heloise, que adora a web também, e ela adorou a ideia, espero que vocês gostem também. Então, a ideia: Cada postagem, ou seja cada capítulo, será narrado com um personagem diferente, uma hora Adam, e outra hora a Cate. Então, hoje é dia da Cate narrar para a gente. Aproveitem ♥

Capítulo VI
Sob a perspectiva de Cate

      E eu fiquei. Você sabe que eu fiquei; Como não ficar? Mas Adam não quis me mostrar sua casa. Então, você pergunta, aonde é que eu fiquei? Bom... Eu fiquei com Adam, mas sobretudo, nele. No peito dele, entre os pulmões, e eu aceitei. Aceitei ficar. Nós dormimos aqui, no terraço da livraria, olhando as estrelas e conversando sobre os nossos livros preferidos; Coincidentemente, a maioria deles eram os mesmo, mas nós discordamos apenas em uma parte: Ele disse que Machado de Assis não sabe o que está dizendo em Memórias póstumas, enquanto eu, entendo perfeitamente o que ele quis dizer. E assim ficamos a noite toda. Deitados naquele chão que eu sequer me importei de estar sujo, coberta pela blusa de frio de Adam, enquanto discutíamos o quanto Machado de Assis era irracional ou não.

      Mas, então, eu acabei pegando no sono. E quando abri os meus olhos, ele não estava mais lá. Não está mais aqui ao meu lado. A blusa de frio jogada em cima do meu corpo é uma prova de que isso foi real, mas a presença dele  não existe mais. Aonde é que Adam foi? Eu levanto o meu corpo, e o procuro com os meus olhos. O sol está nascendo sobre as colinas em minha frente, e é tudo tão bonito, mas eu não consigo pensar direito. E bom... A livraria já deve estar aberta. Como é que eu vou descer as escadas sem ser vista? Como eu vou sair daqui? Eu sinto um pouco de raiva. Mas me controlo. Respiro fundo. Conto até dez. Mas funciona? Não, não funciona. Aonde. Adam. Está?

      - Ah, você acordou. - Eu ouço a voz dele ecoar dentro de mim, e olho para trás, encontrando o corpo dele sentando em cima de uma caixa de madeira vazia daquelas onde se guardam frutas. Ele está com um cigarro entre os dedos, e eu olho para ele. Encarando o fumaça subindo em aspirais.

      - Você fuma? - Eu pergunto incrédula, me levantando do chão, mas ainda mantendo certa distância entre nós dois. Ele solta um riso gracioso. Não posso sorrir de volta, não posso. Continuo encarando ele apesar da minha vontade de sorrir para aquele sorriso de volta ser mais forte do que eu mesma.

       - As pessoas tem seus vícios, Cate. - Ele diz levando o cigarro até a boca. O cabelo de Adam está revirado. Os pequenos cachos comprimidos estão avoaçados e os olhos verdes dele estão vívidos e passando pelo meu corpo. Eu puxo o meu cabelo para mim, e o ajeito. - O seu é ler,  o meu é fumar e o que podemos fazer? - Ele pisca para mim em cumplicidade, mas eu reviro os meus olhos para ele.

      - Ler não vai me matar. Diferente de fumar. - Eu digo pegando a blusa de frio dele, embolando-a e jogando-a para ele. Eu me aproximo alguns passos ignorando aquele cheiro de fumaça.

       - Pois é, eu não tive tanta sorte com o meu vício. - Ele justifica sorrindo, sugando o cigarro outra vez e jogando a fumaça para longe de mim. Mas, o vento traz aquele cheiro até o meu nariz, e eu o aspiro sem querer.

        - Eu posso ir embora? - Eu pergunto nervosa.

        - Se você conseguir. - Ele gargalha de uma maneira provocante. O seu cigarro acaba, e ele joga o resto no chão, apagando com a ponta de seu tênis. Ele enfia a mão no bolso e pega mais um cigarro, junto com o isqueiro.

          Eu bufo; Sim, ele tem razão. Eu não sei como sair daqui. E a caixa de madeira onde ele está sentado está em cima da pequena porta no chão que nos trouxe até aqui. O que Adam quer?

          - Quantos você fuma por dia?

          - Só dois. - Ele olha para o chão. - Um pela minha mãe e um por meu pai.

         Eu assisto ele acender seu cigarro com maestria, e enfia-lo na boca de um modo doce demais para quem fuma. Como se no fundo, aquilo fosse gracioso demais, um ato nobre, ou como se ele quisesse afastar aquele cigarro. Talvez, os dois ao mesmo tempo. Não querer fumar, mas como já está fazendo, prefere fazer da maneira mais honrosa possível.

         - Você não gosta de fumar... - Eu afirmo percebendo isso nos olhos dele.

         - E você não gosta de se refugiar em histórias que não são suas e que você nunca vai ter. - Ele me ataca de volta olhando para o sol nascendo. Eu sinto isso me atingir por dentro; Porque ele tem razão. Eu leio, mas eu me refugio naquelas histórias, porque é tudo de bonito que eu vou ter no meu dia. Mas, eu odeio o fato daquilo tudo não ser real, daqueles amigos serem imaginários, daquelas palavras serem apenas palavras e aquelas frases não terem nenhuma outra voz a não ser a minha. Mas eu me contenho, ele não pode saber como eu me sinto. Não quero que ele saiba que ele tenho razão.

        - E você estuda psicologia para poder afirmar algo assim sobre mim? - Eu encaro ele, puxando uma caixa de madeira para mim também, e sentando de frente para ele, cerca de alguns metros de distância. Ele está com o cigarro entre os lábios outra vez.

          - Na verdade, sim. E na verdade, não. - Ele diz. - Eu já estudei. Faltava um período para terminar, mas... Eu abandonei tudo. - Ele diz com o cigarro parado no canto da boca, o que fez a sua voz ficar um pouco abafada. Ele guarda a caixa de cigarros, e o isqueiro outra vez no bolso. - Mas nós nunca esquecemos como analisar as pessoas.

           - Mas não é verdade. - Eu ouço a minha voz ousando dizer essa frase. Por favor, cale a boca, Cate, apenas peça para ir embora daqui. Eu ordeno para mim mesma.

            - Não? - Ele levanta os olhos, junto com uma das sobrancelhas. - Você lê apenas romances e seus livros preferidos são aqueles em que o personagem principal perdeu os pais, e você ousa dizer que não é verdade? - Ele sorri.

            - Tá, tudo bem, Adam. Você tem razão.

            - O que? Eu não ouvi direito. - Ele zomba comprimindo um sorriso entre o cigarro.

            - Eu não vou repetir. - Eu cruzo os braços e finjo uma cara brava para ele. Ele se levanta da caixa de madeira, jogando o cigarro ainda inteiro no chão, e se aproxima de mim. Ele me segura na ponta do queixo e levanta a minha cabeça, me fazendo olhar nos olhos dele.

            Ele me dá um pequeno beijo, e a boca dele tem gosto de cigarro. Mas, eu não me importo com isso; Não agora. Porque eu entendo ele. Talvez a minha boca também tenha um gosto ruim; O gosto das palavras que eu nunca disse, ou o gosto das perdas que eu senti. E ele não está reclamando, está? Não, não está. Ele aceita os meus vícios e minhas dúvidas. Como eu não poderia aceitar as dele?

             - E isso, você quer repetir? - Ele se afasta, e me dá um beijo na testa.

              - Hm... Talvez. - Eu sussurro mexendo o meu nariz.

              Adam sorri, e se afasta outra vez, pisando no cigarro acesso ainda inteiro que ele jogou no chão. E nesse momento eu percebo o que ele acaba de fazer. Ele acaba de largar para trás metade de seu vício. Pelo menos por hoje, pelo menos metade. Um meio-termo, um equilíbrio. Eu sorrio para ele apesar dele não conseguir me ver. Eu sorrio, porque eu percebo que eu fiz a mesma coisa. Eu larguei meu vício pela metade. Eu não estou me refugiando em um livro mais. Eu estou me refugiando em Adam. E ele entende isso. Eu não quero ir embora. Não quero que ele vá também.

            - Como vamos sair daqui? - Eu sussurro curiosa.

            - Só a noite, Cate. - Ele sussurra como se me contasse um segredo, mas acaba soltando uma risada. - Não tem problema elas nos verem. - Ele diz me olhando nos olhos.

            - Mas isso... Não é ilegal? Nós invadimos aqui... - Eu digo olhando ao redor.

            Adam solta um riso e pega a minha mão, apertando-a por um breve segundo, e em seguida a solta como se não tivesse feito completamente nada.

            - Para as outras pessoas, sim. Para mim, não. - Ele diz sorrindo e afasta a caixa de madeira, com o pé, e com os mãos puxa a porta para cima. A escada de mão está ali, e o cheiro de poeira da livraria nos atinge, e as partículas são visíveis pela luz do sol que entra para o corredor. Adam, pula ignorando a escada. E ele me ajuda a descer, me segurando.

           - Porque? - Eu pergunto, enquanto ele fecha a porta do terraço. Eu percebo que ninguém está por perto. Adam não responde. Continua fazendo seu movimento de fechar a porta, e a ajeita demais, como se estivesse me enrolando. Eu conheço ele a tão pouco tempo, mas ele não consegue me enganar. - Adam, porque não é proibido para você?

             Mas ele não responde. Ele apenas se vira em minha direção. Apenas olha nos meus olhos, e faz um sinal para que eu faça silêncio, levando o dedo em seus lábios; Ele pede silêncio, e eu faço silêncio. Seus olhos estão brilhando como se ele fosse me mostrar um segredo, e ele vai.

Fim do capítulo VI
         



         

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6 comentários

  1. Ai Yaa *w* ta muito lindo e surpreendente :3 a web ta perfeita e você fica me deixando curiosa! To amando muito é sério, to morrendo de curiosidade pfv posta mais logooooo <3

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  2. aahh Ya ... isso não é justo , terminar na melhor parte :3 to super curiosa pra ver mais ! demora pra postar não viu *u*

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  3. Linda, comecei a ler ontem e já estou apaixonada *o* Parabéns

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  4. Acabei de ler desde o começo e to apaixonada ... To muito curiosa para saber a sequência!!

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  5. *---* Lindo o seu trabalho , ta de parabéns .. eu realmente xonei nesse "imagine" .. Tô curiosa pra saber o próximo capítulo

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  6. Quais foram suas inspirações para escrever esta Web? Tipo livros, autores, personagens. Espero que ainda dê tempo de responder minha pergunta.

    Ass.: L. I.

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