Capítulo IX: Cate e Adam

terça-feira, abril 22, 2014

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É, eu não consegui esperar *w* Como eu disse, Cate e Adam é um vício para mim, e eu não vejo a hora de me encontrar com esses dois. Fico pensando em como escrever, em como narrar, fico procurando músicas para a trilha sonora e algo para me inspirar. Ontem eu encontrei uma música e comecei a viajar nela, imaginando o Adam narrando, então... Simplesmente não pude esperar kkk Bom, o presentinho que estou montando para vocês - O perguntas & respostas sobre Cate e Adam - ainda está de pé e eu já tenho algumas perguntas. Mas, quem quiser participar é só me mandar perguntas por comentário (qualquer coisa que você queira saber sobre a Web ou sobre o processo de escrita dela)  que eu vou responder tudo em um vídeo  *u* A música desse capítulo é Sarah Jaffe - Pretender e Sarah Jaffe - Clementine, nessa ordem kkk (Ah, e vale a pena ler a letra, porque combina com o que escrevi)

Capítulo IX
Sob a perspectiva de Adam

      E ela não disse para vocês, não foi? Cate nunca diz. Ela sempre esconde a melhor parte de si mesma, a parte mais desprezível, e só mostra aquilo que ela quer. Mas, eu sei tudo dela. Cada pedaço, cada coisa pequena que ela pensa. Se ela sabe que eu sei? Eu não sei. Não teria como ela saber, na verdade. Eu tiro o cigarro da minha boca para beber o meu uísque barato. É amargo. Mas eu não me importo. Tudo tem sido tão amargo quanto. Eu termino de beber a garrafa e a jogo no canto do beco. Ela se quebra em milhões de pedaços, gerando um grande barulho que ecoa. Eu não me importo também. Nada importa. Eu coloco o cigarro em minha boca outra vez e o sugo. A fumaça enche os meus pulmões. Mas... Voltando a Cate. Ela deve ter dito o pior de mim como ela sempre faz. E em metáforas. Ela adora metáforas. Isso é uma forma doce enjoativa de desprezar alguém, e ela sabe disso, e adora. Mas, a verdade é que ela tem dupla personalidade. Por isso ela, de repente, explodiu quando viu o meu outro lado. Ótimo, um cara bipolar e uma mulher com dupla personalidade. O que eu poderia esperar disso, afinal?

          - Adam! Venha! - Ela me chama com aquela voz ecoando pelo beco tão irritante quando o barulho da garrafa quebrando, enquanto vem em minha direção e passa os braços ao redor do meu pescoço. Eu olho para ela. Ela é bonita. Tem a mesma cor de olhos de Cate. Caramba. Pare de pensar nessa garota. Ela retira o cigarro da minha boca, e me beija. Ela tem gosto de cerveja. E eu sequer sei seu nome. Ela se afasta de mim, e eu encaro os olhos. Não consigo olhar para eles por muito tempo, lembrar dela me irrita, faz algo estranho voltar para o meu peito. Eu miro, então, entre os olhos dela.

             - E se eu, - Eu pego o meu cigarro de volta dos dedos dela. - simplesmente, não quiser ir? - Eu sorrio maliciosamente para ela. E ela me encara, fingindo não se importar .

             - Então simplesmente não vá. - ela retribui o sorriso malicioso. Eu gosto dessa garota. Ela tem aquela curiosidade que Cate possui, aquele desejo de desafiar, de provocar... Mas ela não é Cate. Eu reviro os meus olhos para os meus pensamentos deprimentes e para a garota.

                 Eu a puxo beijando-a outra vez, dando-lhe as costas e me afastando. Eu só quero ficar sozinho hoje a noite, entende? Sem ninguém para dizer o que eu devo ou não fazer. Eu paro no bar, comprando com as minhas últimas moedas, mais um uísque e caminho para a rua. Eu já bebi duas garrafas, e já fumei metade dos cigarros, e meus pensamentos continuam a mesma merda. Cate, Cate, Cate. Quando é que eu vou esquecer essa menina? O cigarro que está em minha boca acabou e eu acendo mais um. Minha boca fica seca em cada sugada, e eu tenho que umedece-las constantemente com o uísque.

          Eu paro em frente a velha livraria. A minha casa. Eu vou até a porta dos fundo e a forço; Ela sempre abre na terceira tentativa, mas já estou na quinta e nada. Na sexta, e nada. Tudo está girando, e meu corpo parece mole demais. Até a fumaça do cigarro parece engraçada e sem sentido. Eu trago o cigarro com força, e isso faz a minha cabeça e os meus olhos doerem. Eu, em uma última tentativa, chuto a porta com força, e ela enfim abre. Eu ajeito a minha luva e a minha touca, a medida com que a fumaça e a neblina se misturam fora dos meus lábios. Eu entro na livraria sem acender as luzes. Eu já me acostumei com cada canto dessa livraria, e bom, acender as luzes só me entregaria. Os vizinhos não podem saber que eu durmo aqui todas noites.

          Eu enfio o meu braço dentro da prateleira de livros infantis - a prateleira que ninguém mexe a anos - e retiro dali de dentro a minha coberta fina e suja. Pego alguns livros grossos, e os abro para que as folhas me sirvam como travesseiro. Em um movimento devagar, me acomodo no chão, na minha cama improvisada, e me cubro com a coberta que é quase o mesmo que nada.

          Isso é tudo que eu sou. Um escritor de merda falido. Porque eu gastei todo o meu dinheiro, tudo que eu tinha, para publicar aquele Momentos do pôr-do-sol, gastei tudo que eu sou naquele livro. Ele é a representação física da minha desgraça, da minha ruína. E Cate simplesmente ama aquele livro. Como ela consegue amar a coisa que eu mais odeio? Isso faz com que parte de mim odeie ela também. Como se ela fosse culpada, apesar de no fundo eu saber que ela não tem culpa nenhuma. A minha cabeça dói pelos travesseiros de mentira, e eu contenho que o meu corpo não trema de frio. Eu bebo mais um gole do uísque para me esquentar, e abraço a garrafa. Eu tinha uma casa, um lugar para dormir toda noite. Só que tudo pegou fogo misteriosamente. Queimou todos os meus exemplares de Momentos do pôr-do-sol, queimou o único lugar que eu tinha. Eu fui obrigado a viver na rua. Meus pais, mortos. A herança, toda depositada na esperança de ser um escritor. E os livros que seriam  enviados para as livrarias na semana seguinte, todos se tornaram cinzas. Exceto dois. Um que eu havia esquecido no carro. E o outro, que eu havia doado para essa livraria velha. O livro que Cate comprou. O livro que Cate tanto ama.

         Eu amava esse lugar. Esse cheiro de coisa velha, essas coisas antigas me admirava... Mas agora eu não aguento mais ver tudo isso. Como é que Cate iria gostar de mim se soubesse da verdade? Eu invado todas as noites esse lugar apenas para dormir. Não é ilegal. Heloíse - Sim, seu verdadeiro nome é esse, e não Laura como ela pensa se chamar ás vezes - deixou que eu dormisse aqui de graça. Tudo que eu preciso fazer é organizar os livros para ela, porque ela não consegue mais subir as escadas. E ela não sabe que eu me chamo Adam. Ela não me deixaria ficar se soubesse que o meu nome é esse. Para ela: Edward. É uma forma, também, de ninguém me encontrar caso estiver me procurando. As minhas roupas ficam escondidas em uma bolsa que fica na sala dos fundos, e eu tomo banho nas madrugadas. Um, para que os vizinhos não ouçam, e dois, não quero que nenhum cliente me veja pelado por aí.

          O resto do meu dinheiro está no banco. Não é muito mais. Cerca de cem reais, no máximo. Não há muito o que fazer. Eu pensava que não havia muito o que fazer até que conheci Cate. Cara, aquela garota pode realmente salvar a minha vida e me reerguer sem fazer muito. Ela alegra o meu dia sem fazer muitos esforços, e ver ela é uma rotina que eu quero seguir todos os dias. Mas, você sabe, eu sou assim. Um dia eu posso querer-la com todas as forças, e no outro, afasta-la com mais fervor ainda. Um dia eu posso ama-la, e no outro acordar sem sequer conseguir olhar para olha... Isso a machucaria. E eu não quero que ela se machuque. Não quero ver ela me olhando com aqueles grandes olhos azuis como os de um gato felpudo me pedindo para ficar mais um pouco com ela e querer ir embora. Ela me salva, e tudo que eu sei fazer com ela é destruí-la.

        Eu termino de beber o uísque, coloco a garrafa ao lado da minha cabeça e jogo o resto do meu cigarro dentro dela. O cigarro apaga em um chiado doce aos meus ouvidos. Como o barulho de Cate pedindo para que eu faça silêncio e pare de fazer alguma piada idiota. Aquele garota me entende. Eu preciso deixa-la, preciso esquece-la. Mas... Ela me entende como nenhuma outra foi capaz de entender.  E eu durmo com ela na cabeça. Com a imagem dela sorrindo e desejando boa-noite repetindo e repetindo inúmeras vezes até que eu caio no sono.

Fim do capítulo IX

         Foi difícil escrever esse capítulo :c Não achei que seria tão complicado representar o Adam, mas está aí. Espero que tenham gostado kkk E lembrem-se de mandar as perguntas por comentário sobre Cate e Adam para eu responder no perguntas & respostas. Lembrando que vale qualquer tipo de pergunta, e eu vou responder todas, sem poupar vocês de spoilers, então aproveitem *u*



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4 comentários

  1. Por que foi difícil escrever este capitulo? Ficou muito bom.

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  2. Nossa, é a primeira vez que leio algo sobre seus personagens e amei. Claro que comecei errado, você já está no capítulo IX, mas prometo ler os próximos, pois realmente me apaixonei!

    Beijos e parabéns

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  3. Apaixonada por seu blog! Lindo de morrer *----*
    Seguindo viu?
    Se der, dar uma passadinha no meu, espero que goste: http://garotaqueora12.blogspot.com.br/

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  4. Quem é a moça que encontrou ele bêbado, o beijou e pediu pra ele ir com ela?

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