Capítulo XVI - Cate & Adam

sábado, julho 19, 2014

VARNƱAK | via Tumblr


Oi pessoal ♥ ♥ Queria me desculpar com vocês por ter sumido tanto e ter demorado mais ainda para postar Cate e Adam dessa vez. Mas adorei ver que vocês sentiram falta e que ficaram pedindo para eu postar logo, estou escrevendo hoje por causa de vocês, porque eu ia enrolar mais haushaushaus' Na postagem "E se Cate & Adam virasse filme...?" eu fiz um desafio em que a pessoa que acertasse quem era o personagem novo, ganharia uma homenagem aqui. A Thaysa Alves arriscou, e admito que o comentário dela me deixou um pouco mexida e me fez pensar nessa possibilidade, mas não era bem isso que eu tava pensando u.u Entretanto a resposta dela foi tão boa que é digna de uma homenagem. Clique aqui para ler o comentário dela.  (no final da página) Então, Thaysa nos próximos capítulos você terá sua homenagem hsuahs'

É de abalar qualquer um, eu sei, e Thaysa, estou avaliado essa ideia com a minha equipe hsuahsuahsuahsu (nass, até parece huahsuahsuahus) Mas vou avaliar sim :3 E adorei o que você escreveu. Mas, sem enrolar mais, vamos para o capítulo ♥ Hoje o capítulo é meio diferente, mas vocês vão gostar. A música de hoje é Sky Architects - Ignite e T E Morris - Sunflower , nessa ordem. Ah, e o capítulo de hoje provavelmente vai ficar grande haushaus'

   
Capítulo XVI
Parte I
Abril de 1838, Le Cannet, França. 

"Porque certos amores, nem o tempo e
 nem nossa mente manipulável, pode mudar ou apagar."
- Página 97 de Momentos do pôr do sol 

     As pedras batendo na janela me lembram do meu compromisso. Eu solto um sorriso com a bochecha ainda colada no colchão velho feito de palha, pensando o quanto isso é importante para nós dois. Eu me levanto, sacudindo a minha camisola branca e me olho no espelho, ajeitando os meus cabelos castanhos claros com a ponta dos meus dedos e escolho um vestido azul para mim no armário. Não é tão bonito, mas é o meu mais novo e ele não parece se importar muito com as roupas que eu visto. Eu só abro a cortina da janela, sem sequer aparecer e eu sei que lá, do lado de baixo, ele entendeu o que eu quero dizer. Nós temos dessa coisa, de entender o que o outro quer dizer. 

     - Ei, aonde você vai? - Minha irmã mais velha resmunga levantando a cabeça do travesseiro e me encontrando com os olhos. - Acabou de amanhecer. Feche a janela, Catherine... - Ela resmunga outra vez completamente sonolenta.

    - Eu vou... Eu vou... - Eu passo os meus olhos pelo quarto, e encontro o vaso de flores vazio. - Colher flores. 

     - Você vai, você vai... - Ela imita o meu tom sorrindo. - Você não me engana. 

     - Quem disse que eu quero te enganar? - Eu digo passando os meus olhos pelo espelho outra vez e conferindo se não tem nada de errado. Isabelle gargalha e revira os olhos, deixando sua cabeça cair no travesseiro outra vez. 

      - Eu já te falei o que eu penso disso. - Ela sussurra compreensiva. 

       - É um risco, certo? - Eu respondo, prendendo os meus cabelos em um coque. - Um risco que vale a pena.

        - Se valesse a pena não seria um risco. - Ela diz se encolhendo debaixo das cobertas. 

        - Ah, volte para os seus dedos, Belle. - Eu digo sorrindo. Ela só solta um bufar, e eu saio do quarto sem parar para ouvir o que ela tem para me dizer. Eu desço as escadas correndo, quase que tropeçando em minhas próprias pernas. 

        - Eu vou colher flores, mãe. - Eu digo quando chego no final da escada e a encontro na cozinha. Ela apenas me olha, passando seus olhos em mim e concorda, balançando sua cabeça. 

        Eu abro a porta lateral da casa, e o vento do mar me acerta no rosto. Eu sinto o gosto salgado e doce ao mesmo tempo em minha boca e deixo que esse momento me presenteie por alguns segundos. Eu abro os meus olhos e o encontro. Eu desço os dois pequenos degraus e aponto para a estrada. Ele sorri e corre até lá, e eu o sigo, saindo das vistas das janelas da minha casa. (a casa é essa)

       Ele para na minha frente. 

      - Bom dia, Catherine. - Ele sorri com os lábios e com os olhos; Olhos verdes como o mar ao fundo. 

       - Bom dia, Adrian. - Eu sorrio de volta caminhando e parando ao lado dele. 

        - Então você vai colher flores... - Ele provocando bagunçando o meu cabelo com a ponta dos dedos. Eu faço uma careta para ele mostrando a língua, o que faz os olhos dele brilharem. 

         - Se você continuar eu vou te deixar sozinho aqui e vou sozinha. - Eu resmungo em brincadeira sorrindo também. 

         - Como se você pudesse. - Ele levanta uma das sobrancelhas. 

          - Como se você fosse me deixar ir sozinha. - Eu levanto a sobrancelha também. 

          - Cathe, Cathe... - Uma vozinha me chama quando passo na frente da casa de Adrian. 

         - Ah, eu esqueci de te falar... Ela queria te ver. - Ele faz uma careta parecida com a que eu havia feito, e dá de ombros ligeiramente. 

          - Tudo bem. - Eu sorrio mostrando para ele que não tem problema nós atrasarmos um pouco. - Não vai demorar. 

            Ela aparece na porta da casa e corre em minha direção, com dificuldade e com os braços pequenos. O vestido verde dela é tão velho quanto o meu e os pés estão descalços enquanto ela corre pela grama. Os cabelos loiros dela está soltos, cujos pequenos cachos voam pelo vento. Ela tem os meus olhos verdes de Adrian; É de família, um traço marcante deles, assim como os cabelos castanhos e longos é uma marca da minha. Assim que ela chega em minha frente, eu me abaixo, pegando-a no colo e dando pequenos giros com ela. Ela ri. 

          - Eu tava com saudade, Cathe... - Ela diz tocando as minhas bochechas com suas mãos pequenas e frias. - 'Pôque' você sumiu? - Ela pergunta fazendo uma cara de triste. A verdade é que eu não sumi porque eu desejei; Tem algo por trás disso, e eu gostaria de conversar isso com Adrian. Mas sabe aquele tipo de coisa que entala na garganta e não consegue sair, mas também é insuportável ficar dentro de nós? Então... É assim que eu me sinto. 

        - Eu estava trabalhando esses dias, Emily. - Eu explico tocando a ponta do nariz dela com o meu indicador, o que faz ela soltar um sorriso tímido e desfazendo a cara de triste. 

       - Eu quero ser 'cantola' igual você, Cathe. -  Ela diz olhando nos meus olhos. Se ela ao menos soubesse que eu só faço isso para ter comida, o que será que ela diria?... Mas eu apenas sorrio, como se isso fosse a melhor coisa do mundo e valasse tanto a pena quanto ela pensa valer. 

       - Emi, eu e a Cathe vamos sair agora, tudo bem? Se a mãe perguntar diga que eu fui trabalhar no campo e se a senhora Fay aparecer aqui, diga que você não viu a Cathe. - Adrian explica tirando Emily do meu colo e a colocando no chão. 

       - Mas eu não posso mentir, Adlian. - Ela diz abaixando os olhinhos. 

        - Não é mentir, Emi. - Ele faz ela levantar a cabeça e os olhos, tocando-a no queixo e pisca para ela como se eles fossem aliados. - Você quer que eu traga morangos? - Ele pergunta e eu solto um sorriso para mim mesma, porque esse é um golpe baixo. Adrian é o mestre dos golpes baixos. Emily ama morangos e ela faria qualquer coisa por morangos. Adrian olha para mim, como se sentisse que eu estava sorrindo. 

       - Moraaangos! - Emily cantarola sacudindo os braços. 

        - Então, fique em silêncio você não sabe de nada. - Ele diz levando a mão no peito, como se fizesse um juramento. 

         - Eu não sei de nada. - Ela leva a mão no peito também, e nós três rimos. 

         Emily volta correndo para casa, e eu volto para o lado de Adrian. Nós caminhamos em silêncio. Certas coisas não precisam ser pronunciadas, muitas vezes só um olhar ou uma simples presença diz bem mais do que algumas palavras seriam capazes de dizer. Eu deixo que Adrian ande alguns passos em minha frente, para que eu o assiste. Ele está usando as calças pardas surradas que ele usa para trabalhar e uma camisa branca, cujas mangas estão dobradas até a altura dos cotovelos. Todos nós somos pobres. A minha família e a dele. E os pobres, aqui, tem uma espécie de aliança; Então, eu praticamente cresci com ele. Era comum eu ir na casa dele brincar quando éramos crianças, e ele muitas vezes foi lá em casa ajudar meu pai com os serviços. Mas, é natural, comum, e isso aos poucos foi virando mais que uma amizade. Só que ninguém quer que sua filha se case com alguém do mesmo nível. Belle é um caso completamente perdido. indomável e meus pais sinceramente a deixaram de lado. E eu ainda sou uma esperança. Sou a grande salvadora - Revirando os olhos. Eu olho para a forma como ele ainda; Tão leve, mas tão cansado. Depois que o pai dele morreu, ele que cuida de sua mãe e de sua irmã mais nova. Ele tem a força que eu admiro, a força que eu gostaria de ter. 

         Nós já estamos na floresta e eu olho para o céu, completamente encantada. Eu posso vir aqui inúmeras vezes, mas eu sempre me encanto como a floresta fica linda com as árvores tampando um pouco o sol e os raios de luz ficando visíveis. As flores alaranjadas tingem a grama e sacodem pelo vento, e é tudo tão lindo que eu poderia morar aqui. 

          - É eu sei. Eu poderia morar aqui também. - Adrian sussurra, como se fosse capaz de ler os meus pensamentos. Nós temos essa conexão completamente única. Nós entendemos um ao outro, como se fossemos apenas um. 

          Eu rio.

          - É sério, nós temos que parar com essa coisa estranha. - Eu digo olhando para ele, levantando o meu rosto. 

          - Sim. Isso assusta mesmo. - Ele concorda se aproximando de mim, e ficando frente a frente. - Mas eu não me importo. 

           Ele segura o meu rosto e cola seus lábios nos meus lábios. Tudo que eu consigo sentir é os nossos corpos. Sem floresta, sem o cheiro da flores, sem o calor do sol, sem o meu vestido pinicando a minha pele, sem tempo, sem medos, sem nada. Não é a primeira vez, mas é doce e único como se fosse.

         - Porque isso nunca muda...? - Ele pergunta deslocando nossos lábios e colando sua testa com a minha. Ele se mantém de olhos de fechados. 

         - Eu me pergunto sempre a mesma coisa. - Eu sussurro para ele, fechando os meus olhos também. Ele passa suas mãos por minha cintura, e a abraçando, enquanto eu passo meus braços por cima dos seus ombros, entrelaçando seu pescoço. Eu apenas sinto Adrian, sem me encher a minha cabeça com as minhas velhas preocupações, embora tudo o envolva. Ele é o meu maior problema. E eu não me culpo de gostar tando de um problema assim. 

          - Acho que nós temos que pegar alguns morangos. - Ele sussurra sem querer se afastar e sem fazer isso. 

             - Sim, nós temos. - Eu digo sem me afastar também. 

              - Vamos? - Ele pergunta. 

              - Vamos. 

              E nos afastamos, e as coisas são como se nada tivesse acontecido. Nós começamos a rir como se tivesse alguma piada escrita em nossos olhos. É leve. Pelo menos esses momentos da minha vida é leve. Alguns pequenos momentos de lucidez. Nós caminhamos até a pequena plantação de morangos que nós encontramos aqui na floresta e que cercamos para que os coelhos não come nossas frutas. Nós passamos a perna por cima da cerca, e começamos a colher as frutas. Eu não sei como começar a falar. Eu sei que tudo vai mudar quando eu abrir a boca e eu não estou pronta para isso, para pronunciar essa coisa. Mas o tempo está passando, e quando Adrian vai embora, tudo que eu consigo pensar é que eu não consegui ser sincera com ele outra vez. Eu olho para o céu, e deixo a minha mão parada em cima de um morango. Apenas fico parada. 

            - O que foi, Cathe? - Ele pergunta virando a cabeça para me olhar. 

             - Eu preciso conversar com você. - Eu sussurro. 

           - Tudo bem. - Ele diz se sentando no chão, e eu o acompanho. - Diga. 

       - Lembra que eu disse que os meus pais estavam preparando algo para mim...? - Eu digo sem conseguir olhar para ele. Se eu olhar para aqueles olhos, eu vou querer mentir. E eu não posso mentir para ele mais. Adrian concorda. 

       - E nós pensamos que era para você trabalhar em Paris... - Ele lembra. 

         - Sim, esse mesmo. - Eu concordo. - Eles conversaram comigo e eu descobri o que era... 

         - e o que era? - Ele pergunta olhando fixadamente para mim, de um modo que eu não consigo olhar de volta. Apenas mantenho os meus olhos presos nos morangos perfeitamente vermelhos como sangue. 

          - O que sempre acontece com as garotas daqui. - Eu digo com o resto da força que eu ainda tenho. Eu pensei que eu me sentiria aliviada quando eu dissesse, mas eu não sinto. Eu me sinto pior, cada vez pior, porque Adrian está sentindo o peso sobre os seus ombros também. Era bem mais fácil quando o peso estava apenas sobre os meus.

             Adrian bufa, fechando suas mãos em punhos. 

          - Você tem 17 anos, Catherine! Eles não podem definir sua vida! Eles não podem... Não podem... - Sua voz vai perdendo a força, e ele vai abaixando o rosto. - Não podem... 

            - Adrian... - Parece apenas o nome dele, mas ele entende o quanto eu estou pedindo compreensão e apoio nessa simples palavra. Ele entende e permite que eu segure a sua mão.

          A minha história é simples. Sou mais uma vítima de um dos inúmeros casos de casamento arranjado. Está aí constantemente acontecendo e eu fui uma escolhida. Eu devo aceitar. Não há muito o que fazer e Adrian entende isso. Ele não é egoísta para pedir que eu fuja com ele. Ele também não pode abandonar sua mãe e sua irmã. 

          - Você sabe que é o desgraçado? - Ele pegunta olhando para longe. Nós não suportamos olhar um para o outro. 

            - O filho do dono da cidade. - Eu sussurro. 

           - Ah, o grande Christopher. - Adrian bufa revirando os olhos. - Como competir com ele, não é, Catherine? - Ele diz perdendo completamente a paciência. Embora Adrian tenha perfeitas qualidades, ele também tem perfeitos defeitos. E digamos que ele não tenha muita paciência. 

             - Não comece, Adrian. - Eu peço olhando para ele. 

            - Você sabe como voltar para casa, não sabe? - Ele diz se levantando e soltando a minha mão. - Eu vou ficar aqui, eu preciso pensar. 

             - Adrian, eu não tenho culpa. - Eu digo firme para ele levantando minha cabeça para encarar ele nos olhos. 

               - Eu sei que não, Cathe. - Ele diz sorrindo de lado, mas não tem humor nenhum nesse sorriso. É mais um sorriso de "Vá logo, Cathe, para de teimar." Mas eu não sou esse tipo de pessoa, que aceita as cosias facilmente. 

              - Se você precisa pensar, eu vou ficar aqui e pensar também. - Eu digo me impondo. 

              - Essa é a Cathe que eu conheço. - Ele solta um pequeno riso, e dessa vez vale alguma coisa. Nós não conseguimos ficar com raiva um do outro... 

              - Então pense. - Eu abano os meus braços, fazendo um gesto para que ele prossiga. - Estou esperando. - E cruzo os braços. 

              - Você é chata sabia? - Ele sorri para mim. 

              - Eu faço o que eu posso. - Eu provoco.

              - Mas, Cathe... - Ele se aproxima, colocando uma mexa de cabelo para trás da minha orelha. - Lembra quando eu disse que Nada nem ninguém ia separar nós dois? 

                 - Sim, Adrian.

                - Então. Nada nem ninguém vai ser capaz de mudar o que eu sinto por você. Nem aqui em Le Cannet, nem em Paris, ou em qualquer outro lugar, ou daqui 20 anos. Nada nem ninguém vai nos separar. Você entende isso?

                  - Nem o tempo, nem as pessoas. - Eu digo prendendo os meus olhos nos dele. 

                - Nem o tempo, nem as pessoas, nem nós mesmos. - Ele completa. 

                E ele me abraça, confirmando suas palavras; 

Parte II
Abril de 1848, Le Cannet, França. 

         Nós não precisamos mais da floresta para nos encontrar. A cidade é grande e agora somos adultos, embora o tempo não tenha sido muito generoso comigo e com Adrian. Eu estou casada a 10 anos, enquanto Adrian continua solteiro, cuidando de sua mãe e de sua irmã mais nova. Nós mantivemos nossa promessa. E isso é o que vale. Christopher era realmente um cara rico e melhorou a vida da minha família. A vida deles, e não a minha. Eu sou infeliz aqui. Eu tenho uma casa enorme só para mim, tenho os vestidos mais bonitos, mas eu daria tudo para voltar para aquela casa de frente para o mar e para ter aquele meu melhor vestido entre os velhos que pinicava a minha pele. 

         Christopher diz que quer um filho para continuar seu legado como dono de terras, mas eu não quero gerar nada que venha dele, dentro de mim. É o tipo de coisa que eu deixei claro para Adrian; Ele é o único que eu quero. Então, eu me previno para não engravidar. São 10 anos sendo obrigada a fazer aquilo que eu não quero, com um homem que eu não quero, e são 10 anos mentindo que eu, quando criança, tive uma doença rara e isso pode explicar minha infertilidade. Isso é uma prática que se Christopher descobrir, ele acabaria comigo. Ele não é uma pessoa boa. Ele já teria batido em mim muitas vezes se eu não fosse esperta o suficiente. Adrian me ensinou muito na floresta; Como caçar, como me proteger, e a ideia de ser só uma mulher frágil nunca passou pela minha cabeça. 

       Quando Christopher tem alguns serviços na outra cidade, é quando Adrian aparece. Hoje é um dia desses. Meu coração acelera quando eu ouço batidas na porta. São três batidas lentas. É a batida dele. A marcação um, dois, três. É ele. É Adrian. Eu desço as escadas, e abro a porta. Ele melhorou muito nesses 10 anos. Ele usa uma calça preta, uma camisa azul claro e um suspensório preto. A barba mal feita destaca seu maxilar, e os olhos verdes estão ali, mostrando toda sua felicidade em me ver. Ele entra na casa, eu fecho a porta outra vez e ele me cumprimenta com um beijo na testa. 

        - Adrian... Quanto tempo... - Eu enfim sussurro, abraçando-o.

       - Foram só uma semana, Cathe. - Ele me conforta. 

       - Não deixa de ser um tempo longo. - Eu murmuro, me afastando dele, e tocando seu rosto com a ponta dos meus dedos. Ele sorri, e eu contorno os traços que surge em sua pele, enquanto ele faz isso. Ele passa seus olhos por meu rosto, pelo meu pescoço, na clavícula, e desce por meus braços, parando neles por mais tempo que deveria. Eu jogo os meus braços para trás, tirando-os da vista dele. 

       - Não esconda de mim. - Ele diz puxando meus braços de volta. - o que é isso? - Ele circula um hematoma quase preto em meu antebraço. 

        - Um hematoma? - Eu digo levantando um dos meus ombros enquanto eu pergunto. 

        - Eu não estou brincando, Catherine. - Ele diz bravo. - O que é isso? Sem inventar uma mentira.  

         - Eu não estava inventando mentiras. 

         - Você vai tentar me enganar? - Ele sorri provocando. - Quando você vai perceber que não tem como?

         - Ok, Ok, senhor Adrian. - Eu sussurro. - Digamos que eu tenha tido um pequeno confronto com ele, você sabe que eu não suporto certa coisas e essa foi uma recompensa. 

          - E você ainda chama isso de recompensa? - Ele bufa e ri de desespero.

         - Eu vou ficar mais forte. - eu digo confortando ele. 

         - Você ainda lembra o que eu te ensinei? - Ele pergunta.

         - Lembro. - Eu confirmo com a palavra e com a cabeça. 

         - A faca debaixo da cama?

         - Ainda está lá. - Eu confirmo de novo.

         - A faca debaixo da mesa? 

        - Também. - Eu olho para cima. - E a faca na cômoda, no banheiro, e a faca debaixo do sofá. Relaxa, Adrian. - Eu sorrio. 

         - Tudo bem. - Ele diz abaixando os olhos. - Mas... isso não ficou assim, não foi?

         - Você me conhece.  Sabe que, com certeza, eu não fui a única a me machucar. - Eu sorrio abaixando os olhos. 

          - Vamos subir? - Ele pergunta passando os olhos em mim.

          - bom, Adrian... Eu queria te falar uma coisa... Na verdade, te contar uma coisa... - Eu sussurro. Eu caminho até o sofá sem olhar para trás para ver se ele está me seguindo. Apenas vejo que ele me seguiu, quando sinto ele sentando ao meu lado no sofá vermelho. 

           - A última que vez que você disse que tinha que conversar comigo, nós viemos parar nessa situação... - Ele diz com certo receio com o que eu irei falar. 

            - É, eu também me assusto quando tenho que conversar com você. - Eu admito traçando o meu dedo no tecido do vestido. 

            - Então...? - Ele me apressa.

             - Então... - Eu digo levantando os meus olhos. Ele fita os meus olhos azuis e eu apenas admiro seus olhos verdes. - Eu estou grávida.

              - Cathe... Eu já conversei com você. Te disse para você tomar cuidado, não deixar ele ficar fazendo coisas com você e eu te dei os remédios... Cathe... Não pode ser... Por favor, diz que está mentindo e...

            - Adrian, o filho não é dele. - Eu sorrio. - É seu.

            - Meu? - Ele parece ainda mais paralisado. - Meu... 

            - Sim, seu. - Eu sorrio. - Nosso. 

            - Cathe... - Ele solta um sorrisinho começando a ficar feliz, mas então, ele percebe uma coisa que eu não havia percebido devido a minha felicidade. Eu não havia percebido, até ver nos olhos deles, e o meu sorriso se desmonta também. - Você não tinha pensando nisso, não é...?

             - Não até agora. - Eu abaixo os meus olhos. - Como eu fui ser tão idiota. 

             - Você vai ter que fingir que esse filho é dele, Cathe. Ele não pode ao menos sonhar o contrário. - Ele sussurra. - Você me entende? - Ele afasta o meu cabelo no meu rosto. - Eu posso vir algumas vezes aqui, conhecê-lo... E tudo vai ficar bem.

            - não, Adrian, não vai.

            - Cathe, ninguém nunca precisou saber de todas as verdades do mundo.

            - Mas eu queria que essas verdades não precisassem ser escondidas. - Eu sussurro. 

           - Mas elas precisam. É essa a nossa vida. Não tem como mudar isso. - Ele diz, mas a verdade é que ele ao menos acredita no que acabou de dizer. Ele queria o mesmo que eu, e isso é óbvio. Ele então, sorri, escondendo o que realmente está sentindo, enquanto desliza sua mão por minha barriga. - Viu? Agora somos apenas uma família, só nos três. Nós podemos fingir por alguns momentos. 

           - Ninguém nunca sobreviveu fingindo. 

          - Mas nossa sobrevivência e a desse bebê depende desse fingimento, você sabe disso? - Ele diz tão baixo que eu quase não ouço. - Então, qual o nome? Você já pensou em algum? 

          - Na verdade, eu já escolhi... Será Pablo. Como o seu pai. - Eu sorrio para ele e ele retribui. 

Parte III
3 de janeiro de 1858, Le Cannet, França. 

         É uma sexta a noite. Pablo está em casa, com a empregada e eu já não posso me encontrar com Adrian lá. Adrian para ficar mais próximo de mim, e acompanhar o crescimento de Pablo, foi contratado para ser nosso lenhador particular. Não foi fácil convencer Christopher de que nós precisávamos de um lenhador, muito menos fazer ele contratar um dos meus amigos de infância. Mas, eu consegui convencê-lo de algumas formas. Adrian aos poucos, então, foi se aproximando do nosso filho e hoje eles são amigos. Pablo tem 10 anos e acompanha Adrian para todos lugares; É o tipo de ligação sanguínea que sempre acontece e que ninguém nunca conseguiu explicar; Particularmente, eu percebo que Pablo odeia Christopher. Sim, ele é um homem fácil de odiar, mas é como se Pablo sentisse todo o peso aqui dentro de nossa casa, e quando ele está com Adrian, ele sente toda a leveza de uma vida que teria de tudo para ser a melhor. Uma vida repleta de dificuldades, mas infinitamente melhor. 

        Eu caminho pelas ruas, com o meu rosto coberto pela minha capa escura, que faz o mesmo com o meu vestido acinzentado. Eu ouço um assobio, e encontro ele encostado na parede. Ele está com um cigarro na boca e solta um sorriso para mim. 

        - Você tem que parar de fumar. - Eu digo. 

        - Eu já te perdi, Cathe. E perdi Pablo. Perdi. Mas essas belezinhas - Ele bate o indicador no cigarro. - Nunca vão me abandonar. E você sabe que eu sou um caso perdido de qualquer forma. 

       - Anote ai, Adrian: Parar de fumar e de beber. - Eu digo sorrindo, e ele solta a fumaça do cigarro sorrindo também. Ele joga o cigarro fora, e nós caminhamos pelo beco escuro. O único lugar que sobrou para nós nos encontrarmos.

 O beco é repleto de curvas e caminhos. Um erro na construção da cidade, criou esse pequeno e confuso lugar que eu e Adrian conhecemos como a palma de nossos mãos. As pessoas dizem que aqui é um lugar assombrado, que quem entra não consegue sair, devido sua confusão de caminhos e por ser muito escuro, mas é apenas mais uma das milhares e milhares histórias dessa cidade. Adrian segura um lampião, iluminando nossos passos, e quando chegamos no final do beco, ele olha para mim e sorri. 

- É isso. - Ele diz colocando o lampião no chão.

 - É isso. - eu concordo. 

- Sua desgraçada... Eu não acredito que é verdade! - Uma terceira voz diz, o que faz com que Adrian e eu viremos nossa cabeça. É ele, Christopher. A última pessoa que eu queria ver na minha vida. - Eles disseram e eu não acreditei. Eu disse que eu te mataria se fosse verdade. 

Ele saca um revolver e minha em minha direção. 

- Então é tudo verdade. Você me enganou esse tempo; - Ele diz friamente. - Como você conseguiu se apaixonar por esse pobre?! - Ele grita perdendo totalmente o controle. - Como você conseguiu ficar com esse simples lenhador?!

Eu não abaixo os olhos. Eu não sou do tipo que abaixa os olhos por pessoas como ele. 

eu apenas o encaro. 

Adrian fica na minha frente, fazendo com que Christopher aponte agora para o peito dele. 

- Não, Adrian... - Eu sussurro de uma forma que apenas ele me ouve. Ele joga suas mãos para trás e eu as seguro. Eu sinto medo. Nunca senti tanto medo. 

- Você está disposto a morrer por ele? - Christopher pergunta ironico soltando uma gargalhada. - Se você conhecesse ela de verdade nunca morreria por ela.

- Se você conhecesse ela de verdade nunca a mataria. - Adrian diz no seu tom de voz que significa que ele está sorrindo. Ele é forte. Ele faz o medo virar força de uma forma completamente única. 

- Que pena que eu não posso esperar para saber se é verdade. 

E eu ouço.
O tiro.
O barulho alto.
Adrian arfando por um breve momento e com a sua última força, tentando sustentar seu corpo.
É tudo em câmera lenta e ninguém é forte o suficiente para manter sua força nessas horas. Então, eu vejo ele cambaleando devagar, e caindo aos meus pés. Dói. O baque do corpo dele é como se fosse o meu corpo caindo naquele chão, de uma forma que eu sou capaz de sentir o frio das pedras contra a minha bochecha. Eu não grito. Eu apenas arfo, e me abaixo, parando ajoelha de frente para ele, tocando sua cabeça, seu rosto, seu ombro. Enquanto o sangue dele se espalha pelo chão, manchando o meu vestido de vermelho. O tiro pegou em sua barriga e ele está sagrando, cada vez mais e mais... Ele tem os olhos presos em mim. Como nas noites em que ficávamos apenas olhando um para o outro depois de conversar muito na cama, ou quando ele deitava a cabeça no meu colo na floresta e ficávamos olhando o pôr do sol. Nós amávamos o pôr do sol daquele floresta e isso que os olhos dele me lembram nesse momento. O pôr do sol. Ele parece entender perfeitamente o que eu estou pensando. 

- É, o pôr do... Sol... - Ele diz com dificuldade, respirando fundo. E quando ele faz isso eu percebo o quanto dói, mas ele esconde a dor. - Você sabe... Nada... Ninguém.

- Nem o tempo, nem as pessoas, nem nós mesmos. - Eu digo fechando os meus olhos e permitindo que uma lágrima escorra. Mas não quero que essa seja a última visão que ele tenha de mim, então abro os olhos e sorrio.

- Um... Dois... Três... - Ele sussurra. Essa sempre foi nossa marcação. Três pedras na janela quando eu ainda morava com os meus pais e três batidas na porta quando eu me encontrava com ele quando Christopher saia. Um, dois, três, sempre foi apenas uma contagem, mas para nós sempre simbolizou mais do que isso. 

- Um. - Eu levo a mão até o meu peito, tocando o meu próprio coração. - Dois. - Eu toco o coração dele. - E três. - eu beijo os lábios dele com cuidado, colocando ali todo o resto da minha força. Se me perguntassem qual momento eu gostaria de eternizar, eu nunca diria esse. Eu eternizaria milhares de outros, mas nunca esse. 

Quando eu volto o meu corpo e olho para ele, Adrian tem os olhos ainda presos em mim. 

    Eu sinto Christopher se aproxima de mim, parando em minha frente, dessa vez o revolver está apontado para mim e não tem volta. Eu  seguro a mão de Adrian e ele fecha os olhos. Eu encaro Christopher no fundo dos seus olhos castanhos, enquanto ele mira a arma para o meu peito. E ele atira, dói, mas não tanto quanto ver o tiro pegar em Adrian. Foi uma dor suportável. Eu caio no chão. Embora Christopher tenha mirado em meu coração, ele não conseguiu acertar. Eu sinto o ardor no lado direito do meu peito e o sangue saindo. Eu estou ao lado de Adrian, com a mão ainda ensina da dele. 

E eu penso em tanta coisa. Eu ouvia histórias que a Belle me contava que quando nós morríamos nós víamos nossa vida inteira, como em um filme. Mas, não é assim. É você que está lembrando. Você pode muito bem ficar ali e assistir a sua morte lenta, mas aqueles que ainda estão agarrados em alguma coisa, vão lembrar de tudo. Eu me lembro de cada momento naquela casa velha, dos shows que eu fazia para sobreviver, do sorriso da Emily quando ela ganhava morangos, como ela me abraçava depois de comê-los e me beijava nas bochechas com os lábios vermelhos. Eu me lembro de Pablo, dele criança correndo pela casa quando via que Adrian havia chegado, sem ao menos saber quem ele era de verdade. A única certeza que tenho é que Cristopher nunca desconfiou de nada, e vai cuidar de Pablo, como qualquer um cuidaria de seu único herdeiro. E bom... Sei que meus pais não fizeram por mal, e Belle... Belle sempre me avisou que era um risco. Mas, eu sempre respondia que era um risco que valia a pena. Eu deixei um dinheiro para eles e para a mãe de Adrian e Emily. Sempre foi só nós dois contra tudo, e agora, é só nós dois contra a morte. 

Minhas vistas começam a escurecer e Christopher faz questão que eu olhe nos olhos dele.

Antes de dar meu último suspiro, eu descubro uma verdade.

Nós nunca esquecemos os olhos do nosso verdadeiro amor. 

E nós nunca esquecemos os olhos do nosso assassino. 

(...)

- Adam... Você está tossindo muito e não é normal as pessoas tossirem sangue. - Uma voz desconhecida diz próximo de mim, e eu sinto que o meu corpo está deitado, mas eu não consigo abrir os meus olhos, não consigo mostrar que acordei.

- Fique na sua, Antony. - É a voz de Adam e eu quero sorrir mas eu não consigo.

Eu ouço um bipe alto, e de repente esse bipe vira um barulho continuo. Eu sinto que não consigo respirar mais.

- Ande, idiota! Ela está tendo outra parada! 

É tudo que eu ouço antes de apagar novamente.


Acho que eu não preciso comentar muito hasuhaushausahus Mas só vou explicar: Ali em cima, depois dois (...) é a Cate, depois dela ter acordado um pouco, mas como vimos, ela desmaia de novo. Foi diferente o capítulo, mas espero que vocês tenham gostado. É o que Adam disse em Momentos do pôr do sol diz:  "Um dia uma garotinha me parou e me perguntou se eu sentia saudade da minha aldeia queimada e do garoto que eu perdi naquele dia. E eu sorri, disse "não", prontamente eu disse que não. Porque certos amores, nem o tempo e nem nossa mente manipulável, pode mudar ou apagar." Então é isso hasuahus ;3



              


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1 comentários

  1. Amei o cap. YA! tá lindo! meu nome ali em cima!!! UHUL! aguardando o próximo... kisses!

    http://mardecliches.blogspot.com.br/

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