#29 Entreverbos - Romeu e Julieta

domingo, agosto 24, 2014


Roses | via Tumblr




Escrito ao som de You are (clique para ouvir)

      Talvez tenha realmente começado assim, como Romeu e Julieta. Na hora errada, um amor mais errado e proibido ainda e um amor tão contido quanto o deles. Sim... Nós começamos na hora errada, mas o sentimento era tão certo que nem percebíamos o quão errado isso era. Nós não nos conhecemos em uma grande festa, em um castelo e nossas roupas foram sequer especias. Meu cabelo estava bagunçado e jogado para o lado direito e você estava murmurando alguma música bem baixinho de um modo que apenas eu conseguia ouvir. E foi assim que nós nos conhecemos; Sem a grandiosidade de Romeu, ou a delicadeza de Julieta, mas com toda a intensidade dos dois. Mas... porque eu estou nos comparando a eles...? Porque um dia eu escrevi algumas coisas sobre os dois, sobre nós dois e sobre uma música que virou automaticamente nossa música e eu acho que eu devo continuar aquele pequeno texto que eu não consegui terminar. 

     Mas, então. Não tínhamos nenhum jardim para nos encontrar, nada para ocultar o nosso amor a não ser nós mesmos. Não tínhamos as estrelas, mas as estrelas nos tinha. Elas nos assistiam daquela forma mais bonita e daquela forma que ninguém na terra jamais entenderia; Elas viram tudo que nós passamos. Todos os desencontros, todos os nãos, todas as birras, pequenas brigas e  tudo aquilo que estava em nossas mãos, e perdemos, e voltamos a encontrar. Porque.. Elas nos entendiam e nós não tínhamos estrelas, mas vocês as tinha em seus olhos. Você as tem em seus olhos. Talvez seja isso que julieta queria dizer. Talvez seja isso que eu quero dizer. Eu te amo como as estrelas pertencem ao céu, entende? Assim como elas pertencem aos seus olhos, é forte, natural, inquestionável. E você sabe, quando uma estrela morre no céu, ela continua sendo vista na terra. Ela morre, explode, e continua viva. Percebe a força? Percebe toda a força disso? As estrelas é como o nosso amor. Nada nem ninguém faz com que elas se apaguem. E mesmo depois de mortas, destruídas, aos pedaços, elas continuam brilhando.

     É irônico, eu sei. Morrer e continuar brilhando. Qual é a graça disso? Não sei, mas por você, eu vou tentar explicar, talvez da forma mais errada, mas eu vou tentar; É aquela ideia de permanência. Continuarmos brilhando seria como continuarmos existindo, mesmo que não vivendo. Seria te ver naquela nossa música preferida, no seu violão jogado no canto ou nos seus desenhos que já estarão pardos de tão antigos. Seria você me ver naquele piano na nossa futura velha casa, nas inúmeras caixas de cartas e bilhetes ou naquele porta retrato nosso com nossos filhos ainda pequenos. Você ia sentir saudade, eu ia sentir saudade, mas a gente ia se sentir próximo. Ia sentir aquele abraço apertado que a gente sempre saber dar no outro quando o outro precisa mesmo a gente não sabendo que o outro precisa. Porque, eu repito, eu vou te amar como as estrelas pertencem ao céu. Elas sabem quando aparecer, e mesmo quando somem, elas continuam ali. Mesmo de olhos fechados, mesmo de mãos atadas. Eu sei que se formos assim, como as estrelas, como já somos, não faltará nada. 

    E eu só queria te dizer mais uma coisa... Me ouça, por favor, embora você já saiba. Nós sempre damos um jeito. Sempre vamos nos encontrar, sendo certo ou errado, e como Romeu e Julieta, nós sempre teremos nosso jardim para nos encontrar. Porque a promessa do Nada nem ninguém continua e sempre vai continuar. Porque é como ser livre, nova, diferente, leve e feliz com você. E seus olhos sempre terão estrelas, olhos verdes. Você viu naquela noite e eu meio que encontrei a definição para aqueles olhares: Era como olhar o céu. Você se perde nos pontos brilhantes e quando percebe, começa a se ver naquele imenso azul escuro. 

      Eu disse que queria dizer apenas mais uma coisa, mas agora eu quero dizer duas, então me aguente. Esse é o vigésimo nono texto que eu escrevo aqui. Então seria justo que eu voltasse a décimo apenas para eu ver o que eu escrevi. Eu dizia que estava armazenando todas as minhas coisas para te dar na hora certa. Sempre a hora certa. E agora é a hora certa. Nó sabemos. Nós sentimos. E espero que você seja capaz de sentir todas as minhas coisas boas que eu te dei e que eu venho guardado para alguém especial que parecia que eu já sabia desde o início da minha vida que seria você. É um destino muito louco, você sabe... Parece que ele tenta te unir desde o início com a pessoa que nasceu para você... Mas você só percebe em um dia certo... E depois não tem mais volta. 


(PS: comi quatro bombons pra escrever esse texto. Mas olha, valeu a pena hsuahsaush')

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