Capítulo I: Momentos do pôr do sol

quinta-feira, setembro 11, 2014



    Acho que nem eu acredito que eu estou postando isso aqui haushaushu' Não sei, vocês me perguntavam tanto disso e eu já tinha tanta vontade - Além de sempre postar um fragmento ou outro nas narrações de Cate & Adam - que eu simplesmente resolvi começar a escrever; Vamos esclarecer alguns pontos então:
1. Momentos do pôr do sol é um "livro" que aparece na web-série Cate & Adam, ou seja, ele não existe.
2. Os fragmentos que eu coloquei em Cate & Adam eu inventava na hora só pra relacionar uma obra com a outra.
3. Como no capítulo anterior de Cate & Adam (o capítulo XVII), Adam disse que a personagem principal de Momentos do pôr do sol é idêntica a Cate, então vocês vão encontrar muitas semelhanças.
4. Essa mini web será no mesmo estilo que Cate & Adam - Um capítulo por postagem e ali em cima vocês poderão encontrar um índice pra acessar os capítulos; Além disse cada capítulo terá trilha sonora *w*
5. Como Momentos do pôr do sol foi escrito pelo Adam, então vocês vão poder conhecer mais o interior dele.

Então são esses os pontos pessoinhas e eu realmente espero atingir as expectativas de vocês em relação a essa obra ou até superar, vou dar o meu melhor para vocês ♥ ♥ A música desse capítulo é Wait - M83

  
Capítulo I
          A pergunta que eu mais ouvi a minha vida toda foi: Porque você gosta tanto do pôr do sol? Eu nunca soube responder; Eu sempre soltava um sorriso, um dar de ombros ligeiro e voltava a assistir encantada aquilo tudo. Eu penso que, assim como tem coisas que nós temos certeza e respondemos com toda convicção, como por exemplo nossa cor favorita, também existem coisas que nós sabemos, mas não conseguimos responder com toda certeza assim. Mas, hoje, ali parada no topo da montanha, com um punhado de flores silvestres alaranjadas como o pôr do sol em meus dedos, eu estava disposta a responder aquilo para mim. Eu simplesmente queria entender a mim mesma. Bem... Não era exatamente o pôr do sol, mas a noção e a ideia de finais, você entende? As cores são de fato bonitas... E o laranja predominante me acalma por dentro e eu sinto o cheiro doce da fruta... Mas, é como se fosse uma certeza; Uma certeza de que realmente tudo que começa, termina, mas de que tudo renasce outra vez também... 

          E tem um ponto final: Antes de acabar sempre acontece uma coisa bonita. O pôr do sol simplesmente me ensinou a maior verdade que eu poderia aprender na minha vida toda. Sempre tem a calmaria antes do desastre, as cores alaranjadas antes da escuridão. E isso me ensinou a ficar mais esperta, a perceber que as coisas boas são apenas um presente antes de acontecer algo ruim, uma recompensa. Eu espero estar errada... Eu realmente espero estar errada...
          
          Nós estamos em abril e a aldeia está se preparando para a festa da colheita no final de semana; Nós somos uma aldeia pequena. Minha família, os Linger, trabalham no ferro da aldeia... Nós fazemos armas, espadas, para o rei. Na aldeia tem aqueles que plantam e vendem ervas, remédios, tem aqueles que cuidam de nós, os médicos, tem também os que caçam com as nossas armas e que vendem comida. E tem os Rouwen, os que fazem pão. Eu me agarro a grama, a apertando com força, enquanto passo os meus olhos pela padaria. O forno está ligado e eu vejo a fumaça subindo... Eu posso sentir o cheiro. Não do pão, mas o cheiro dele, que ás vezes tem cheiro de massa de pão e farinha, mas não deixa de ser o cheiro único dele. Eu volto a olhar o pôr do sol. E ele aos poucos some. Já acabou. Eu não tenho mais nada para ver. 

          Eu mantenho as flores silvestres em minhas mãos como se elas fossem pequenos fragmentos daquele pôr do sol e desço a montanha; Ela é grande, o suficiente para ver toda a aldeia lá de cima, mas meu corpo já se acostumou com o exercício. Eu apenas respiro fundo, mantendo a minha respiração e respiro o cheiro doce das flores. Talvez... Talvez lá do céu o pôr do sol tenha esse cheiro. Eu solto um sorriso pelo pensamento... O que ele diria se me ouvisse dizendo isso? Ele sempre foi tão descrente de tudo... Sempre foi tão lógico. Eu olho para o céu e pego a primeira estrela aparecendo... Até o escuridão tem luz, eu percebo.

          Eu chego em casa, abrindo a porta com cuidado para que meus pais não percebam a hora que eu cheguei. As luzes estão apagadas e embora o som esteja ligado na estação local e tocando uma melodia serena de um violino, não tem nenhuma vida aqui. Eles devem estar lá fora, eu penso. Eu subo as escadas, troco as minhas roupas, deixo as flores na cômoda ao lado da cama e vou lá para fora. Lá fora é onde nós trabalhamos. Onde o forno fica junto com as nossas ferramentas; Eu não deveria trabalhar. Minha mãe diz que eu tenho que ajudar ela em casa, costurar vestidos, fazer essas coisas que ela constantemente e inutilmente tenta me ensinar, mas não é isso que eu prefiro. Eu abro a porta. 

          - Olha só quem chegou. - Meu pai sussurra me dando um sorriso e limpando o suor da testa. Nós deveríamos odiar esse calor todo, mas nós amamos. Talvez os Rouwen também gostem desse calor dos fornos. Eles fazem comida, e nós fazemos armas, mas acaba não tendo tanta diferença assim, certo? 

          Eu sorrio docemente para o meu pai, até que eu sinto alguém me pegando pela cintura e me erguendo do chão. 

          - Aonde é que a mocinha estava? - Ele pergunta me colocando em cima dos ombros dele e eu rio.

          Ele é meu irmão mais velho: Dam. Dam tem cabelos curtos e é forte, assim como o meu pai. O esforço de fazer armas e o fascínio por elas fez com que eles se tornassem assim. Os cabelos de Dam são castanhos claros, enquanto seus olhos são azuis foscos. Ele ás vezes é durão demais; Tem aquele jeito único de sempre teimar comigo, mas no fundo ele é doce e carinhoso. Ele só aprendeu a ser forte da forma mais difícil possível... 

          - Dam! Me coloque no chão! - Eu ordeno rindo e batendo meus punhos fechados nas costas repleta de suor dele. Ele ri e me coloca no chão. Eu o encaro. - Você devia tomar um banho. 

          - Deveria? - Ele pergunta erguendo uma das sobrancelhas.

          - Você não está com um cheiro bom. - Eu sorrio de lado. 

          - Ah, vá trabalhar, Dorie. - Ele resmunga sorrindo e me dá as costas. Eu olho para o meu pai, e ele está soltando um sorriso perante a cena.

           Ele aponta para o forno e eu entendo. O ferro está derretendo e quase pronto; Eu caminho até o forno prendendo os meus cabelos em um rabo de cavalo. É quente, mas é doce. É claro demais ao ponto de cegar, mas é adorável. Sempre adorável. O fogo sempre foi adorável. Eu pego a madeira e puxo o balde de ferro para fora com cuidado. Logo em seguida, eu derramo o ferro no molde da espada e espero ele esfriar outra vez; E eu penso, sempre penso em um milhão de coisas. 

          Nós trabalhos em silêncio, sempre foi assim; Tudo que ouço sou eu própria batendo contra o ferro, moldando a espada da forma como meu pai e Dam me ensinaram. Eles são os melhores nisso e me ensinaram tudo que eles sabem. Claro que eles ficaram com medo, disseram eles um dia quando eu perguntei o que eles pensaram quando eu disse que queria aprender a fazer armas; Eles tinham medo de eu me queimar, de estragar o ferro, de fazer armas ruins e mais um monte de outros medos... Mas, e os surpreendi, é o que eles disseram depois... E eu fico feliz em fazer armas, talvez tão feliz quanto assistir o pôr do sol. 

          Eu termino a espada, exausta e a deixo em cima da mesa para esfriar. Ela é linda. Dourada, com o cabo repleto de cristais vermelhos. A melhor que eu já fiz até hoje... Eu a admiro em silêncio enquanto bebo um pouco de água. 

          - Deixe-me ver. - Dam diz parando ao meu lado e olhando para a espada também. Ele solta um assobio de admiração junto com o ar. Eu solto um sorrisinho para ele. - É linda.

          Eu concordo com a minha cabeça.  

          - Dam... Você já foi na padaria hoje? - Meu pai pergunta nos olhando do outro lado da sala. Dam leva uma das mãos a cabeça, como quem esqueceu. 

          - Eu vou, pai. - Eu digo animada. 

         - Fedida desse jeito? - Dam pergunta fazendo uma cara de provocação para mim e como se estivesse se vingando; Eu faço uma careta para ele e soco o braço dele. 

          Eu saio da sala e corro para o meu quanto outra vez, vestindo aquela roupa que eu estava usando quando fui para a montanha que eu carinhosamente batizei de Montanha do sol. Eu me olho no espelho, enquanto desprendo meus cabelos e os sacudo. Meus cabelos curtos e castanhos quase ruivos caem nos meus ombros fazendo cócegas por um pequeno momento, enquanto o meu vestido amarelado cobre o meu corpo. 

          Eu quase corro para fora da casa; O meu coração acelera a cada novo passo e a padaria, que fica na rua de trás, parece mais longe do que deveria. Mas eu sinto o cheiro e o cheiro me acalma cada vez mais. É isso. Eu respiro fundo quando chego na frente da padaria e meus dedos empurram a porta, enquanto o sininho anuncia a minha chegada. Esse barulho é tão doce e tão familiar quanto um canto de um passarinho quando eu estou na montanha. 

          Ele me olha; E eu o olho. 

          - Oi, Dorie - Ele sorri repentino como se não me esperasse.

        - Oi, Derek. - Eu sorrio de volta com a plena certeza de que ele no fundo me esperava, mesmo sabendo que não tinha as chances de eu vir. 


Esse foi o primeiro capítulo pessoal *w* Com o tempo vocês vão entendendo mais, mas espero que vocês tenham percebidos pequenos fragmentos aí dentro da personalidade do Adam - Como o amor pelo fogo e o pessimismo perante a vida e os finais. Não deixem de comentar, por favor, ok? Porque é por vocês que eu comecei a escrever Momentos do pôr do sol  ♥
         

          




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1 comentários

  1. Não só encontrei de Cate & Adam, como de Jogos Vorazes também! Está linda! Espero que continue, logo.

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