Capítulo II: Momentos do pôr do sol

domingo, setembro 21, 2014




   oooi pessoal (e Roger ♥ ahsuahsuahs') :3 Então, hoje temos o capítulo II de Momentos do pôr do sol e que eu estou escrevendo tem mais ou menos uma semana *-* Bom, como vi na enquete ali do lado, algumas pessoas votaram e o item vencedor foi que eu escrevesse algo que revelasse mais sobre o Adam, escritor fictício de Mspds e protagonista de Cate & Adam. Atendendo aos pedidos de vocês, é isso que eu vou fazer no capítulo de hoje além de contar mais da história :3 Espero que vocês gostem nas mesmas proporções que eu estou gostando de escrever.

      As músicas de hoje estarão em forma de play durante o capítulo ♥



Capítulo II
Devaneios de Adam
               Dorothie um dia me perguntou o que é que eu escrevia tanto. É meio confuso pensar que eu escrevia algo para ela e ela sequer sabia. Naquele dia, eu respondi que era apenas um projeto, um trabalho da faculdade de psicologia. Eu lembro que ela me olhou assim daquele modo completo, e sorriu, dizendo as doces palavras "Você não me engana, Adam". Eu apenas soltei um risinho para ela. 

               Depois Dorie nunca mais me perguntou sobre aquilo, ou tentou ler o que eu escrevia. Ela apenas me apoiava, trazia café nas madrugadas e ficava lendo algum livro ali no meu quarto apenas para me fazer companhia. Eu não gosto de lembrar dela... Ela era tão doce, tão feliz, cantarolava pela casa e trazia aquela luz que eu sentia falta.

               Eu, quando perdi os meus pais no mesmo acidente em que Cate perdeu os pais dela, acabei ganhando uma herança milionária e aquela mansão... Não é segredo que eu gastei todo aquele dinheiro no sonho de ser escritor. Então, veio o o fogo. Meu fascínio. O fascínio de Dorie. E o que me destruiu. A mansão pegou fogo por motivos desconhecidos, os exemplares de Momentos do pôr do sol que eu gastei tudo para construir queimaram junto. E Dorie.

               Eu não me lembro de onde eu estava aquele dia, mas Dorie estava em casa. Ela estava dormindo, como me disseram, e a fumaça a pegou quando ela menos esperava. Não tinha como ela fugir mais. Ela morreu naquela noite assim como toda a minha vida. Eu perdi tudo. Eu tento pensar que ela morreu dormindo, que não notou a morte e apenas morreu calma... 

               O que mais me dói é que ela nunca chegou a ler Momentos do pôr do sol. Era para ser uma surpresa para ela e naquela semana mesmo eu ia fazer a estréia dos livros e uma homenagem. Mas ela nunca chegou a saber o quanto ela era importante para mim. Eu estava tão focado em acabar o livro logo e ver nos olhos dela a alegria no final que eu esqueci de cultivas essa alegria no dia a dia. 

               Você deve estar se peguntando... Afinal, quem é Dorothie? Dorothie era a minha irmã. Aquela que ficou em casa quando o acidente que matou os meus pais e deveria ter me matado aconteceu... Aquela que morreu quando a morte bateu na minha porta pela segunda vez e, novamente, eu deveria ter morrido. 

               Talvez você também se pergunte porque é que eu fumo dois cigarros ao dia, uma para o meu pai e um para a minha mãe, invés de três. A resposta é a seguinte: Por meus pais eu fumo, e por Dorie eu vivo. Ela não se tornou um vício em mim, mas apenas o meu suporte. Ok, sejamos um pouco mais realistas. Meu vício em alcool veio depois que ela morreu, mas isso não é tudo. Eu me lembro que ela odiava o fato de eu fumar e não seria justo transformá-la em apenas mais um cigarro. 

               Agora você entende poque Momentos do pôr do sol é tão pesado para mim...? E Cate simplesmente o ama. É como se ela fosse a minha irmã lendo esse livro, essa homenagem. É como se ela amasse o pior de mim...

Momentos do pôr do sol
Dorothie Rouwen

               Eu gosto tanto do nosso estúdio quanto eu gosto da montanha do sol; Sabe, o fogo e o pôr do sol não são tão diferente assim... No fundo, eu acho que o pôr do sol não é nada além do que um pedaço do fogo do sol se esvairando dele e incendiando o horizonte. Porque, agora, olhando para o fogo do interior do nosso forno eu percebo que as cores são as mesmas. O pequeno indicio da coloração do azul e o laranja com o vermelho brilhando. É lindo, e aquelas chamas iluminam os meus olhos.

               São duas da madrugada e eu não consegui dormir. Sim, eu fui na padaria. E sim, Derek estava lá. Ele me olhou de cima a baixo e sorriu ao dizer meu nome. É sempre assim e aquilo sempre foi capaz de me desmoronar, da mesma forma que uma pessoa dura demais se desmoronaria diante da sua fraqueza. Então eu simplesmente não consegui dormir e vim para o estúdio. Ele é quente como um abraço e eu gosto dessa ideia de me sentir confortada. Os meus olhos passam calmos pela sala e eles pousam como um pardal em cima da espada que eu diz hoje.

               Meus pés se movem lentos, com passos foscos, em direção a arma. Esse é o meu segredo. Eu acomodo os meus dedos arredor do cabo da espada e eu o tiro da bainha que Dam fez, sustentando-a no ar. É leve e suave, mas a lâmina tão afiada quanto deveria ser. É sem dúvida a espada mais bonita que eu fiz e eu queria apenas me despedir antes de entrega-la para a Central. Eu a manejo no ar, cortando e perfurando; Ninguém nunca me ensinou a lutar com armas assim, então eu faço aquilo que eu imagino ser o certo. 

               O suor começa a escorrer pelo o meu rosto enquanto eu me movimento; Depois de dois minutos treinando sem parar, eu paro para respirar, curvando um pouco o meu corpo. Eu nunca me senti a vontade com espadas, embora essa seja a melhor que eu já segurei. Eu solto um suspiro alto, tentando recuperar meu fôlego o mais rápido possível e meus pulmões vão se relaxando e se acalmando em harmonia com o meu coração.

              Os meus olhos quase que instintivamente encontram algumas barras de ferro e os cristais vermelhos que sobraram da espada; Uma ideia se passa em minha cabeça e eu sorrio. Eu quase jogo a espada na mesa e corro em direção ao ferro; Eu sei,, são duas da madrugada, mas eu preciso fazer isso.  Se eu não fizer, eu nunca mais poderei fazer. 

         Eu jogo o ferro no balde com aquela ligeira pressa de quem não sabe e não quer esperar. Coincidentemente, meu pai deixou o forno quente e eu não vou precisar de ligá-lo - Liga-lo faria muito barulho e acabaria acordando todos. Eu assisto em silêncio o fogo derreter o ferro, daquele mesmo modo sem explicação que o pôr do sol é capaz de me derreter. Talvez eu tenha encontrado respostas. Talvez eu ame o pôr do sol pelo simples fato dele me lembrar do momentos que faço espadas e eu ser o ferro derretido daqueles tons. Deve ser isso. Com certeza é isso. 

               Eu penso enquanto assisto o ferro derretendo, em qual arma eu vou fazer... O que afinal eu gostaria de fazer? Eu olho para os moldes dispostos na mesa. Espadas variadas, bastões de ferro e facas - Eu analiso cada um deles, até que os meus olhos param em cima de um molde pequeno, afastado, que nós nunca fizemos por ser completamente inútil para os soldados. É isso que eu quero, aquilo que ninguém quer. Eu pego aquele molde e derramo o ferro.

               Eu acho que devo explicar algumas coisas... Bom, nossa aldeia é uma das três espalhadas pela província. Três aldeias para cada uma das cinco províncias que compõe nossa nação. Fica simples depois de estudar algumas vezes, mas á primeiro momento, eu admito, é confuso e pode ser estranho. Eu sou uma 3-4, ou seja, habitante da terceira aldeia da quinta província. A terceira aldeia é sempre a mais pobre das três e a quarta província é razoável; 

               Os pobres de verdade moram da quinta província, que é vista como suja e o lixo por aqui. As aldeias são dividas igualmente. Uma família que produz armas, uma que produz pão, uma que planta e colhe, os médicos e etc... Mas cada aldeia possui sua especialização, algo que todos nós devemos fazer toda sexta-feira. 

               As aldeias Um caçam. As aldeias Dois plantam. E nós, das aldeias Três, treinamos. Eu disse que era complicado a primeiro momento, mas vou tentar explicar... As aldeias Um alimentam com carne, as Dois alimentam com grãos e remédio, e as Três, alimentam o Estado com soldados. Sim, nossa sina é servir como soldados. Claro que alguns não são chamados, como meus pais, mas sempre vemos filhos indo embora de suas famílias, então, já aprendemos desde cedo o desapego. 

               Hoje é sexta, dia de treinar, e isso faz eu estomago gelar. Seja forte, Dorie - Eu me ordeno. 

               Eu retiro a arma do molde e ela sai perfeita, sem precisar de ajustes. Eu a afio e começo a decorá-la com os cristais vermelhos que sobraram. Mas continuando... O nosso rei Georgie, é dono de toda a nossa nação. Nossa adorada Ignisoli. 

               Você deve estar se perguntando: O que diabos aconteceu com o mundo velho? Bom, imagine um mundo onde cada homem é dono apenas de um pedaço de terra e eles percebem que a terra do outro é melhor... A guerra é inevitável e o mundo se destruiu. Nós somos o que sobrou do mundo. Somos a continuação daquilo que não deveria continuar.

               Eu termino a arma e a seguro em meus dedos. 

               É um punhal de lâmina preta e cristais vermelhos. O meu punhal.

               - Dorie...? - Eu ouço a voz do meu pai me chamando enquanto ele se aproxima do galpão. 

               Eu escondo o punhal em minha calça e cubro o volume com a camisa. Eu encaro meu pai quando ele entra e ele sorri aquele sorriso calmo que ele sempre solta.

               - O que você está fazendo, Dorie? - Ele pergunta passando seus olhos ao redor. A lâminha um pouco morna me incomoda, mas eu relevo.

               - Eu estou.. Estava... arrumando aqui. - Eu sussurro.

               - Ah, estava? E o que você arrumou? - Ele pergunta irônico e eu gargalho. Isso aqui está uma bagunça... Ótima desculpa, Dorothie. 

               Ele se aproxima de mim e afaga minha cabeça enquanto ri também.

               - Eu sei que você treina escondido, Dorie. - Ele sussurra, voltando a ficar sério. 

               - Eu não treino escondido, pai. - Eu tento mentir, mas mentir é algo que eu não sei; Meu pai, minha mãe e Dam sempre descobrem.

               Meu pai me olha desconfiado e eu tampo com as mãos as minhas bochechas coradas. 

               - Não me olhe assim, Theo. - Eu peço rindo.

               - Então não minta para mim, Dorie. - Ele retribui no mesmo tom de voz. 

               Eu tiro as mãos do eu rosto e olho para os olhos castanhos claros dele. Ele é como um amigo ou um irmão. Ele me protege.

               - Pai, como você sabe?

               Ele sorri.

               - Eu sei tudo de você, Dorie. Você é minha filha. - Ele toca a ponta do meu nariz com o indicador. Eu cruzo os meus braços em descrença e sinto a lâmina em minha cintura quase fincando pelo movimento. 

               - Okay. - Ele levanta os olhos. - Eu sei porque sempre venho aqui de madrugada e te encontro... Mas Dorie... - A expressão dele muda. - Isso é perigoso. 

               - porque?

               - Se eles souberem, eles vão te matar.

               - Mas somos soldados, pai. Devemos lutar.

               - Não, Dorothie. - Ele me olha com piedade. - Nós não somos soldados, e lutamos só quando eles querem.

               Eu levanto o meu pulso para ele, mostrando a minha tatuagem; Todos nós das aldeias Três temos. Somos marcados. Nossas sinas de sermos soldados é inevitável. Não tem como fugir, você entende? Somos soldados desde que nascemos. A tatuagem é simples. É uma pequena marca em preto com o número do dia do nosso nascimento em números romanos e em seguida a posição no alfabeto da primeira letra do nosso nome. Ou seja, minha marca é "XVI IV" - dia 16 e D é a quarta letra do alfabeto. A de Dam, por exemplo, é XXVIII IV e do meu pai III XX, e é assim com todos nós. Além disso, embaixo desses números tem um padrão de três pontos pretos como se fossem pintas que ninguém nunca entendeu, e quem em cada pessoa é diferente. 

               Meu pai toca meu braço, abaixando-o e levanta o meu rosto para olha-lo.

               - Dorie, Dorie... - Ele sorri calmo. - Nós somos apenas peças.

               Eu apenas ouço, mas não entendo; Um dia, talvez, eu entenda... Peças, somos peças. E não soldados. Eu abaixo os meus olhos.

               - Não olhe para baixo. - Ele toca meu queixo. - Peças que vencem os jogos, filha. 

               Eu sorrio para meu pai, embora o peso emocional do punhal seja quase insuportável.. Ele sabe o que diz e devo confiar. 

               - Agora durma, Dorie... Hoje é sexta...

               Ele me dá um beijo na testa e se afasto, e eu apenas assisto ele cada vez mais longe. 

Fim do cap. II

Você também vai amar:

0 comentários

Subscribe