Cate & Adam: Capítulo XVIII

sexta-feira, outubro 31, 2014

🎀

     ooi pessoal *w* Faz tanto tempo que não posto Cate & Adam e eu tava com tanta saudade desses dois... Acho que eu sinto tanta falta quanto vocês haushaus' Mas agora com as férias chegando, o Enem e os vestibulares passando, eu vou começar a escrever mais para vocês.

     Ah, e dia 14 de dezembro, Cate & Adam vai fazer um ano que nasceram *ooo* Então, eu queria fazer alguma coisinha nesse dia (que vai dar num domingo); Talvez uma postagem especial ou um vídeo respondendo perguntas de vocês igual aquele que fiz no inicio do ano - Ou talvez, beeeeem provável, os dois ahushasu' Vou deixar uma caixinha ali do lado onde vocês poderão fazer as perguntinhas de vocês e em cada postagem de Cate & Adam vou deixar a caixinha no final, combinado? "Cooombinadu, Ya!" haushaus' (Sim, estou voltando a ficar louca, não reparem u.u)

     Ah, e lembrando: Cate ainda está internada, Antony está ajudando Adam cada fez mais e Adam foi diagnosticado com uma doença terminal. Então vamos para o capítulo ♥ 

   
Capítulo XVIII
Sob a perspectiva de Adam
"Eu penso que, assim como tem coisas que nós temos certeza
 e respondemos com toda convicção, como por exemplo nossa cor favorita,
 também existem coisas que nós sabemos, mas não conseguimos responder 
com toda certeza assim."

- Primeira página de Momentos do pôr do sol

        É meio irônica a vida. Como as coisas se constroem e depois se destroem de um segundo para o outro; E eu olho para Cate, ela está dormindo, cada vez mais pálida, cada vez mais seca e sem vida, enquanto eu penso que nós dois estamos morrendo. Morrendo cada vez mais. Eu nunca senti medo, mas agora eu sinto. Porque eu não sei se essa é a última vez que eu vou a ver, ou se é apenas mais uma. E isso me assusta. Eu não quero ir embora antes de vê-la acordando de novo. Eu poderia matar por Cate. E poderia morrer. Se é isso, eu aceito, uma troca justa. A minha morte, pela vida dela. Mas, por favor... Eu só quero ver ela abrindo os olhos. Só quero que ela saiba que eu estive aqui o tempo todo e que nunca se esqueça de mim; Não quero cair no esquecimento. 

         Eu capturo a mão gelada dela, e a leva em meus lábios dando um beijo pelo canto da boca, enquanto no outro canto, eu seguro um cigarro. Eu sinto o gosto da pele de Cate na minha boca, e eu queria tanto que esse gosto fosse quente invés de apenas cinza... Antony entra repentino no quarto e antes de fazer algo, para de andar e me encara. 

         - Não acredito que você está fumando! - Ele brada cruzando os braços e realmente ficando nervoso.

         - Não estou. - Eu reviro os olhos. - É só para suprir a falta. 

         - Falta de que? De consciência, juízo, uma outra doença...? 

         Eu rio em ironia. 

         - Que engraçado, cara. Quer um cigarro? Talvez uma - Eu pego um frasco e leio o nome. - morfina..?

         Ele ri e dá uma bufadinha fingindo estar nervoso, mas na verdade ele não está mais. Eu já sou amigo dele e não sei porquê; Talvez é a ajuda que ele me dá, ou talvez o tempo que eu passo aqui com ele fez com que nos aproximássemos. É mais uma amizade cheia de provocações; Mas é amizade. Tirando quando ele se aproxima demais de Cate. Eu não gosto dele. Não enquanto ele toca nela com outras mãos que não sejam as de médico. 

         - Eu vou ficar por perto caso Christian aparecer. Três batidas na porta e você sabe, se esconda. - Antony sussurra para mim. - Ah, e seu tratamento começa hoje a noite, quando não tiver mais ninguém no hospital.

         - Você vai ser demitido e não quero te atrapalhar. Sério, Antony, eu vou para um hospital público.

         Ele cruza os braços.

         - Se você for para um hospital público, você morre em uma semana. - Ele diz e eu gelo. O medo batendo na minha porta, o medo batendo na minha cara. É a realidade. E ele tem razão. - Eu sei como te tratar, Adam... Você vai ficar bem. 

         - Tudo bem. Eu fico. - Eu resmungo olhando para Cate. - Obrigado. - Eu sussurro o suficiente para Antony ouvir. - E depois vou te pagar tudo que devo, okay? 

         - Você sabe que eu quero te ajudar e... É só cuidar de Cate, que você vai pagar... - Ele olha para cima. - Bom... Eu vou... Então...

         Eu olho para ele, e percebo que a expressão dele mudou um pouco; Ele está olhando para baixo, enquanto se afasta e vai em direção a porta. Enquanto eu assisto ele fechar a porta em um barulho um pouco alto demais, eu sinto, por um breve momento, Cate apertar a minha mão; Eu gelo. E encaro ela assustado. Mas ela continua vazia. Eu devo estar enlouquecendo. Eu não duvido de mais nada. Eu toco a bochecha de Cate com a costa da minha mão que não está segurando a dela. 

         - Vamos, Cate. Reaja... - Eu peço com os olhos cheios de esperança. - Eu... Eu paro de beber, Cate... Paro de fumar de vez. Nem toco em um cigarro. Mas volta para mim.  - Eu tiro o cigarro da boca e subo a máscara de médico.

         Eu olho para ela e ela parece tão longe; Mas eu a quero. Eu faria qualquer coisa por ela. 

         - Por favor, Cate... Por favor... Acorde... Eu não quero ter que te ver aqui todos os dias e ainda não poder te ver... Você precisa acordar... Eu preciso te ver, porque... Eu não sei quanto tempo eu vou ter... 

         Eu olho para Cate e fecho os meus olhos com força, contendo com que o nó em minha garganta chegue até os olhos. E eu ouço um gemido. Mas não foi eu quem gemeu. E eu não acredito, eu a encaro. 

         Por um segundo parece irreal, mas ela está abrindo os olhos. 
         Aquele par de olhos azuis se abrem, voltando a vida e eu a fito. Ela olha meus olhos verdes. E eu queria tanto saber o que se passa em sua cabeça. Eu não deixo de soltar a mão dela e fico imóvel.

         É cate. É ela. 
         Minha Cate. Ela voltou.





         E ficamos assim um encarando o outro. Eu não soube o que falar; Eu fiquei pensando no que falar nesse momento, mas agora de frente a ela, eu simplesmente não sei o que fazer. Eu a abraço...? Ou eu digo que a amo tanto..? Eu não sei. Eu não sei.

         Cate é quem abre o lábios. Mas nada sai. Ela vai brigar comigo, é o que eu vejo em seus olhos. Vai dizer que eu a abandonei e que tudo isso é culpa minha. Mas eu não me importo. Tudo que eu quero é ouvir a voz dela. Mesmo que seja para brigar comigo e dizer algumas verdades que eu venho negando e venho precisado assumir. 

         Ela abre os lábios novamente.

         - O que... - Ela balança a cabeça levemente, como sempre costuma fazer quando diz algo errado. - Quem... Quem é você? - Ela pergunta com os olhos se abaixando pela minha roupa. 

         - Sou eu, Cate. - Eu tiro a máscara, me mostrando para ela. - Adam. 

          Ela me encara. 

         - Eu não te conheço, Adam. - Ela diz fria, puxando sua mão com uma fraqueza enorme. Mas eu conheço esse gesto, significa que ela não quer que eu a toque. E eu solto sua mão, permitindo que ela a puxe. 

         Eu gelo. Um frio na barriga e no coração.

         O esquecimento. Meu medo. O esquecimento...

         - Você é o médico. E eu deveria me lembrar de você, certo? - Cate diz olhando para a mesma janela que eu tanto olhei quando ela estava dormindo. - Então... Como eu não me lembro... É porque tem algo errado comigo, certo? Ou... O meu caso é realmente grave... 

         Cate sempre foi impressionantemente inteligente. Eu a olho com o coração doendo.

         - Sim. Você deveria saber quem eu sou... - Eu respondo, subindo minha máscara outra vez. 

         - Então, doutor Adam. O que eu tenho? - Ela pergunta com dificuldade e desliza seus olhos por sua mãos. Ela está sentindo frios na barriga também, é o que eu percebo pela sua expressão, e pelo o que eu conheço dela. Ela gela ao ver sua mãos enfaixadas e com machucados se fechando... - O que aconteceu comigo, Adam...?

         E ouvir ela dizendo meu nome assim tão impessoal, dói. 

         As três batidas na porta ecoam, mas eu sequer me lembro o que elas representam. Eu só quero olhar para os olhos de Cate, mesmo ela não me olhando de volta. Antony me avisou que isso poderia acontecer, mas eu sequer pensei que isso era mesmo uma possibilidade. Eu sei, ela bateu a cabeça, mas eu não pensei que ela perderia a memória. Pensei isso, porque não era o que eu queria. Não quera o que eu queria... E o destino tem me presenteado ultimamente justamente com as coisas que eu não queria. 

         Antony entra no quarto sem que eu perceba. Cate move sua cabeça em direção a porta. Ela arregala os olhos. 

         - An... Antony? - Ela pergunta.

         - Cate! - Antony responde em surpresa com toda a alegria em seu rosto. 

         Isso dói. Eu respiro fundo. Caramba. Isso dói.

         Ela lembra dele de algum lugar, mas não se lembra de mim. Eu desvio os olhos quando eles se abraçam. Eu não quero ver. Então, eu olho para Christian e ele tem os mesmos olhos que eu, a mesma raiva suja. Mas ele não merece sentir isso. Ele não tem o direito. 

         - Quem é você? - Christian pergunta se aproximando de mim, me olhando como se me conhecesse de algum lugar.

         - Médico. - Eu murmuro, sem olhar diretamente para ele. 

         - Mas eu nunca te vi aqui. - Ele murmura, desconfiado.

         - Nem eu. 

         Eu me acomodo na cadeira.

         - Tony... - Cate diz. Ela chamou ele de Tony. Eu reviro os olhos discretamente. - O que aconteceu comigo?

         Antony se senta do outro lado e Cate o olha com carinho.

         - Você sofreu um acidente de carro e bateu a cabeça, ficou alguns dias em coma. Algumas semanas. Quase um mês. - Ele a olha sério. - Mas você precisa responder algumas perguntas para mim. 

         - Tudo bem. - Ela sorri de lado, com os lábios pálidos e secos. A voz dela. Eu sentia falta da voz dela.

         - Onde você mora? 

         - Em um apartamento, na cidade, perto da praça. - Ela responde rapidamente.

         - Onde você trabalha?

         - Em um jornal... Como jornalista. 

         - E você mora com alguém?

         - Com uma tia... Agora sozinha. - Ela solta um sorrisinho. - Mas Antony, isso você já sabe... - Ela revira os olhos de leve, daquele jeito leve, de quando ela está brincando e doida para rir. Caramba. Eu quero ela. Antony deve ser um namorado. Sem dúvidas um namorado. Eu contenho minha raiva.

         - Bom... E você se lembra de mim, certo? - Antony pegunta.

         - Claro. - Cate sorri de novo.

         - E daquele médico? - Antony pergunta apontando para mim.

         - Nunca vi ele na minha vida e já disse para ele... Ele tirou a máscara... E mesmo assim... - Cate responde com um pouco de confusão mental. Eu entendo. 

         Eu lembro de quando eu estudava psicologia e casos de perda de memórias após situações traumáticas são extremamente normais. Existem casos de perda total, de perda de memória de apenas algumas horas, para apagar as cenas e as lembranças do acidente... Mas em Cate, aconteceu diferente. Um período maior de tempo de sua memória se apagou... E eu fui apagado junto. E psicologicamente isso é ruim... Porque, não tem como essa memória voltar. Assim como ela, na minha teoria, inconscientemente, vai tentar fazer algo diferente, já que as escolhas anteriores - as memórias que foram apagadas- a levaram para um acidente; É uma tentativa do cérebro de fazer tudo de novo.  

         - Pergunta do livro. - Eu resmungo e todos olham para mim.

         - Ah, sim... Qual seu livro favorito, Cate? 

         Ela parece pensar um pouco mais. 

         - Momentos do pôr do sol. - Ela sorri convicta e sorte que eu estou com a máscara, porque eu acabo de sorrir do outro lado também. Ela ainda se lembro do livro, do meu livro, do nosso livro. Isso é bom. Nem tudo está perdido. Nós ainda temos um vínculo. 

         Eu abaixo os meus olhos. 

         Nós ainda temos salvação. 

         Antony tosse de leve, fazendo Cate voltar a olhar para ele. 

         - E ele, quem é? - Antony pergunta, apontando para Christian.

         - Meu chefe. - Cate responde.

         Eu vejo Christian dando alguns passos e se aproximando de Cate. 

         - Não, eu sou seu noivo. - Ele diz. 

         Eu vejo Antony olhar para ele e toda a cor do seu rosto sumir. 
         Eu me contenho para não ficar do mesmo jeito ou reagir. 

         Cate o olha confusa. 

         - Nós vamos nos casar mês que vem, Cate... - Ele diz segurando a mão dela e eu percebo o que se passa nos olhos de Cate e na alma dela. 

         Eu só encaro a cena. 
         É isso. Sim. É isso.

         Antony me olha, e me entende.
         Nós nos entendemos. E eu nem sei de quem eu devo sentir mais raiva. 
         Mas, sem dúvidas, Christian ganha. 

  
Fim do 
Capítulo XVIII

          Então pessoal, o que vocês acharam? *o* Digam-me tudo e podem dar dicas também, que vou ouvir todos vocês. E você, o que acha que o Antony é?



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1 comentários

  1. To amando cada palavra! você tem um dom, use-o mais!!

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