#34 Entre verbos: O mar

quinta-feira, dezembro 25, 2014







           Se tua presença tivesse algum som palpável ao ponto de eu poder escutá-lo e distingui-lo eu diria que isso teria um som claro e forte de mar. Talvez a calma, ou a força, ou aquele cheiro salgado, ou a tonalidade do som, do mar fosse o que me levou a fazer tal comparação. Você tem a calma de saber o que trazer e o que levar que somente as mares possuem na sua naturalidade; Tem a força com que a água bate nas rochas que é duro, que pode matar, mas que mesmo assim prefere ser apenas bonito aos olhos. Tem o cheiro salgado que pode ser doce e que deixa o pensamento mais leve; E tem o som. Profundo, doce, e de certa forma impiedoso. Impiedoso porque mesmo apesar da doçura sabe como agir e está sempre presente. Impiedoso com quem tenta interromper sua naturalidade. 

           Um dia, eu disse que seria chuva. E hoje eu digo: É mar. Porque a chuva do passado alimentou o mar que de repente crescia na frente dos meus olhos e quando eu percebi, já estava implantado ali como se nunca tivesse saído. Como se nunca tivesse deixado de estar. Porque, realmente, nunca deixou. E hoje é mar. Porque a chuva uma hora tinha que parar de cair e toda essa água teria que ir para algum lugar. Então, você escolheu ser algo bonito; Poderia ter sido um rio, com a água sempre correndo, mas nunca a mesma água. Poderia ter sido um lago, com a água sempre parada e intocável. Mas escolheu ser mar. Porque mesmo sendo a mesma água está sempre em movimento. O mesmo sentimento, mas sempre se movendo. Indo e voltando, trazendo cada vez coisas novas e sempre acrescentando.

            Digo isso sobre nós. Sobre você. Porque se um dia você foi aquela chuva que lutou para se manter e não ser afastada pelo vento, foi porque nós sabíamos desde o inicio qual o fim (ou começo) que isso tomaria. E os mares são profundos, você sabe. O sentimento é profundo, nós sabemos. Sempre algo a mais no fundo, sempre algo mais para se descobrir quando já se pensa que não há mais nada para falar. E a conexão. Um mar nunca é um mar sozinho. Nós nunca somos quem somos sozinhos. O que seria do mar sem a areia, sem as conchas, sem a lua e e as estrelas refletindo suas luzes na água? Ou o que ele seria sem as rochas que fazer aquele barulho doce e calmo? Não seria nada... Então... O que seria de nós sem aquela amizade, sem a beleza, ou o brilho do olhar refletindo nos olhos do outro? Ou o que seria de nós sem os problemas que fazem aquele desespero árduo e inquieto? Não seriamos nada. 

           Nós sempre soubemos que isso iria crescer, que a chuva um dia ia parar de cair e que alguma coisa ia nascer. Não, não deixa de existir chuva. O mar ainda precisa ser alimentado. Mas, nasceu um mar. Nasceu nós. Algo que deve ser cuidado com a devida profundidade que nós conhecemos. Dentre tudo que você poderia escolher ser, você escolheu ser mar, nós escolhemos ser mar. Escolhemos amar. 

  Trecho da postagem
"Yeah, I like it
when you smile"



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