Cate & Adam: Capítulo XXIII

sábado, fevereiro 14, 2015


(vocês vão entender que essa foto não é atoa ahsuahuas)


        Ei galerinha do bem e fãs de Cate & Adam  Tem um tempinho bom que não posto Cate & Adam, e ultimamente estou dando prioridade para  wattpad, porque lá e mais fácil de ler e tal, mas não deixo de postar aqui - sei que muitos de vocês não tem o aplicativo :3 Então, tem uns dois capítulos atrasados, e já vou postar os dois de uma vez hoje e já vou começar a digitar o novo de uma vez ♥

       Ah,  e se você curte Cate & Adam não se esqueçam de votar numa caixinha ali do lado se vocês comprariam o livro físico de Cate & Adam - vai me ajudar na publicação futura do livro, nhaw ♥ então, ajudem :3

      Sem mais enrolações, vamos para o capítulo e ah, vou colocar um "Leia mais" nos capítulos, para não ficar aquela coisa enorme aqui na página inicial :3 Então é só clicar aqui em baixo em Leia mais, que o resto da postagem vai aparecer para vocês  Aproveitem o capítulo

Capítulo XXIII
Sob a perspectiva de Adam 

"Olá, amor, minha amiga invencível... Olá, amor, para você eu tenho tantas palavras que eu esqueço de onde estávamos." (I Forget Where We Were - Ben Howard)



Você deve estar se perguntando por que é que eu disse para Cate que eu não deveria mais aparecer lá, logo agora que eu conquistei a amizade dela. Bom, para te responder eu falarei de números. Eu tenho dois reais no bolso e Christian, dois milhões na conta. Só para manter Cate aqui ele já deve ter gasto cerca de 10 mil – Um dinheiro que eu nunca teria a oportunidade de pagar mesmo se eu quisesse. Mesmo se fosse para salvar a vida de Cate. Ele tem uma casa enorme, um carro importado e uma editora. Sei que Cate não é tão banal assim do tipo que se apaixona por coisas materiais, mas se ele souber o que dar pra ela, logo ela vai começar a confundir sentimentos. Além disso, eu dei aquele conselho para ela. Aquele maldito conselho. E caramba, com eu sou idiota. Porque eu fui dizer aquilo da editora?
Um ponto a mais para ele.
Caramba.
E sabe o que mais ferve o meu sangue? Você não deve saber... Mas a vida que Christian tem é a vida que eu teria se minhas coisas, minha vida, minha irmã, não tivesse pegado fogo. Eu teria a minha editora, os meus livros. Eu poderia até competir de frente com a editora dele.
Eu poderia estar casando com Cate nesse momento. Eu poderia ter a vida que eu tanto quero com ela.
Eu olho para o convite no meu colo e eu encaro o “C&C” no convite. E a raiva sobe mais forte e mais intensa como bile, me preenchendo. Deveria ser o meu nome ali com o dela. Deveria ser “Cate & Adam” e não “Cate & Christian”.
Eu respiro fundo.
Eu tomei uma decisão; Eu vou deixar que Cate siga com sua vida. É o melhor que eu devo fazer, é o melhor para ela, e cale a boca, você tem que concordar comigo.  Ela vai ter um futuro bem mais promissor ao lado dele. E hoje eu percebi que falta pouco para ela se lembrar de quem eu sou – Mesmo que há alguns dias atrás eu tenha pensado que isso não seria possível.
Mas, eu escolhi o esquecimento.
Escolhi virar as costas para Cate.
Eu quero que Cate nunca se lembre de quem eu sou. E assim ela nunca sentirá minha falta. Ela será feliz, no trabalho dos sonhos e não sentirá a minha falta. É tudo que eu poderia desejar para a vida dela.
Eu estou sentado, e meus olhos que estavam cravados no convite de casamento, agora se focam na porta se abrindo e em Antony entrando. Eu miro os olhos dele. Ele tem olheiras fundas e roxas, o cabelo bagunçado e eu me pergunto qual foi a última vez que ele saiu desse hospital e foi para casa desde quando Cate e eu chegamos. O seu estado responde facilmente a minha pergunta. E a responda é nunca. Ele simplesmente não voltou para casa.
– Nós vamos começar hoje, Adam. – Ele diz olhando para os meus olhos e tenta sorrir, mas não consegue. Eu entendo ele, eu também não consigo.
Mas vou tentar.
Por ele. Ele tem merecido sorrisos.
– Ah, eu achei que íamos tomar um chá e discutir sobre as novas tendências de Paris. – Eu zombo gargalhando e olhando para o rosto dele, esperando algum esboço de reação. E ele ri.
Caramba.
Agora que eu fui perceber...
Ele ri idêntico á Cate.
– Mesmo morrendo...
– eu sei, eu sei – eu o interrompo com um sorriso. – mesmo morrendo eu não calo a boca.
– Exatamente. – Ele sorri, se virando e pegando a química para a quimioterapia e os equipamentos.
– e eu deveria me calar? – Eu pergunto tirando a minha máscara de médico e a touca.
– Talvez. – Ele diz se virando e colocando o que ele acabou de pegar em cima de uma bandeja. – Mas mesmo se devesse você não se calaria.
Eu dou de ombros e rio.
Está escuro. Os outros médicos não podem saber o que estamos fazendo. A pouca luz que chega até aqui é a luz de um abajur e das luzes do corredor. Mas isso assusta. Pode parecer que não, mas o escuro me assusta.
Deveria ser o contrário. A luz que deveria me assustar, você sabe, por causa do fogo. Mas, o escuro é a total destruição. Me lembra as cinzas, os destroços queimados. A minha irmã morta e irreconhecível no chão.
Antony finca a agulha no meu braço e eu sinto a química sendo inserida no meu corpo. Eu estou com fome. Eu não sei... Eu comi de manhã, pelo o que eu me lembro, e agora é de noite. Antony faz o que pode por mim, e eu não posso ficar pedindo coisas. Eu só quero sair daqui logo. E voltar a viver na livraria. Do jeito que eu vivia antes de colocar na cabeça essa ideia idiota de procurar por Cate.
– Talvez você fique um pouco tonto... – Antony sussurra.
– Tonto...? Então eu estou acostumado. – Eu respondo em um sussurro e dessa vez sem força nenhuma para sorrir; Força nenhuma para reagir.
Você não sabe... Mas até que eu vivia bem antes de começar a procurar pela garota que eu salvei quando era uma criança. De onde que eu tirei essa ideia idiota? Ah, eu não lembro mais. Mas acho que foi porque eu não aguentava mais ficar sozinho, escrever poemas para a parede e porque aquela menina me perturbava todas as noites.
Quando eu era criança eu sonhava com ela; Ela era uma princesa e eu a salvava dos perigos, eu era uma espécie de cavaleiro nos meus sonhos. Aqueles olhos azuis grandes pediam ajuda e eu corria para salvá-la. Grande ironia. Hoje eu mal consigo salvá-la de mim mesmo.
Quando eu era adolescente eu continuava sonhando com ela; Eu era uma espécie de escritor famoso e ela a minha inspiração. Nos sonhos, ela se sentava em minha frente e eu escrevia sobre aqueles olhos. Os olhos. Era tudo que eu me lembrava. Uma ironia maior ainda. Porque eu não quero mais me lembrar deles...
Então, quando eu não aguentava mais ver aquela garota nos meus sonhos, eu comecei a procura-la. Não foi tão difícil, já que ela, coincidentemente, frequentava a livraria, minha casa. A princípio, eu nem imaginava que ela era a intocável Cate. Ela me chamou atenção porque sempre carregava meu livro, meu Momentos do pôr do sol, como se ele fosse um cachorrinho. E você sabe, os únicos exemplares que existem são o dela e o meu. Então... Eu comecei a observá-la, roubei sua ficha e descobri que seu nome era Cathelin Owen. Como a garota do acidente...
Eu não vi os olhos dela aquele dia, quando me esbarrei nela, e entreguei aquele bilhete “Ei, Cate... Meu nome é Adam.”
Mas eu sabia que era ela.
Eu vejo Antony se sentar na cadeira em minha frente e seus olhos param no convite em meu colo. Seus olhos ficam estáticos, como se não soubesse o que dizer.
– É, parece que sua irmã vai se casar. – Eu diga baixo olhando para o convite também.
– É o que parece... – Ele responde tão baixo quanto eu – Então você sabe que ela é minha irmã. – Ele sorri.
Eu tento sorrir de volta, mas sai algo parecido com uma careta bem idiota. Eu riria de mim mesmo se eu pudesse.
– E você me enganou esse tempo todo. – Eu digo olhando para Antony. Ele ri com o riso de Cate e é como conversar com ela. Caramba. Será que é isso que Cate diria se conversasse com Dorothie? Que é como conversar comigo?
Minha mãe, Dorothie, e agora Cate.
Eu realmente não tenho sorte com mulheres.
– Ah, você tinha que ver sua cara, Doutor Adam. – Ele zomba e relaxa um pouco, mas a olheiras continuam tão intensas quanto de quando ele entrou na sala.
– E eu estou vendo a sua, Doutor Antony. – Eu digo. – Quando você vai dormir?
– Eu não sei... – Ele abaixa os olhos. – Eu só não consigo.
– Vem cá, coloca essa agulha no seu braço – Eu aponto para a agulha que está enviando os medicamentos para o meu corpo. – E você vai conseguir...
Ele ri.
– Você está com sono? – Ele pergunta.
– Não... Só não me sinto bem. – Eu respondo tentando dar de ombros, mas até para isso eu estou cansado. – Cate está sozinha, Antony... Você pode ir dar uma olhada nela?
Ele se levanta assustado, porque esqueceu completamente disso.
Ele não está bem...  E não é só sono.
É o casamento de Cate. Isso está tirando o sono de nós dois.
Ele se levanta da cadeira e se afasta de mim, saindo com cuidado da sala para que ninguém o veja. Eu escolho fechar os olhos e sentir o peso do convite sobre a minha perna. Claro. Ele não pesa nada. Mas todo o peso da vida que eu poderia ter ao lado de Cate cai sobre mim; Eu fecho os olhos. Eu só quero dormir.
Bom... Mas eu não consigo.
Eu sinto falta de Cate. E dos cigarros.
E não posso ter nenhum dos dois.
Eu rio por dentro.
Os dois por causa de dinheiro, ein, Adam. – Minha mente zomba de mim. Sim, os dois por causa do dinheiro. Bom, eu fumaria um cigarro mesmo sabendo do estado dos meus pulmões. E talvez, certos atrasos são adiantamentos, certo? Talvez a minha falta de dinheiro não seja atoa. Talvez seja um aviso dos céus “Adam, seu idiota, agora você vai parar de fumar.” Querendo ou não, eu parei.
Mas e Cate, Adam?
Cate talvez seja também um aviso dos céus e um atraso sendo um adiantamento. Se ela não tivesse sofrido esse acidente, eu não teria voltado, não teria lutado por ela. Mas eu estou indo embora de novo, nós sabemos...
Mas será que eu consigo?
Será que eu consigo simplesmente dar as costas para ela de novo e ir embora?
A porta se abre discretamente, e eu olho; Algo pálido e encolhido quase arrasta para o lado de dentro e eu me assusto no primeiro segundo achando que é um paciente comum que errou de porta. Até que a minha mente começa a funcionar direito e eu percebo seu cabelo castanho sujo amarrado de um jeito bem frouxo e os dedos finos arrastando o suporte de soro.
– Antony disse que você estava aqui e que não estava bem. – Ela diz um pouco mais alto que o normal daquele seu jeito desafiador.
O que Antony tem na cabeça...?
Eu faço um sinal de silêncio para ela, levando meu indicador aos lábios.
– Ah, é, tem que fazer silêncio. – Ela sussurra e senta na cadeira que Antony estava, ficando de frente para mim.
Eu a encaro.
Tudo está girando, como Antony diz que ficaria e a minha expressão não deve estar uma das melhores. Eu me sinto suado também. Não é o tipo de coisa que eu gostaria que ela visse. Mas ela vê. Ela olha. Como se fosse a cena mais bonita.
– Você andou com esse convite o dia todo? – Ela pergunta apontando para o meu colo.
– Ei, não foi o dia todo – a minha voz não passa de um sussurro rouco e fraco. – Foram só... Algumas horas.
Ela sorri puxando os cabelos para o lado direito. Ela fica linda assim, com os cabelos de lado. Eu diria para ela. Mas soaria tão estranho que eu apenas curto a minha cabeça doendo.
Eu fecho os olhos.
– Adam...
– Hmm...
– Adam... – Ela chama de novo.
– Cate... – Eu chamo de volta.
– Você não está bem, não é? – Ela pergunta trazendo a cadeira e o suporte de soro para frente, ficando mais perto de mim. Caramba. O que essa garota tem na cabeça? O que todos eles tem na cabeça?
O que eu tenho na cabeça?
– Mais ou menos... – Eu respondo.
– Eu posso fazer alguma coisa? – Ela pergunta e eu sou obrigado á abrir os meus olhos. Os olhos azuis estão me olhando com tanto carinho que eu não consigo desviar. O que será que ela está pensando?
– Pode trazer um algodão doce? – Eu pergunto e ela solta um risinho doce.
– Acho que não. – Ela aponta para o suporte do soro e para a agulha ligada em sua veia.
– Então não pode fazer nada. – Eu gargalho bem baixinho. A melhor risada que eu pude soltar. E parece que Cate entende. Ela sempre entende. E ri por mim o riso que eu não pude dar.
– Estou falando sério. – Ela diz revirando os olhos bem de leve. – O que eu posso fazer?
Algo me acerta forte no estomago, de dentro para fora, e tudo revira. Eu me abaixo e começo a vomitar no pequeno balde preto que Antony colocou ali, que agora, eu entendo a razão.
Parabéns Adam, você é a sedução em pessoa.
Então, Cate faz algo que eu não espero. Ela se levanta, quase que derrubando o suporte do soro e vem até mim. Ela segura os meus ombros quando percebe que eu estou fraco demais para me manter nessa posição, e me ampara. Seus dedos pálidos e sem força, me dando a força que ela nem tem para ela mesma. Seus dedos nas minhas costas. Seu calor perto do meu. Sua boca perto da minha orelha.
– Quando sentir que acabou, me avise que eu te ajudo a sentar de novo... – Ela sussurra ali.
Que tal você fingir que ainda está passando mal só pra ela te segura mais um pouco, ein, Adam. – Minha mente sugere.
Ah, cale a boca.
Eu faço que sim com a minha cabeça, e espero mais alguns segundos. Você sabe, não por causa dela, mas não quero que essa sensação volte e eu tenha que quase cair dentro do balde de novo.
– Pronto, passou. – Eu digo para ela.
Cate me segura o mais firme que pode – O que não é muito – e me ajuda a me sentar outra vez. Ela me olha com aqueles olhos quentes enquanto se afasta e se senta outra vez. Ela não sente medo. Ela é apenas coragem. O que eu diria para ela? “Obrigado, Cate, por assistir essa cena linda”?
Prefiro o silêncio.
E cate o rompe.
– O que eu poderia fazer para você, Adam? – Ela pergunta subindo os ombros delicadamente transferindo a pergunta para ele como uma criança.
– Já que você insiste me recite um poema... Ou uma poesia – Eu digo soltando um sorrisinho e espio a reação dela. Ela bufa. E eu rio.
– Eu não gosto de poemas ou poesias. – Ela diz me olhando franzindo a sobrancelha. Mas eu sabia disso. Vocês também sabiam. Mas eu adoro ver as reações dela.
– Ah, por favor, Cate... – Eu faço uma cara de triste para ela. – Você disse que faria.
Ela pegando os cabelos que pularam para trás quando ele veio me ajudar e os traz para frente outra vez.
– Tudo bem, tudo bem... – Ela dá de ombros. – Só para você se calar.
– Porque todo mundo diz isso? – Eu abro a boca em surpresa, brincando com ela.
– Deve ser porque você não para de falar. – Ela diz rindo.
Eu não a respondo. Apenas olho para ela.
– Ah, isso é para mostrar que você sabe ficar quietinho? – Ela zomba.
– Olha só quem aprendeu a zombar de mim... – Eu rio dela.
Ela revira os olhos rindo.
– Você quer o poema ou não? – Ela pergunta fingindo estar perdendo a paciência.
– E você acha que vou perder a cena de Cate Owen recitando um poema? Nunca. – Eu digo me ajeitando na cadeira e sentindo as minhas forças voltando.
Cate é assim. Uma espécie de remédio instantâneo. Não existe dor ou fraqueza com ela.
Ela tosse me espiando pelo canto do olho e solta um último sorrisinho, empurrando as bochechas e fazendo aparecer uma divisão clara entre a bochecha e o resto do rosto.
– É o único poema que eu sei... – Ela explica e segura uma mão com a outra.
Ela abre os lábios, e respira fundo, começando a recitar:
– O amor, quando se revela, não se sabe revelar. Sabe bem olhar pra ela, mas não lhe sabe falar.
Eu a olho, e ela se prende em meus olhos. Ela está aqui. Inteiramente.
Ela continua.
– Quem quer dizer o que sente, não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, se pudesse ouvir o olhar,  e se um olhar lhe bastasse, pra saber que ele está a amar... – Ela para e respira fundo. A ironia batendo na porta. A ironia rindo de nós dois.
Eu apenas peço que ela continue com os olhos. Não ouse interromper com palavras.  
– Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente fica sem alma nem fala, fica só, inteiramente... – Ela respira fundo e abaixa os olhos. – Mas se isto puder lhe contar o que não ouso contar, já não terei que falar, porque já lhe estou a falar.
Ela levanta os olhos e olha diretamente para os meus.
Ela está corada. As bochechas tão vermelhas quanto estariam em um dia de sol e eu percebo que os olhos dela estão brilhando. Brilhando de uma forma única.
– É o único que você sabe? – Eu pergunto.
– É o único que eu sei. – Ela responde.
– E só? – Eu pergunto de um modo confuso até para mim mesmo. Ah, mas ela entende. Entende e sorri balançando a cabeça em um não.
– Eu acho que não. Não é só porque eu só sei esse. – Ela confirma e olha para suas próprias mãos.
– Cate...
“Miaw”
Sim. É exatamente o som que ouvimos agora.
Um miado.
No meio disso tudo.
– Céus, é um gato. – Cate diz olhando ao redor.
Eu procuro com os meus olhos e encontro a figura peluda e escondida debaixo da maca da frente.
– Ali. – Eu aponto para ele e Cate segue a direção do meu dedo.
Ela se levanta com se pudesse ficar se movimentando por aí. Eu quase bufo. Ela realmente não toma jeito, ou tem consciência. Ela se abaixa com dificuldade e pega o filhote de gato em seu colo.
Ela volta para a cadeira olhando para ele e se senta.
– Olha só, Adam, é um filhote. – Ela diz encantada.
Um filhote que estragou a chance de você se lembrar de mim.
– É, eu vi. – Eu digo.
– O que foi? – Ela percebe meu mau humor.
– Ah... É que... Como ele entrou aqui? Ele poderia infectar nossos pacientes e... – Eu me interrompo quando vejo Cate olhando para o gato com carinho.
– Ele é tão lindo... – Ela sussurra como uma criança outra vez. Acho que trocaram o soro dela por droga. Só pode ser.
– Cate – Antony diz entrando na sala com cuidado e olha para Cate. – Ei, onde você arrumou um ga... Ah, deixa... Vem, você tem que dormir.
– Você não é meu pai. – Ela resmunga olhando para ele com uma careta bem fofa por sinal.
Adam, você não pode pensar assim, retire o que disse. – Minha mente me lembra.
Ela resmungou olhando para Antony com uma careta bem estranha por sinal que eu me seguro para não rir.
Pronto.
– Cate, venha. – Antony diz. – O doutor Adam tem que dormir também. A quimioterapia dele já acabou.
– Já passou uma hora? – Eu pergunto surpreso.
– Sim. – Ele diz ainda mais cansado que antes.
– Okay, Antony. – Cate diz abraçando o gato e se levanta, colocando-o na cadeira vazia. – Boa noite, Adam. – Ela me olha mais tempo do que eu necessário e sorri.
Eu a retribuo sorrindo.
Eu te amo, Cate. – Eu sussurro dentro de mim.
E eu percebo que ela ri, sem motivo nenhum, mas é como se ela me ouvisse. Ela me dá as costas, se agarra ao suporte do soro e segue Antony para longe.
Eu fecho os meus olhos assim que eles fecham a porta.
– Miaw? – o gato mia de novo e eu abro os meus olhos, e o encaro.
Ele tem um corpo miúdo, o pelo branco com algumas manchas pretas e os olhos azulados. É um filhote recém-nascido que deve ter nascido no telhado do hospital e caiu aqui dentro pela janela.
Cate o adorou. Mas, o que eu vou fazer com ele.
Eu respiro fundo.
Ah, que se dane.
Eu pego o gato, abro o convite de casamento de Cate e uso o papel como uma cama para o gato, colocando-o no meu colo.
Ótimo, mais uma boca para alimentar.
Ou mais uma boca para morrer de fome. 
O que eu não faço por você, ein, Cate?
– É, cara, ela nos abandonou. – Eu sussurro para ele e ele apenas mia como resposta. – Eu preciso de um nome para você...
Eu olho ao redor, e meus olhos se cravam na parede em minha frente e eu me esforço para ver o desenho. É aquelas típicas pinturas de hospitais que servem para distrair as crianças.
E eu rio sozinho, no escuro, com um gato miando no meu colo.
Eu devo estar realmente louco.
Eu olho para o gato e ele me olha com aqueles olhos azuis.
– Será que Cate vai gostar do seu nome, Dumbo?

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