Cate & Adam: Capítulo XXIV

sábado, fevereiro 14, 2015



Pela foto eu já acho que estou me denunciando ahuahsu' Mas acalmem-se, o casamento ainda não chegou, na narração vai ser "amanhã", mas hoje é a preparação do casamento *0* Espero que gostem do capítulo e aproveitem ♥ ♥

Hoje eu já vou escrever o capítulo XXV (que ainda não é o casamento, caaaalma) e espero que vocês estejam presos na história :33 Ah, e cliquem e Leia mais para continuar a ler

Capítulo XXIV
Sob a perspectiva de Cate

PARTE I


“Sussurre para mim, me ajude a lembrar... Eu não posso vê-lo, mas ainda estamos juntos. Eu posso ouvir você mais forte do que nunca.” (Louder Than Ever – Sarah Jaffe)

Eu não acredito que eu recitei aquele poema. Que eu recitei um poema. Que eu me lembrei de um poema. Ainda mais um do Fernando Pessoa. Na verdade, eu nem sabia que eu sabia algum de cor. Mas, céus, o que você faria se aquele par de olhos verdes nada sóbrios te pedisse um poema? Bom, você eu não sei, mas eu me desdobraria toda para me lembrar de algum. Ou até criaria qualquer coisa.
Er... Não que eu sinta algo por ele.
Eu reviro os meus olhos para mim mesma. É só que aquele poema é bonito, oras. Você viu... É um poema lindo e... Ah, quem eu quero enganar? Eu olho para as minhas mãos pálidas que tocaram o ombro quente dele.
Ele tem algo.
Eu não vou mentir.
Ele tem algo e eu me sinto como uma viciada em recuperação sendo colocada de frente ao seu maior vício. Eu quero tocar, eu quero sentir, provar, mas não posso. Eu vou me casar e eu simplesmente não posso parar para pensar.
– Cate? – Antony chama a minha atenção. – Porque você está tão vermelha?
Eu levo minhas mãos em minhas bochechas por instinto.
– Eu não estou vermelha. – Eu digo em protesto, comprimindo um sorrisinho com meus lábios.
– Eu diria que vocês se beijaram se vocês não estivessem tão – ele sorri. – aos pedaços...
– Antony! – Eu chamo a atenção dele sorrindo.
Mas meu sorriso se desmancha.
Eu vou me casar... Eu vou me casar.
Antony percebe a minha mudança de humor repentina e acaricia o topo da minha cabeça.
– Agora durma, irmãzinha. – Ele sussurra;
E eu fecho os meus olhos.
– Eu senti sua falta. – Eu digo de olhos fechados. Não quero que ele me veja prestes a chorar. – Porque você não foi me ver...? Porque você não quis me ver? – Minha voz é quase um grito sem força. Tem exatamente o som que um grito teria caso ele não fosse tão alto.
Os dedos de Antony param de me acariciar, mas sua mão fica ali pousada na minha cabeça.
– Cathelin... – Ele sussurra daquele modo que meu pai costumava fazer, usando meu nome todo. Simbolizando seriedade. E eu não gosto. – Eu não podia voltar...
– Porque não? – Eu abro os meus olhos.
– Primeiro, eles separaram nós dois... Eles me levaram para morar em outra cidade quando nossos pais morreram, você sabe disso. Voltar para lá, Cate, seria como relembrar tudo e eu não podia relembrar... Eu não queria ver a nossa casa nas mãos daqueles estranhos.
– Mas quando você voltou... Porque você não foi me ver?
Ele me olha com cuidado.
– Eu tive medo, Cate.
– Medo de que...?
– Medo de te ver e não conseguir te largar mais. – Ele sussurra tão baixo. – Assim como aconteceu agora, e eu tenho que te deixar ir.
Eu fecho os meus olhos de novo, só que dessa vez tranquila e calma. Eu precisava saber. Eu precisava entender o meu irmão.
– Eu converso com Eve... – Eu admito sem coragem de ver a expressão dele. Como será que ele reagiria? Espanto, felicidade, iria ficar bravo comigo?
– Com Eve? Como você conseguiu isso? – Ele pergunta surpreso, e eu abro os meus olhos de novo, espiando ele. Eu me seguro para não rir.
– Oras, existe lista telefônica... E foi só procurar por Eve Owen. – Eu digo dando um sorriso que qualquer criança daria depois de fazer alguma bagunça.
– Existem mais de uma Eve Owen na lista telefônica, Cate. – Ele me repreende fitando os meus olhos. Ele fica nervoso igual o nosso pai. As sobrancelhas sobem e a veia da testa fica alta.
Eu solto um riso.
– Eu sei, e liguei para todas. – Eu respondo. – E foi fácil... Já que a Eve morria de vontade de me conhecer, mas você nunca me apresentou. – Eu faço uma careta para ele. – E eu pedi para ela que não te contasse de mim... Porque não queria que você soubesse que eu precisava de você... E... Bom, ela foi legal comigo, Antony. – Eu digo sorrindo. – Ela é uma boa cunhada.
– Ele tem que ser uma boa cunhada, certo? – Ele toca a ponta do meu nariz.
– Eu não sou mais criança, Antony. – Eu digo para ele franzindo a testa.
– Eu sei que não. – Ele diz me olhando. – Mas, agora você tem que dormir.
– Tudo bem. – Eu olho. – Eu te amo, irmão. – Eu digo para ele com um sorrisinho.
 Eu acho que a última vez que eu disse isso foi na nossa despedida quando éramos crianças. Esse foi um dos piores dias da minha vida. Eu tinha acabado de perder meus pais, estava toda machucada, e recebi a notícia que a minha tia não poderia cuidar de nós dois. Então, eu fui para a casa da minha tia, enquanto Antony foi enviado para um casal de padrinhos na outra cidade.
Perder meu irmão foi a segunda pior coisa que me aconteceu.
– Eu te amo, Cate. – Ele diz sorrindo de volta para mim. – Durma bem.
Ele sai do quarto e eu tenho certeza que ele vai ir ver o doutor Adam na sala de quimioterapia. A minha vontade é de levantar dessa cama e segui-lo. Céus. O que eu estou pensando?
Bom, você está pensando naqueles olhos verdes, naquele sorriso e naquele Doutor, Cate. – Um canto bem pequeno da minha cabeça responde para mim.
Não, não estou. – Eu teimo de volta me virando na cama e mirando a janela. Eu queria algo para abraçar, então, como não encontro nada, eu me agarro ao cobertor e me abraço na paisagem do lado de fora.
Será que Adam está bem...?
O fato de vê-lo daquele jeito despedaçou meu coração, e eu não sei o que significa. Eu não o conheço. Como é possível que eu sinta todas essas coisas? Eu não sei.
Simplesmente, eu não sei.
Então eu o tiro da cabeça, e começo a pensar no gatinho que encontramos. O que será que Adam fez com ele? Opa. Sem pensar em Adam. O que será que aconteceu com o gatinho? Ele deve estar naqueles braços quentes e deve estar seguro e...
Céus.
É melhor eu ir dormir.
Eu fecho os meus olhos e tento me acostumar sem a morfina para me ajudar a dormir. É duro. A morfina era algo doce correndo no meu sangue, e agora eu não tenho isso. Mas eu ainda tenho algo dentro de mim.
Não. Não é nenhuma forma de droga; Não é remédios, nem o resto da morfina da dose anterior. É um pouco de sentimento. E é doce também.
E eu consigo dormir.

PARTE II

“Ponha suas mãos sobre os meus olhos, eu estou feliz em estar cega” (Stay With Me – Sarah Jaffe)
Eu acordo com pedaços do sol que vem da janela mal fechada cobrindo o meu corpo. É um calor bom, e eu assisto o meu corpo sendo iluminado. Eu sentia falta do sol, eu sentia falta do calor. As sensações aos poucos voltam para o meu corpo, e eu sinto algo em minhas mãos. Uma textura. Um objeto ali.
Meu coração brevemente se acelera e eu levo a minha mão até o meu tronco, sem abrir os meus dedos. Eu sinto que é um papel. Um papel dobrado ao meio e colocado em minhas mãos como se fosse um segredo.
E eu abro o segredo.
Eu escolho ter esse segredo para mim.
O papel tem uma letra bonita, em tinta preta e alguns respingos de tinta nas laterais, como se a caneta estivesse estourado. Eu sorrio ao ler. Como eu poderia não sorrir?
O papel diz:
“Quando você faz algo que joga algumas coisas no chão, nós devemos observar aquelas que não caíram.”
Ele cita um trecho de Momentos de pôr do sol que de alguma forma me faz lembrar uma cena. Isso me faz lembrar livros caindo e uma risada. Eu viro o papel e continuo a ler:
“Nota do Adam sobre o trecho anterior: Mas devemos observar também o que ajudaram essas coisas a não cair.”
Eu sorrio. E eu entendo. Eu o segurei ontem a noite, eu não o deixei cair. E céus. Como ele conhece o meu livro favorito? Eu nunca encontrei alguém que gostasse desse livro. Nunca ninguém ouviu falar nele.
Eu dobro o papel de novo e o deixo seguro em meus dedos. Eu só quero sentir aquela pequena página de Momentos de pôr do sol enquanto meu livro está longe de mim.
Eu fecho os meus olhos, sentindo aquelas palavras, mas um barulho me assusta. A porta sendo aberta me faz despertar por completo e abrir os olhos, olhando para a porta.
São Christian e Antony, andando em minha direção.
Eu os olho assustada.
Eu aperto o papel com força.
– Cate, você vai embora hoje. – Antony diz frio, como se eu fosse mais um paciente qualquer. Tem algo errado. Ele está estranho. O que está acontecendo?
– Sim, querida, e eu vou te levar para casa. – Christian diz sorrindo.
– Para a minha casa? – Eu pergunto olhando animada.
– Não, para a minha casa. – Ele responde e eu não estou mais animada.
Eu o encaro.
– Sua casa não é a minha casa. – Eu digo.
– Mas vamos para casa, querida. – Ele diz e olho para Antony, mas ele só desvia os olhos. Eu sei o que significa. Eu que escolho.
– Tudo bem. Eu vou com você. – Eu respondo, me levantando e tomando cuidado para o papel não aparecer.
Antony me deixou uma vez, e eu não sei se ele faria isso de novo.
Christian me olha, e me entrega um pacote.
– Eu trouxe roupas para você.
Eu pego o pacote com a mão vazia e aponto para o banheiro, sem vontade de falar que eu estou indo trocar de roupa. Antony vem até mim e tira a agulha do soro das minhas veias e os fios do aparelho que mede meus batimentos cardíacos.
Eu estou livre.
Mas porque eu não me sinto assim?
Eu me levanto rejeitando a ajuda dos dois, e caminho até o banheiro. Do lado de dentro, depois de fechar a porta, eu desabo. Eu ainda estou um pouco fraca pelos dias deitada e pelo acumulo de drogas e remédios. Mas agora eu tenho que ir até o final. É uma oportunidade de ter uma vida melhor e começar a realizar meus sonhos. Talvez eu até goste de Christian e só esteja drogada.
Eu abro o pacote e encontro uma calça, uma camiseta azul e roupas intimas. Eu contenho minha vergonha. Eu não pedi para ele comprar essas coisas e ele fez porque quis. Eu respiro fundo. Eu respiro fundo e visto as roupas intimas e a calça.
Eu me encaro sem blusa no espelho.
Novos machucados, que logo serão cicatrizes, fazem companhia aos meus antigos ferimentos em minha barriga e ombros. Eu me viro de costas e encaro as minhas costas. Eu lembro que quando eu era adolescente eu não aguentava mais as inúmeras cicatrizes ali que o acidente com os meus pais me trouxe, e resolvi fazer uma tatuagem para tampá-las.
Eu escolhi desenhos como se fossem chamas negras subindo pelas minhas costas. Eu poderia ter escolhido flores, borboletas ou algo mais feminino. Mas, não, eu escolhi fogo. Porque o fogo fortalece e é forte. Ele faz o barro endurecer e ele derrete o ferro. Eu queria ser assim. Forte.
Fico feliz por esse acidente não ter machucado minhas costas e atrapalhado a tatuagem.
Fico feliz por esse acidente não ter atrapalhado a minha força.
Eu visto a camisa e saio do banheiro.
Antony não está mais ali, e tudo que eu encontro é Christian. E eu acho que estou pronta. Bom... Eu devo estar. 
– Vamos? – Ele pergunta.
Eu concordo com a minha cabeça discretamente colocando o bilhete de Adam no bolso de trás da minha calça. Eu queria me despedir dele. Eu queria ao menos dizer que foi bom ter ele como amigo e que eu queria manter contato. Bom... Talvez manter contato não fosse exatamente uma ideia boa... Mas.. Você sabe... Ele seria um bom amigo.
Christian me estende sua mão e eu a pego. Não porque eu queira fazer isso, mas porque eu não quero cair no chão. Eu me seguro nele, e ele me guia para o lado de fora do Hospital.
A vida do lado de fora é doce e eu sentia falta disso.
Eu seguro mais forte o braço de Christian e ele sorri.
– O que foi? – Eu pergunto.
Ele me segura pegando a chave do carro e fazendo o abrir. Ele abre a porta e me ajeita do lado de dentro do carro caro dele. Eu o assisto fechando a porta e indo para o lado contrário, e entrando no carro também.
– Nada, só é bom te ver bem de novo. – Ele diz sorrindo. E eu sorrio de volta.
Talvez ele seja uma pessoa legal que só precise de uma chance, e eu vou dar essa chance para ele. Eu quero simplesmente apagar o Doutor Adam da minha cabeça. Ele só foi um bom amigo. E só estava sendo legal. Talvez ele até seja casado.
– Então você sentia falta de mim? – Eu pergunto comprimindo meus lábios em um sorriso fino sem mostrar os dentes.
– Sim, eu senti. – Ele diz sorrindo para mim e ligando o motor do carro.
Ele dirige e eu vejo o hospital ficando cada vez mais longe. Eu tento não pensar em Adam, mas é impossível. Eu queria ao menos me despedir. Isso não significa nada. Seria só uma despedida. Um adeus.
Já que não seria nada, porque você queria tanto, Cate? – O mesmo cantinho minúsculo do meu cérebro da outra vez me pergunta e dessa vez não sei responder.
Eu olho para a Christian, para ignorar a mim mesma e minha mente.
– Então, me conte... Como começamos a namorar? – Eu pergunto e ele sorri animado. Ele está feliz. Deve ser porque eu voltei e quero saber o que tivemos no passado.
– Você era minha funcionária e eu sempre prestava atenção em você... Então um dia, eu vi que você estava lendo meu livro favorito e começamos a conversar. Foi, digamos, amor a primeira vista. – Ele explica sem se distrair do transito, mas eu percebo que seu braço direito falha um pouco quando ele precisa virar o volante.
– O seu braço... Por que... O que aconteceu com ele? – Eu pergunto curiosa e encaro o olho dele pelo espelho de cima do carro.
– Eu machuquei na academia ontem á noite... – Ele explica fazendo uma careta de leve. – E você, o que fez ontem a noite?
Eu estava com Adam, segurando o corpo quente dele com o meu e rimos muito.
– Eu fiquei no quarto conversando com algumas enfermeiras. – Eu digo sorrindo e olhando para a fora da janela do carro. – Você comentou do seu livro favorito que eu estava lendo? Qual era?
Ele aponta com a cabeça para os bancos de trás, e eu me inclino na direção encontrando o livro. Eu não acredito. A minha boca abre em surpresa. É um Momento do pôr do sol.
De repente todo mundo começou a amar esse livro?
– Onde você conseguiu esse livro? – Eu pergunto esticando o meu braço e pegando o livro com dificuldade lá atrás.
– Fui um dos primeiros a comprar quando ele lançou. – Ele explica virando o carro e de repente para de andar. Ele acaba de estacionar. Mas não estamos em nenhuma casa, garagem ou algo do tipo.
Eu olho para fora e meus olhos encontram uma loja de vestidos de noiva.
– Eu queria que você mesma escolhesse o seu vestido. Sabe, você tem que fazer pelo menos uma surpresa para mim. – Ele diz e eu concordo tentando sorrir de um modo bonito, mas nem sei se consigo fazer isso. Então, apenas sorrio para ele.
Nós entramos na loja e as mulheres quase correm em nossa direção.
– S-Sr. Hufner? – Uma das atendentes pergunta olhando Christian de cima em baixo como se ele fosse o homem mais bonito do mundo.
Bom...
Ele poderia até ser. Ele tem castanhos claros, e olhos azuis como os meus. E eu não havia reparado, mas seu rosto tem um formato bonito que combina muito bem com a roupa social que ele está usando. E eu me permito pensar: Tem uma diferença bem tênue entre ele e o Adam. Adam simplesmente era Adam. E Christian é um conjunto de combinações.
– Sim. – Ele responde olhando para ela. – Eu trouxe a minha noiva para escolher um vestido. Vocês poderiam...
– Claro que poderíamos. – Ela o interrompe e eu me seguro para não rir; Isso é simplesmente ridículo.
Elas me levam para dentro e Christian se senta na recepção, pegando seu celular e mexendo em alguma coisa. Lá dentro, os meus olhos encontram milhares de vestidos e eu nem sei por qual começar. As mulheres começam a pegar vestidos atrás de vestidos e eu apenas olho aquilo tudo.
– Ande logo, tire a roupa para começar a experimentar. – Uma das mulheres diz e eu percebo que ela já me odeia. Só porque serei esposa do Christian. Eu rio por dentro. As pessoas se odeiam por tão pouco.
– Mas... Aqui? Na frente de vocês? – Eu pergunto e tudo que eu penso é que eu não quero perder o bilhete que está na minha calça.
– Claro. Não vai me dizer que você está com vergonha? – Ela pergunta.
– Não. Não estou. – Eu digo.
Eu tiro a minha calça devagar, empurrando o bilhete para o fundo do bolso de um modo que eu não caia. Depois tiro a minha blusa azul, e revelo a minha tatuagem e meus machucados.
Elas olham discretamente para as cicatrizes e eu me sinto desconfortável.
Elas trazem os vestidos para mais perto, colocando em uma mesa enquanto outra empurra um espelho enorme para a minha frente. Eu olho nos meus olhos no espelho, e a garota do outro lado me olha de volta. É como se eu olhasse só para uma casca. Como se eu tivesse uma irmã gêmea e estivesse só olhando para ela. Sem ter ideia nenhuma do que ele sente, sem saber de nada do que ela está pensando.
– Vamos começar com esse e depois passar para os outros... E depois... – A mulher explica e eu simplesmente me desligo.
Apenas vejo o meu corpo sendo coberto com vestidos que ficam grandes, depois vestidos que eu não gosto, depois vestidos que não fazem nenhum sentido para mim e depois vestidos que ficam apertados.
Até que eu vejo um vestido que eu gosto.
Ele tem uma saia grande, como se fosse nuvem e na cintura tem flores azuis que sobem por toda parte de cima. É ele. E eu escolho.
Eu me olho no espelho e eu me sinto satisfeita com ele.
– O azul vai combinar com os olhos do Senhor Hufner... – Uma das mulheres sussurra, mas eu nem respondo.
Não é para combinar com Christian.
É para Adam.
Se ele for ao casamento, ele vai entender.
Eu saio do enorme provador da loja e Christian me olha.
– Escolheu? – Ele pergunta me olhando de cima para baixo.
A primeira coisa que conferi depois de colocar minhas roupas de volta foi se o bilhete ainda estava ali. E ele estava. Ainda está.
– sim. – Eu respondo com as palavras e com a cabeça. – Elas já embrulharam e eu posso vir buscar amanhã.
– Eu busco para você e te levo para o salão para você se arrumar. – Ele diz.
– Tudo bem. – Eu concordo.
E ele me dá as costas, indo até o balcão e pagando o vestido com seu cartão de crédito como se ele fosse a coisa mais barata do mundo. Eu não quero imaginar o preço.
– Agora para casa? – Eu pergunto me fingindo de animada.
–  Sim, agora para casa. – Ele responde.
Dentro do carro, eu escolho não dizer nada. Apenas seguro o exemplar de Momentos do pôr do sol de Christian e repasso meus olhos nas partes que eu mais gosto. O livro dele está muito novo para ser um favorito. Na verdade, a capa não está arranhada... e eu conheço quando um livro já foi lido ou não.
Eu olho para Christian. Ele não me enganaria, certo? E o que ele ganharia com isso? Nada.
A mansão de Christian aparece diante dos meus olhos e eu fico totalmente sem palavras. É linda. Um jardim cheio de tulipas amarelas e árvores. E as paredes da mansão são da mesma cor. Eu respiro fundo.
Será a minha casa.
A minha vida.
– Gostou? – Ele pergunta estacionando o carro na garagem ao lado de mais dois.
– Claro. – Eu respondo sem saber ao certo o que dizer. Na verdade, eu sinto vontade de dizer: “Bom... Não é muito para uma pessoa só?” e “Porque você tem três carros se só vai andar em um de cada vez, enquanto tem tanta gente sem onde morar?” mas eu fico calada. Mais uma vez eu fico calada.
Ele me guia para dentro da casa e a primeira coisa que eu vejo é uma enorme biblioteca na sala. Claro. Ele é dono de uma editora, seria estranho ele não ter tantos livros assim. Eu passo meus olhos nas estantes infinitas que vão até o topo da parede.
Céus.
Eu nunca vi tantos livros. Eu poderia ficar a vida toda. Eu poderia morar ali, naquela caixinha de lixo ao fundo e eu iria adorar.
Eu sinto Christian tirando o Momentos do pôr do sol da minha mão.
– Eu tenho... Ciúmes dele. Posso guardar? – Ele pergunta levando para longe de mim.
Eu concordo ainda encantada com todos aqueles livros.
– Ah, eu preparei algumas coisas para você. Eu vou buscar, pode subir as escadas e ir tomar um banho. – Ele diz e eu só concordo de novo. – Cate.. – Ele chama minha atenção. Eu concordo. Ele ri. – Cate?
– Oi. – Eu respondo.
– Tome um banho, depois você volta. – Ele ri e eu me desperto.
Eu dou as costas para os livros e subo as escadas, encontrando o banheiro que ele mencionou. Eu sentia falta de um banho assim, com privacidade, sem um monte de enfermeiras me ajudando e me dando banho. Eu não consigo me abaixar muito, mas é melhor do que alguém me ajudando a fazer tudo.
Eu ligo a água e deixo ela preencher toda a banheira. Sais de banho...? Pra quê eles servem...? Eu não sei. Mas eu pego um rosa bonito, um azul comcheiro bom e um amarelo. Jogo um pouco dos três lá dentro. Fica um cheiro forte misturado a cheiro da água quente.
Tudo bem. Eu ainda tenho que me acostumar com essas coisas.
Eu tomo um banho, lavando os meus cabelos que estavam sujos á dias. Assim que Christian percebe a água descendo pelo ralo ele bate na porta e eu abro um cantinho para ele me entregar as coisas.
Eu sinto vergonha, mas engulo.
Eu não posso sentir vergonha.
Eu fecho a porta de novo, e encontro novas roupas íntimas ali.
Céus.
Okay, Cate. Você pode sentir vergonha agora.
Eu visto a nova calça jeans e dessa vez ele me deu uma camiseta floral de alça fina. Bom, eu gostei da blusa... Eu me olho no espelho e sacudo os meus cabelos.
Eu saio do banheiro e eu não sei para onde ir.
– Eu estou aqui, Cate. – Eu ouço a voz de Christian no cômodo ao lado.
Eu o encontro deitado na cama de casal dele, com a camisa social metade aberta e metade fechada. Ele se levanta, me notando.
– Vem, vou secar seu cabelo para você. Você não pode ficar doente. – Ele diz indo até o armário, pegando um secador, e vindo em minha direção.
Ele pede que eu sente na cama e começa a secar os meus cabelos com cuidado, hora ou outra passando o dedo em minha nuca. Ele solta um riso cada vez que faz isso e eu estremeço. Depois de alguns minutos, meus cabelos já estão secos e ele desliga o secador. Porém, continua passando o dedo nos meus cabelos.
Eu não sei o que eu sinto.
Eu lembro dos olhos de Adam ontem quando eu recitei o poema, e como eles brilhavam, mas... Ele se foi, certo? Ele era só um médico. E essa é a minha vida.
Eu apenas fecho os meus olhos.
Christian joga meu cabelo de lado, e beija a minha nuca e o meu pescoço. Eu estremeço outra vez e eu sinto algo no meu estomago. É como fome. É uma sensação ruim. É como se faltasse algo...
Mas ele não me dá tempo para pensar. Ele sobe na cama, e fica de frente para mim, me olhando nos olhos. Olhos azuis com medo, olhando olhos azuis que sabem exatamente o que fazer.
E eu deixo ele fazer o que ele acha que deve ser feito.
Ele segura a minha nuca e me beija. Sua boca encostando devagar na minha; A boca dele é gelada, e eu sinto tudo. Ainda sinto a dor, sinto a minha perna formigando, sinto os meus cabelos ainda úmidos.
Mas eu continuo ignorando.
Ele passa seus braços ao redor de mim, e me deita na cama, deitando por cima de mim. Ele me beija, e eu abro os meus olhos, vendo ele de olhos fechados. As mãos dele passam pelos meus braços, pelo meu pescoço, desce pela minha costela e passa por minha barriga, de baixo da minha blusa.
Eu gelo.
– Não. – Eu respondo empurrando ele de leve.
Ele abre os olhos e me encara.
– Tudo bem. – Ele responde se afastando. – Mas eu não te dei um vestido caro atoa.
Eu olho para ele.
Aquelas palavras repetindo.
Eu não te dei um vestido caro atoa. Eu não te dei um vestido caro atoa. Eu não te dei um vestindo caro atoa.
Eu me levanto da cama e saio do quarto. E com os meus olhos, encontro um telefone na sala. O bilhete continua em meu bolso. É tudo que eu preciso por enquanto.
Eu disco o número no telefone, e me encolho em um canto no chão.
A pessoa atende.
–  Eve... – Eu digo o mais baixo que eu consigo.
– Cate...? – Eve responde do outro lado com sua voz sempre doce. – Pare de pular na cama, Sam! – Ela grita com a filha tampando o telefone com a mão. – O que foi Cate?
– Eve, eu não sei onde eu estou... O que eu faço?

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3 comentários

  1. voce ta demorando demais, to com vontade de nem entra mais no seu blog para ler ¬¬

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    Respostas
    1. Eu posto no aplicativo wattpad agora ^^ mas vou voltar a postar aqui também ... Procura por Cate & Adam no wattpad, tem muito cap novo

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