#37 Entre verbos: Sobre eu, você e a luz

sábado, abril 04, 2015



Seus olhos sorriem em luz. São dois pedaços daquela cor de marrom mais bonita que brilham ao olhar para mim. E todo o seu corpo reage, e todo o seu corpo parece responder aos estímulos e reconhecer o meu. Os toques são doces, mas são profundamente quentes. E chegamos onde eu queria chegar... É profundamente quente e aquilo me faz reagir brusca e voluntária. Imagine uma fogueira; Onde a madeira queima, estala, chia, anseia e o fogo dá, simplesmente realiza pela naturalidade. Metáforas são meu vício, você sabe, eu seu.

A madeira estava lá, parada, cinza, seca. Simplesmente sendo aquilo que ela apenas foi feita para ser. Na sua simples existência de fragmentos, de pedaços alheios. E ela assistia o fogo. Um pouco distante, enquanto o fogo ao longe espalhava sua luz. Houve então a aproximação. O fogo e a madeira se tocaram e você percebe se observar que não acontece nada nos primeiros segundos. Apenas um contato sem vida, o fogo contornando a madeira e madeira incapaz de notar isso. É sem reações, como uma amizade onde os dois se olham pelos cantos enquanto desejam silenciosamente um ao outro. Até que, como um respirar, começa a queimar, a chama acende na madeira e a madeira se instalou no fogo. Nós nos éramos. Assim como eles se eram.

É quente, bruto, natural, e ao mesmo tempo os envolve e chia. O fogo ameaça queimar mais forte, e e ela continua a chiar. Eu diria que realmente queima, mas logo em seguida, percebo o meu engano. Se queimasse mais, doeria, e como você sabe, não dói. Eu te diria, então, subitamente, para arrumar minhas palavras soltas que na verdade esquenta e acolhe. Talvez você entenda por um breve momento e depois se esqueça, mas minha missão é fazer com que você torne a saber: Nada é suficiente. O fogo queima incansável e a madeira reage clara, pesada, ligeiramente em ascensão. Em palavras do fogo: Ela acende e ascende tão singela com seu significado cru e tão singular quanto deveria ser.

Só que a luz, você entende, é aquilo que o fogo e a madeira libera. Luz. Sempre luz originando aquele calor conhecido que mantem ambos em equilibrio. E eu não sei, agora, nesse estágio, nesse momento, o que seria do fogo sem a madeira ou da madeira sem o calor do fogo. Um virou o outro, um é o outro e é impossível enfiar a mão naquilo e separar. A madeira simplesmente continuaria marcada pelo fogo e o fogo sempre desejaria de volta aquela madeira tão única e singular dentre todas as outras que ele já teve a oportunidade de queimar. A sensação de perda daquela luz. Porque a luz traz vida para os dois. Causa sorrisos, alívio e energia. E nós gostamos de alegria e daquela energia, sobretudo, a nossa.

A madeira é vazia sem o fogo, você entende? Qual a sua função jogada ao quanto se não fosse a de queimar? E o fogo é vazio sem a madeira. Ele existe sem ela por alguns segundos, mas se ele não interlaçar seus dedos nos dela, ele não vive; Ele se apaga, ele deixa de existir. Então, o fogo dá uma razão para a madeira e a madeira em troca, singelamente, dá a ele a vida. Se a madeira ameaçasse partir, o fogo diminuiria, cairia num eterno declínio sem fim. Se o fogo ameaçasse fugir, o declínio seria o mesmo, e a madeira voltaria para o seu canto qualquer.

Mas a luz os une; O desejo de criar aquela coisa tão único os mantém unidos e a necessidade, possivelmente mais amor que necessidade, fizessem almas e corpos juntos de um modo inseparável. O fogo preenche a vontade enorme da madeira se queimar. Seu fogo preenche a minha eterna vontade de queimar. E eu te dou motivos para você ser quem você é. Assim natural como qualquer outra coisa que acontece no céu; Tão natural quanto qualquer estrela.


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2 comentários

  1. Oi Yara, parabéns pelo texto! Cheio de carinho, amor e afeto!

    ^^

    Bjs

    http://joandersonoliveira.blogspot.com.br/

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  2. Olá!

    Que amor esse texto! <3
    Eu também sou viciada em metáforas.

    Beijos! :*

    http://dreams-books-love.blogspot.com.br/

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