O Prazer e o Risco de Emprestar um Livro

quarta-feira, abril 08, 2015

Olá pessoal :D Como vocês sabem, o Geração Editorial é parceiro do blog e hoje vim trazer um post super interessante que está disponível lá no blog da editora/site da Época. Creio que todos os leitores têm um certo receio de emprestar os queridos filhos livros, eu tenho sim mas também tenho medo de na hora de ''citar regrinhas'' acabar magoando a pessoa... eu emprestei pra poucas, com quase todas meu livro voltou intacto,apenas uma vez ele voltou meio sujo e estragadinho, mas já me entristeceu :/ Chega de enrolação:
  
Por que tantos leitores têm medo de compartilhar suas bibliotecas com amigos?
“Empresto até dinheiro, mas não me peça meus livros.” Perdi a conta de quantas vezes ouvi amigos repetirem essa frase e muitas de suas variações. Alguns diziam o mesmo sobre os CDs, quando o CD ainda existia. O mundo mudou. As coleções de CDs acumulam poeira e, hoje em dia, é difícil achar alguém que queira pegar um deles emprestado. Para os leitores, a vida mudou pouco. Nunca vi alguém pedir um Kindle emprestado. Mas enquanto tivermos livros impressos – e os temos aos montes -, nos veremos frequentemente diante dessa questão: emprestar ou não emprestar?
A decisão de emprestar um livro é, em sua natureza, um gesto de amor à leitura. O prazer de ler é tão grande que precisamos compartilhá-lo. Nada mais frustrante do que terminar uma história incrível e não ter com quem conversar sobre ela. Emprestar um livro é buscar companhia num mundo em que os leitores, infelizmente, ainda são minoria.
Quem é contra o empréstimo de livros costuma ter um argumento forte para justificar sua postura: por mais que confiemos em quem pediu o livro emprestado, há uma enorme chance de que o livro não seja devolvido. O mundo fora da estante é perigoso. Mesmo ambientes aparentemente seguros escondem armadilhas. Já fui vítima de uma delas. Pouco depois do lançamento de A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, deixei meu exemplar com um colega de trabalho. Ele gostou tanto do romance quanto eu. Animados com a nossa conversa, outros colegas se interessaram pela obra. O livro passou de mão em mãos eu o perdi de vista. Não posso dizer que o revés foi inesperado. Outros livros tiveram um destino parecido. Continuo a emprestar livros, mesmo correndo o risco de perdê-los. Gosto de saber que meu exemplar de A visita cruel do tempo foi parar nas mãos de um leitor misterioso, em vez de acumular poeira em minha estante.
Como eu, muitos outros leitores ignoram os avisos dos pessimistas e marcham adiante para compartilhar suas leituras. É aí que surge outro risco: tornar-se um emprestador compulsivo. Tenho um amigo com esse problema. Uma vez, lembro-me de ter contado, em minha estante, três livros dele. Um deles foi emprestado antes mesmo que ele terminasse de ler, tamanha sua vontade de compartilhar suas leituras. Não o julgo. Já fui um emprestador compulsivo. Muitos dos livros que desapareceram da minha estante foram livros que eu insisti em emprestar para leitores não muito empolgados. Entre a vergonha de devolver o livro sem lê-lo e a cara de pau de ficar com o livro e jamais tocar no assunto novamente, escolheram a segunda opção. Eu os perdoo. Jamais esperaria que lessem o livro por obrigação.
Entre o egoísmo e o desapego exagerado, há uma terceira via: a troca. Foi a maneira que encontrei para acalmar meu amigo emprestador compulsivo. Numa das vezes em que ele me perguntou se eu já tinha lido as dezenas de livros que ele me emprestara, conversamos sobre um autor que ele não conhecia. No dia seguinte, deixei um livro em cima da mesa dele. A dívida passou a ser mútua, sem riscos de esquecimento. O máximo que pode acontecer é que a troca se torne definitiva – e, mesmo assim, nenhum de nós se sentirá lesado.
Adotei a mesma prática para outros empréstimos de livro. Se alguém me empresta algo, dou um jeito de sugerir uma nova leitura e retribuir o favor imediatamente. Se alguém me pede um livro emprestado, procuro saber se a pessoa tem algum livro que me interesse em sua estante e peço para lê-lo.
Graças à segurança que essas trocas proporcionam, passei a emprestar ainda mais livros, muitas vezes em circunstâncias em que a devolução é improvável. Na semana passada, um amigo embarcou para o Japão sem data para voltar. Levou na bagagem dele meu exemplar de A casa das belas adormecidas, de Yasunari Kawabata. Na minha situação, muitos leitores se desesperariam. Eu estou tranquilo: para compensar a viagem incerta do Kawabata, peguei emprestado um exemplar de Minha querida Sputnik, de Haruki Murakami. Se nos reencontrarmos em alguns anos para destrocar os livros, terei uma boa história para contar – e um argumento irrefutável para convencer quem é contra o empréstimo de livros. Se meu amigo ficar no Japão com o Kawabata, o Murakami me fará companhia, e meu livro terá feito uma bela viagem. Não haverá motivo algum para lamentar a perda. Emprestar um livro é despedir-se dele.

Fonte: Geração Editorial >> Época
Por: Danilo Venticinque

  

Espero que tenham gostado ^^
Beijos xoxos 

 Post por:

Aline Viana

 Sou moderadora/colaboradora do blog e amo essa coisinha ♥. Nasci em Goiânia,no dia 20 de fevereiro de 2001,em pleno horário de verão. Sou apaixonada pelo Percy Jackson u.u. Uma "filha" de Atena,do distrito 8,casta 4,divergente (erudição e amizade),trylle,etc... Não consigo me definir em apenas uma palavra. Várias ideias gostam de me rondar,mas minha memória só me deixa pôr algumas em prática. Prazer!

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2 comentários

  1. Nunca passei pela história de emprestar um livro e não recebe-lo de volta, se bem que, emprestei um ano passado e até hoje ele não está comigo, devo me preocupar? haha. Eu particularmente gosto de emprestar livro, mas não gosto de pedir emprestado. Sei lá, mas a menos que seja de uma biblioteca, eu sinto muito receio, gosto de ter os livros para mim, irônico, porque a maioria que eu li eu peguei de uma biblioteca. Acho que a questão é emprestar para quem confiamos, e confiar que alguém pode até melhorar seu hábito de leitura com seu exemplar, nada mais legal que isso. Adorei o post, beijos!
    Desfocando Ideias

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    1. Oi Natalia :D
      Eu também (ainda bem) nunca passei pelo caso de emprestar um livro e não recebê-lo. Acho que você poderia cobrar da pessoa meio que disfarçado hehe
      Eu também gosto de emprestar, é bom ter com quem comentar uma história...
      Aqui não tem biblioteca legal :c só com livros históricos e blá :P
      Eu tenho meio que ''dó'' de dizer NÃO a uma pessoa quando o assunto é emprestar algo, mesmo que seja pra alguém que eu não tenho taaanta intimidade.

      Que bom que gostou ^-^
      Beijos :D

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