Cate & Adam: Capítulo XXV

sexta-feira, maio 15, 2015



pessoal, algumas pessoas comentaram que eu deixei postar Cate & Adam, que demoro muito pra postar que nem dá ânimo de ler e bla bla, mas eu parei há algum tempo de postar os capítulos aqui no blog (ainda vou postar todos), mas eu agora posto lá no aplicativo Wattpad ♥ Dá para ler pelo celular e pelo computador, e é bem mais fácil.

Então para ler, clique aqui -> Cate & Adam no Wattpad ou procure por Cate & Adam, na busca no aplicativo. Recado dado, agora vamos para o capítulo que muitos já devem ter lido, maaas, vou postar aqui no blog para ficar aqui também ♥

Então, se quer ler o capítulo clique ali em baixo para ler mais e a postagem completa aparecer ♥


  Capítulo XXV

Cate
PARTE I
"Eu sobrevivo na sua memória." (All of Me - Angus and Julia Stone)


Eu não dormi ontem a noite.
Eu me encolhi em um pequeno lugar da casa de Christian como uma criança com medo de assombrações. Você sabe, eu liguei para Eve, mas ela não teve como me ajudar. Ela estava sozinha em casa e eu sei que ela tem seus problemas; Então, eu entendi. E eu fui procurar uma forma de ajudar a mim mesma, como eu normalmente faço.
Eu não me encolhi literalmente; Eu apenas fiquei seguindo a empregada o resto da tarde e pedi que ela trocasse de quarto comigo. Ela achou estranho. Quem não acharia? Alguém trocando um quarto luxuoso por um quartinho abafado dos fundos. 
Mas, entao, eu me escondi ali, e na verdade, Christian não pareceu ligar. Sequer me procurou. E bom, foi o melhor para mim. Me aliviou saber que não tinha ninguém me gritando pela casa.
Hoje é meu casamento.
E eu tenho que enfrentar Christian. Eu não quero, e já nao aceito mais ficar me escondendo. Então, eu me levanto, estico os meus membros e respiro. O bilhete de Adam continua no bolso da minha calça e é quase um peso. Mas eu não consigo tirar esse peso de mim. É como se, se eu tirasse ele de mim, ele fizesse eu me perder e me dissipar – Como um peso mantendo um balão no chão. Não. Não seria liberdade. Seria auto destruição. E você sabe disso.
Eu penso, então, o quanto eu sou idiota. Adam era só um médico que passo em minha vida dentre muitos médicos que já passaram por ela. Eu preciso simplesmente tirá-lo da minha cabeça. E eu vou.
Eu olho para a blusa floral que Christian comprou especialmente para mim e eu sinto nojo misturado com uma vontade enorme de arrancá-la e jogar aquilo longe. Mas invés disso, eu passo meus dedos no pano para tentar desamarrota-la. 
Eu dou uma olhada no pequeno espelho fixado na parede e olho para uma Cate com machucados e olheiras mais pesadas e escuras. Eu tento ignorar isso e tento não pensar sobre minha aparência física. 
Ligeiramente toco o bilhete de Adam e estou pronta.
Eu saio do quartinho, caminho pelos corredores e a sala aparece em minha frente. Christiaan está elegantemente sentado na mesa e na sua frente tem um café da manhã colorido e chamativo. Eu nunca vi um café da manhã assim; Normalmente, no meu apartamento era só um café amargo com um pão com manteiga.
Apesar da comida chamativa, eu me mantenho parada e encaro Christian. Ele me encara de volta. Eu me sinto vulnerável. Como se esses meus machucados tivessem sido feitos por ele. Como se ele que tivesse me machucado. 
Mas eu não demonstro; Não posso demonstrar que sinto medo dele. E bom, eu não tenho escolha, tenho?
Não. Eu não tenho.
– Bom dia, meu bem. – Ele diz com a voz rouca e lambendo os lábios discretamente. Como se nada tivesse acontecido e ontem fosse apenas um pesadelo meu.
Então vai ser assim.
Vamos fingir. 
Eu entro no jogo.
– Bom dia. – Eu respondo seca, incapaz de interpretar tão imediamente, mas acabo soltando um sorriso no final mostrando que aceito esse novo jogo.
Christian aponta para uma cadeira em sua frente e eu caminho até ela, me sentando. Eu me contenho para que minhas bochechas não  queimem de vergonha, ou raiva.
Eu pego um pão de queijo derretido em cima e uma xícara com café. Christian assiste minhas ações com cuidado. Apartir de hoje a noite essa será a minha rotina. Eu devo me acostumar.
– Está ansiosa para hoje? – Ele pergunta colocando um pedaço de bolo na própria boca.
– Sim. – Eu respondo, e é verdade. Eu realmente estou ansiosa. Porque tem uma chance, mesmo que eu não acredite nela e a afaste o tempo todo da minha mente, de ver Adam mais uma vez.
– mesmo? – Ele pergunta com os olhos surpresos e me encarando, tentando encontrar indícios de humor ou de ironia em meu rosto.
Ele não encontra, e me lança um sorriso de lado.
– Cate... – Ele diz abaixando a voz, tornando-a serena e aveludada. – Sobre ontem... Eu só estava nervoso e eu não queria dizer aquilo.
Então era só não ter dito. – Eu penso, mas não falo.
– Então você poderia me perdoar por aquilo? – Ele pergunta olhando em meus olhos. – Prometo compensar tudo hoje...
– Tudo bem. – Eu o respondo e mordo o pão, comendo, para que eu não precise conversar com ele. Eu poderia dizer milhares de coisas que me fizessem interpretar melhor, o que fizessem Christian se sentir mal, mas prefiro essas duas palavras e o silêncio. Parece mais promissor.
Eu termino meu pão e o café rapidamente e olho para ele.
– quais os planos para hoje? – Eu pergunto empurrando a cadeira para trás e me levantando.
– Você vai passar a manhã comigo no SPA, depois vou te levar para se arrumar no salão e vou ir buscar seu vestido. Quando der 17:00h, a limosine vem te buscar. Vamos casar ao pôr do sol.
Spa. Salão. Limosine.
Pôr do sol.
Eu sinto nojo, mas sorrio.
– Eu só vou tomar banho antes... – Eu digo dando a ele as costas e saio para longe.
Eu respiro fundo, a cada passa para longe que eu dou, e eu subo as escadas. Voltando para o banheiro de ontem.
Apoiada na bancada do banheiro, eu me lembro de algo. Eu tinha um celular. Onde será que ele está? Com Christian, possivelmente. Porque ele não me devolvou?
Eu respiro fundo, afastando isso de mim. Meu celular deve ter se destruído no acidente, assim como o meu corpo.
Eu tomo um banho demorado me preparando para uma manhã com ele. Eu espero sobreviver. Eu me olho no espelho penteando meus cabelos molhados em um rabo de cavalo. Os hematomas em meu pescoço e maxilar estão quase apagados. E isso vai acabar logo.
Eu só quero que isso acabe logo.
E, bom, eu vou sobreviver.
Christian bate na porta e eu abro uma pequena fresta e pego a sacola de papel. A marca estampada na sacola vale mais do que a televisão do meu apartamento. Céus. Meu apartamento. Como será que ele está?
Deixe isso de lado, Cate. – Minha cabeça pede, e eu atendo.
Eu visto um vestidinho floral e encaro meu corpo no longo espelho. O vestido revela minhas pernas cortadas e com cicatrizes quase totalmente fechadas, meus ombros na cor verde dos hematomas sumindo e o modo como eu prendi o cabelo, revela o  resto do estrago que o meu corpo anda sendo.
É assim que eu quero me revelar. Christian quer meus machucados de fora, então, que eles fiquem para fora dignamente.
Eu estou pronta. 
Capturo o bilhete de Adam, levo até os lábios; E então, eu o guardo num pequeno bolso do vestidinho. 
Eu saio do banheiro.
Christian está na sala me esperando. E eu... O que eu estou esperando? Bom... Pela minha sobrevivência, pelo meu casamento e por Adam. Esperando por algo que eu possa usar para responder as minhas perguntas e de algum modo, eu associei essas respostas a ele.
Eu caminho até Christian e ele me dá um sorriso.
– Linda. – Ele sussurra me olhando de cima para baixo e sinto todos os meus ferimentos arderem.
Eu o olho de cima a baixo também.
Ele está vestindo calça jeans e uma camiseta azul que realça seus olhos. Ele está vestido como alguém normal, o que é mais suportável. 
Eu volto a olhar os olhos dele e digo:
– Engolivel. – Eu mantenho o meu humor ironico na voz.
– e o que é "engolível"? – Ele pergunta com um sorriso. 
Não seria errado brincar como ele, certo? Afinal... Ele vai ser o meu marido.
– Quer dizer que desce na minha garganta, mas continua ruim. – Eu gargalho para ele e ele gargalha de volta.
É sem humor.
As duas risadas são sem humor.
Nós entramos em um carro diferente dessa vez; Esse é vermelho e tem cheiro de eucalipto e água. Eu tenho chero de rosas e água. Christian tem cheiro de perfume importado.
Ele acelera o carro e eu percebo que ele é sempre cuidadoso enquanto dirige. Nunca passa da velocidade permitida, sempre olha duas vezes no retrovisor antes de avançar. Ele deve ser apenas cuidadoso. E, bom, ele cuida de mim.
Eu o assisto equanto dirige, de um modo que ele não percebe. O braço que ontem travava um pouco, hoje está melhor e sequer tem indícios de que ntem estava ruim. Ele deve ter realmente machucado no futebol, como ele disse.
E que direito eu tenho de questioná-lo? Nenhum. Eu devo relaxar. Céus. Ele só quer arrumar as coisas.
– Então, até que enfim você resolver se dar um descanso... – Eu comento olhando para ele.
Ele solta um riso.
– E olha quem resolvou falar. – Ele diz. – Mas, sim, eu precisava descansar.
– E de uma esposa?
Eu ouço minha voz dizer e eu penso melhor. E me arrependo. Céus. O que eu disse? Ele estaciona o carro em frente ao spa, e ele me encara.
– Se eu não precisasse você não estaria aqui. – Ele diz sério demais, mas um segundo depos ele ri.
E eu rio também.
Como o roteiro do nosso teatro pessoal manda fazer.
Christian sai primeiro do carro, me pedindo para esperar, enquanto ele caminha em direção ao meu lado, abrindo a porta e me estendendo a mão. Eu não penso muito e a seguro. A outra mão, eu a coloco discretamente no bolso e agarro o bilhete de Adam. É como segurar a mão dos dois ao mesmo tempo. Mais de um, do que do outro.
E eu preciso mesmo dizer qual mão que eu me agarro mais?
Você sabe a resposta.
Nós entramos naquele lugar que meu dinheiro nunca conseguiria pagar, e as pessoas olham para Christian com admiração e respeito.
– Senhor... – Um homem diz. – O quarto de casal já está disponível.
– Obrigado. – Ele agradece segurando a minha mão com mais força.
Quarto de casal?
O que isso significa?
Eu só me deixo ser guiada, de um modo bem idiota como se eu tivesse 3 anos e nem soubesse andar ainda direito. Eu não gosto que me guiem.
Eu não gosto de ajudas.
Christian sobe as escadas como se conhecesse tudo ali, e deve realmente conhecer. A porta do quarto aparece e ele a abre com uma chave que eu sequer percebi ele pegando.
A vista preenche os meus olhos.
Não é propriamente um quarto com uma cama como minha mente traiçoeiramente formara. É mais uma sala, com uma hidromassagem, duas macas de massagem e uma decoração oriental perfeita.
Tem pequenas árvores floridas no canto das salas, um cheiro doce que parece alecrim e camomila. Esse cheiro imediatamente me lembra de quando meu pai fazia chás nas noites depois do trabalho – Era um ritual que eu sabia o que significava: Hora de ler. Com certeza, eu aprendi esse hábito de ler com ele.
É uma das coisas que eu carrego comigo.
Aquele cheiro me acalma e me faz relaxar.
– Nós podemos entrar na hidromassagem juntos...? – Christian pergunta me olhando nos olhos.
E eu estou tão calma que sequer percebo que eu dou de ombros. Ele diz que tem um biquini na maca e eu caminho até ela sem chances de mudar de ideia. 
Eu capturo o biquini e vou ao banheiro, onde eu troco de roupa. Deixo o bilhete de Adam bem escondido como se fosse a coisa mais preciosa no momento, enquanto eu tento ao máximo não parar para pensar nos meus pudores e que eles apareçam de uma forma que eu não consiga detê-los. 
Eu saio, envolvendo meu corpo com meus braços para escondê-lo, e encontro Christian já na enorme banheira. Ele me olha, examinando meu corpo machucado e eu me seguro para não estremecer dessa vez.
E eu consigo.
Não me rendo.
Eu caminho para a banheira e entro na água quente, mantendo minha tatuagem das costas longe dele. 
Ele me olha, tirando uma mecha do meu cabelo que caira em minha testa e tocando com seus dedos frios o meu rosto. Eu não desvio os olhos, apenas o encaro.
– Um Adam salvou a minha vida...
Eu solto sem ao mesmo perceber que eu estava me lembrando de quando eu era uma criança e isso aconteceu; E céus, o que tem de errado comigo? Porque não consigo controlar minhas palavras?
Ele solta o meu rosto.
– Porque está me dizendo isso?
– Eu não sei... – Eu afundo o meu corpo na água e me afasto. – Só sei que um Adam salvou a minha vida. – Eu repito simplesmente porque minha mente me mandou repetir, sem saber o porque disso.
Mas eu sei.
Eu percebo.
Eu disse isso porque eu tenho a esperança de que um Adam salve a minha vida dessa vez também. 

PARTE II
"Acenda-me um cigarro, e coloque o em minha boca. Você é o único que me quer por perto." (I'm Not Yours - Angus and Julia Stone)

A maquiadora trabalha no meu rosto com uma expressão seria que hora ou outra eu ouso espiar. É quase uma criança espiando algo proibido torcendo para não ser pega. São quase 16:30 e as horas cada vez passam mais rápido. Justamente porque eu não quero que isso aconteça. Christian passou aqui há uns dez minutos e deixou o vestido com a equipe que está aqui.
Eu me sinto desconfortável com essa mulher em cima de mim, mas eu me sinto ainda mais desconfortável em pensar que quando ela sair, eu vou ter que me enfiar dentro do meu vestido e ir embora. E eu não sei  se quero isso. 
Bom, eu sei sim. E a resposta é não.
No Spa, depois que eu involuntariamente soltei que "um Adam salvou a minha vida", Christian se manteve em um longo silêncio afiado que tirou meu fôlego da pior maneira possível e depois, se levantou da banheira dizendo que estava na hora de irmos embora. O que foi uma mentira tão escancarada que na verdade nem merece o nome de mentira. Então, fomos embora. Foi melhor assim.
Eu sinto as mãos da maquaidora saindo de mim e ela se afastando. Eu abro os meus olhos e percebo que ela está me examinando com olhos críticos, mas serenos.
– Está pronta. – Ela sorri par mim simpaticamente. – Consegui destacar seus olhos azuis e...
E ela começa a falar de seu trabalho e ouça dando balançadinha com a cabeça e sorrindo. A maquiagem pesa e me faz sentir completamente suja e grudenta. 
Eu olho para trás para mim espiar no espelho, mas eu percebo que ele está coberto com um pano vermelho. 
A mulher de cabelos semi-grisalhos ri.
– Sem espiar, mocinha. – Ela chama a minha atenção com humor. – Venha, vou te ajudar a vestir o vestido.
A grande hora do vestido.
Eu me levanto me segurando para não tremer ou não cair. Ela me olha com cuidado, me analisando.
– Não precisa ficar nervosa... – Ela sussurra segurando meu braço com carinho. – Tudo vai ficar bem.
Eu sorrio para ela como se aquilo que ela disse estivesse me acalmando. Mal sabe ela que as coisas estão longe de ficar bem. Que eu estou longe de não precisar ficar nervosa. 
Eu olho para ela agradecendo mentalmente pela ajuda, enquanto ela pega o vestido e o traz carregando com dificuldade. Ele é grande. E pesado. Mais do que eu me lembrava.
Mas esse vestido me acalma.
O escolhi para Adam, ele vai entender.
A mulher abre o vestido no chão, enquanto eu tiro as minhas roupas com cuidado pelos machucados e pela maquiagem. Eu deixei o bilhete de Adam bem seguro dentro do meu sutiã; Eu pulo para dentro do vestido, e ela o sobe, fazendo-o se encaixar no meu corpo de um modo delicado. Ela pecebe meus machucados, mas não diz anda, apenas toca com cuidado para não encostar neles.
Ela me ajeita, fechando o corpet em minhas costas, passando as fitas como o cadarço de um tênis e apertando o laço no final. Ela vem em minha frente e me olha nos olhos dando, em seguida, uma última checada em meus cabelos.
– Você quer alguma coroa? – Ela pergunta.
– Tem algo com flores? – Eu pergunto com Dorothie em minha cabeça.
Ela sorri, e caminha até um ármario, procurando por algo na gavetas. Ela as checa, uma atrás da outra, até que ela enfim encontra e pega o objeto. Ela traz o objeto até mim e eu vejo uma linda coroa de flores azuis como a flor em meu vestido.  Ela o coloca em minha cabeça, acomodando a coroa em meus cabelos. 
– Você quer se ver? – Ela pergunta sorridente.
Eu concordo com a minha cabeça e com um sorriso; Sim, eu quero me ver.
Ela caminha até o espelho coberto e puxa o pano.
Eu vejo uma pessoa completamente diferente no espelho me olhando de volta. Eu a admiro. Os olhos azuis dela estão com cílios grandes, e contornados de preto – Mas é algo mais marcante do que algo pesado. As bochechas estão coradas artificialmente e a maquiagem em minha pele apagou as minhas sardas. Os lábios estão tingidos de um rosa claro e eu, ao me analisar no espelho, eu percebo  que eu estou mordendo meus lábios de nervosismo. 
Eu desço meus olhos até meu vestido  e o vejo perfeitamente encaixado em meu corpo. Ele é lindo.
Talvez casar com Christian não seja tão horrível assim.
Eu ouço uma buzida.
17:00h.
Meu coração acelera em um solavanco.
A mulher me lança um olhar delicado, e eu percebo ali ela me desejando boa sorte. Eu agradeço com meus olhos. 
Eu seguro a minha saia branca, saindo, até que lembro que estou descalço. Eu quase rio de mim mesma. Quase.
Eu tiro a sapatilha da minha bolsa e a encaixo em meus pés. Nunca que eu ia usar um salto alto.  Você me entende, certo?
A limusine branca é enorme e eu perco o fôlego; Não por isso ser caro demais, porque é grande demais para mim. Não precisava disso. Céus, Christian tem três carros, não poderia ser um deles?
Eu entro naquele exagero, e me sento encolhida no canto. Eu me sinto deslocada. Esse casamento é meu também, mas eu não sei de nada do que está acontecendo. Não sei onde vai ser, não sei como vai ser. 
Isso me gera desconfiança.
Porque eu não sei de nada?
Ah, claro, eu perdi a memória.
A limusine tem um leve cheiro de cigarro, o que revela que o motorista andou fumando. Mas, além disso... Esse cheiro me lembra algo. Me lembra alguém, me lembra uma toca preta e barba mal feita.
Deve ser Christian.
Eu devo estar me lembrando que ele fumava.
Ótimo, vou me casar com um fumante.
Eu vejo a limusine andar para fora da cidade e começo a ver árvores e a mata. Possivelmente, o casamento vai ser em um sítio. Tomara que tenha flores. Eu quero flores. Flores me acalmam. Eu tinha flores no apartamento. Meu pai colhia flores comigo. Céus. Eu estou nervosa.
Porque você está nervosa, Cate? – Minha mente bombardeia. – Você sabe que Adam não  vai vir.
Sim, eu sei. – Eu me respondo com os olhos cravados na janela.
Eu vejo vários carros estacionados na beirada da rua e eu percebo a porta aberta de um sítio com uma enorme faixa graciosa escrito "Christian & Cathelin". Céus. Era mesmo necessário colocar "Cathelin"?
E algo passa por minha cabeça: Se Christian me conhecesse mesmo, saberia que eu odeio o meu nome. Será que isso é mesmo real?
Claro que é, idiota. – Minha mente grita.
E eu escolho ouvir.
– A noiva chegou. – Eu ouço o motorista falando em seu aparelho  celular e eu me mantenho quieta, como se eu sequer existisse.
Ele olha para trás, e crava seus olhos em mim.
– Você entra daqui cinco minutos. – Ele diz.
– Já começou? – Eu consigo perguntar, milagrosamente, sem gaguejar.
– Sim, – Ele responde e olha seu relógio. – Quatro minutos.
Eu me lembro que Antony se recusou a entrar comigo e eu não sei se estou disposta a perdoá-lo; Se ele estivesse aqui, tudo isso seria mais fácil.
– Dois minutos. – O homem me informa sando da limusine, e abrindo a porta para mim.
Eu saio, segurando a minha saia e duas mulheres com microfones de atendentes vem em minha direção e dá uns ajustes finais em minha aparência. 
Elas então fecham a porta de madeira e me pede para me posicionar atrás dela.
Eu ouço um violino ao fundo e uma música serena começa a tocar. A porta de madeira se abre quando eu menos espero e centenas de cabeças bem arrumadas e aparentemente ricas, viram em minha direção e me olham como se eu fosse a comida da grande festa.
A decoração é em branco e vermelho e ou sou a única coisa branca-e-azul do local; Como se eu não estivesse me sentindo deslocada e perdida o suficiente. O ambiente tem grama, como qualquer sítio, mas diante de mim, tem um longo tapete vermelho que me leva até um palco onde eu me casarei. Tudo tem um cheiro doce, mas você sabe, isso não é tão doce assim.
Eu me sinto estranha, mas me obrigo a andar. 
Eu foco os meus olhos na frente, em um botão de rosa vermelho em meio ao grupo de botões brancos no arco que o padre e Christian estão em baixo. Eu caminho, passo por passo, e obrigo os meus pés andarem mais rápido para aquilo acabar logo, mas não tão rápido para que eu não acabe no chão.
Nunca me senti tão mal. 
Nunca me senti com tanta vontade de vomitar.
Eu subo a pequena escada que me leva ao palco, e Christian captura a mão. Será que ele percebe que elas estão tremendo e geladas? O padre começa a dizer coisas que eu sequer presto atenção. Só consigo pensar no quão é estranho segurar a mão dele, e no quanto é estranho isso tudo. 
Eu olho para longe, assistindo o pôr do sol, e eu me sinto exatamente como Dorothie, de Momentos do pôr do sol, quando ela vai se casar. Ela foi vendida, e se casaria contra sua vontade. Tudo que ela fez foi assistir o pôr do sol, que fazia anos que ela não assistia, e foi o que valeu a pena. Foi o que fez tudo valer a pena. 
Eu quero que esse pôr do sol faça esse dia valer a pena.
– Christian Hufner, você aceite Cathelin Owen como sua legítma esposa? – Essa frase me desperta do meu transe e eu por impulso olho para Christian.
Ele me olha e sorri com aqueles dentes tão brancos que refletem os raios do pôr do sol que acaba de nascer.
– Sim, eu aceito. – Ele responde com sua voz ecoando pelos altos falantes.
O padre vira para mim.
Ah, não, não me faça essa pergunta...
– Cathelin Owen, você aceita Christian Hufner como seu legitímo esposo? – O padre me pergunta e o microfone é colocado diante dos meus lábios. 
Eu desvio os meus olhos e olho para aquela platéia de amigos desconhecidos, focando no rosto de cada uma. 
E procuro por Adam.
Procuro por ele descaradamente.
Eu vejo um homem de cabelos cacheados, mas não tem os olhos verdes. Continuo procurando. Qualquer homem acende meu coração, mas quando analiso melhor, percebo que não é ele.
Ele não está aqui.
Ele não veio.
Porque ele viria, afinal?
Então eu cravo meus olhos em Christian, o culpando por tudo.
Colo meus lábios no microfone, e com toda a minha raiva, eu digo:
– Sim, eu aceito.

FIM DO CAPÍTULO

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1 comentários

  1. Oi linda, to seguindo o blog para o sorteio do exemplar de "A herdeira" ( não sabia por onde deveria avisar, por aqui ou pelo ig, então resolvi avisar pelos dois rs)
    Eu ameeeeeei seu blog, tudo mto lindo e os conteúdos são interessantíssimos , parabéns , bjos ;*

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